Animais

Alterações Climáticas: Relações Entre Peixes Já Não São o que Eram

Investigadores portugueses lideram estudo sobre as mudanças das relações entre os peixes devido às alterações climáticas.sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Por National Geographic
Tubarões de ponta negra e outros peixes nadam em torno da câmara.
Tubarões de ponta negra e outros peixes nadam em torno da câmara.

As mudanças nas relações entre os peixes do mar estão efetivamente a acontecer devido às alterações climáticas. E este alerta foi dado por investigadores portugueses.

Peixes limpadores sofrem com alterações climáticas
É nos recifes de coral que encontra grande parte destes peixes. E desacredite-se se pensa que os mesmo são apenas benéficos para locais como estes. Os peixes limpadores libertam-nos de parasitas, de pele morte e até nos ajudam a combater o stress. Estas interações são essenciais para os ecossistemas de recifes de coral, uma vez que modelam a diversidade, riqueza e atração de inúmeras espécies de peixes.

As alterações climáticas, nomeadamente o aumento da temperatura da água dos oceanos e da sua acidificação, trazem graves consequências para as relações destas espécies. Isto acontece, por exemplo, com o peixe limpador Labroides dimidiatus e o peixe Naso elegans. Perceber em que medida estas alterações climáticas afetam estes mutualismos é uma prioridade para os investigadores.

Investigadores portugueses na linha da frente
O estudo internacional, liderado por investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), revela como os mutualismos de limpeza marinhos têm vindo a lidar com o aquecimento e acidificação dos oceanos.

Ao consultar o artigo “Neurobiological and behavioural responses of cleaning mutualisms to ocean warming and acidification”, pode perceber que “após uma longa exposição a água mais quente e mais ácida os peixes limpadores - Labroides dimidiatus - reduzem a motivação para interagir com outros peixes do recife de coral”.

O grupo teve oportunidade de estudar o funcionamento do cérebro destes peixes e as conclusões são claras. “As alterações observadas estavam correlacionadas com mudanças nos níveis de neurotransmissores no cérebro (dopamina e serotonina)”, de acordo com um comunicado de imprensa da FCUL. O aumento da temperatura da água e da sua acidez, resultantes das alterações climáticas que se têm vindo a sentir nos últimos tempos, causam mudanças nas relações e comportamentos destes peixes.

Esta investigação foi realizada junto dos peixes limpadores da grande barreira de coral australiana, que pode vir a sofrer com as alterações comportamentais destas espécies. Para além dos investigadores portugueses, o trabalho iniciado em novembro de 2014 teve a colaboração de investigadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, e da Universidade de James Cook, na Austrália.

Continuar a Ler