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14 Animais que Demonstram Uma Inteligência Impressionante

Medir a inteligência é uma tarefa tão complexa que é impossível fazer comparações entre animais.terça-feira, 17 de setembro de 2019

Por Natasha Daly
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Os corvos conseguem fazer planos para o futuro. Os polvos fazem armaduras com cascas de outros animais. Os orangotangos “falam” sobre o passado.

As investigações científicas estão constantemente a oferecer vislumbres de novas dimensões da cognição animal. Mas a inteligência – que é tão complexa e abrange uma gama tão vasta de capacidades adaptativas – continua a ser uma coisa difícil de avaliar.

"Um dos maiores desafios passa pela nossa incapacidade de compreender a forma como as outras espécies processam informações", diz Kristina Horback, professora assistente no Departamento de Ciência Animal da Universidade da Califórnia, em Davis, que estuda as capacidades cognitivas de animais de criação.

Alguns animais têm sentidos que nós nem conseguimos compreender, como os tubarões, que têm uma sensibilidade apurada a correntes elétricas, ou alguns insetos que conseguem ver luz ultravioleta.

Os nossos próprios sentidos distorcem a forma como interpretamos a inteligência dos animais. O "teste do espelho" – a capacidade de um animal se reconhecer ao espelho – é normalmente utilizado para avaliar capacidades de autoconsciência. Os golfinhos, alguns corvídeos e mantas estão entre as poucas espécies que passaram nesse teste.

“Como a visão é fundamental para os humanos, é normal que o reconhecimento visual do eu seja um padrão utilizado por nós", diz Horback. “Mas e as espécies que dependem do olfato para fins de identificação, como os suínos? A informação visual não é importante para essas espécies.” O teste do espelho favorece as espécies que dependem da visão e não do olfato, não oferecendo assim uma medida de avaliação concreta sobre autoconsciência.

Não podemos comparar objetivamente a inteligência entre os animais. Uma espécie pode destacar-se numa área, mas ter um péssimo desempenho noutra, e vice-versa. Os animais, para passarem num teste de cognição, dependem muito das suas capacidades sensoriais. O uso de aptidões humanas como referência comparativa entre várias espécies revela bem as lacunas presentes nos nossos métodos de avaliação cognitiva.

“A nossa visão é boa, mas não é tão boa como a dos falcões. A nossa audição é boa, mas não como a dos ratos ”, diz Edward Wasserman, professor de psicologia na Universidade do Iowa, que compara capacidades cognitivas entre espécies. O nosso olfato, diz o professor, “está no lado mais fraco do espectro e é exponencialmente ultrapassado pelo dos cães".

Para Wasserman, “a forma como concebemos os testes de inteligência pode revelar mais sobre as capacidades sensoriais dos animais do que propriamente sobre as suas capacidades intelectuais".

Para além disso, também temos tendência para valorizar capacidades cognitivas semelhantes às dos humanos como um sinal de inteligência superior. "Há quem diga que os porcos são inteligentes e que as ovelhas são burras”, diz Horback. "Isto é completamente falso." Os porcos, tal como os humanos, são omnívoros oportunistas – comem o que conseguem encontrar. Desenvolveram a capacidade de memorizar os locais dos alimentos, e usam métodos para enganar e afastar os outros porcos dos seus esconderijos. As ovelhas, por outro lado, são herbívoras. Têm aptidões diferentes, como a capacidade de detetar movimentos subtis do rebanho. "As ovelhas não precisam de engendrar planos complexos sobe a localização dos alimentos, nem precisam de afastar as outras ovelhas da fonte de alimentação", diz Horback. "As ovelhas não têm obviamente necessidade dessa capacidade cognitiva em específico".

Todas as espécies estão adaptadas ao seu próprio ambiente. Os animais têm geralmente as capacidades cognitivas que precisam para prosperar. "Existem espécies que simplesmente não necessitam de reter capacidades de resolução de problemas complexos, ou o uso de ferramentas", diz Horback, realçando que ter mais capacidades cognitivas do que o necessário "seria um desperdício para a sobrevivência do próprio animal".

“No mar, alguns crustáceos, como os percebes, não se mexem. A comida vem ter com eles”, diz Wasserman. “Porque razão se iriam envolver em grandes atos de aprendizagem ou raciocínio?”

Embora os cientistas rejeitem a noção de medir em absoluto ou comparativamente a inteligência animal, os avanços na tecnologia estão desvendar novos segredos.

Os ecrãs táteis, em particular, “estão a mudar o paradigma”, diz Wasserman. “Desde que os animais consigam ativar o ecrã pelo toque, seja com as patas, com o focinho ou com o bico, conseguimos conceber testes para avaliar a sua inteligência.”

Eis 14 espécies do reino animal que demonstraram feitos cognitivos notáveis.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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