Tigre Testa Positivo Para Coronavírus em Zoo de Nova Iorque – Primeiro Caso Conhecido no Mundo

Este felino é o primeiro caso conhecido de um animal não domesticado com sintomas de COVID-19 – e é um dos sete tigres doentes no zoo de Nova Iorque.

Tuesday, April 7, 2020,
Por Natasha Daly
Um tigre-malaio fotografado em 2017 no Zoo de Bronx. Num acontecimento sem precedentes, um dos tigres-malaio ...

Um tigre-malaio fotografado em 2017 no Zoo de Bronx. Num acontecimento sem precedentes, um dos tigres-malaio fêmea do zoo, chamado Nadia, testou positivo para o vírus que provoca a COVID-19. Outros seis grandes felinos também apresentam sintomas da doença.

Fotografia de Andrew Lichtenstein, Corbis via Getty Images

Um tigre no Zoo de Bronx, na cidade de Nova Iorque, testou positivo para o vírus que provoca a COVID-19, e seis outros felinos estão a exibir sintomas consistentes com a doença, anunciou este domingo o Departamento de Agricultura dos EUA.

“Tanto quanto sabemos, esta é a primeira vez que um animal (selvagem) adoece com COVID-19 através de uma pessoa”, diz Paul Calle, veterinário-chefe do Zoo de Bronx. O tigre-malaio fêmea, chamado Nadia, provavelmente contraiu o coronavírus através de um tratador assintomático – sendo por isso desconhecido. “É a única coisa que faz sentido”, diz Calle. O zoo está encerrado aos visitantes desde o dia 16 de março.

Vários animais domésticos já tinham testado positivo para o SARS-CoV-2, o vírus que provoca a COVID-19, incluindo dois cães – um spitz-alemão-anão e um pastor alemão – em Hong Kong e um gato doméstico na Bélgica.

Os gatos selvagens e domésticos são suscetíveis ao coronavírus felino, mas até recentemente não se sabia se podiam contrair o SARS-CoV-2. Um novo estudo feito na China descobriu que os gatos podem infetar-se uns aos outros, e os cientistas estão a tentar descobrir o mais depressa possível quais são as outras espécies que podem ficar infetadas.

Caso inédito a nível mundial
De acordo com Paul Calle, depois de desenvolver uma tosse seca em finais de março, Nadia, um tigre-malaio de 4 anos, foi testado para o vírus no dia 2 de abril. A irmã de Nadia, dois tigres-siberianos e três leões também tiveram tosse e perda de apetite, apesar de não terem sido testados. O zoo tem os sete felinos sob cuidados veterinários e espera que estes consigam recuperar, diz Calle, embora a Wildlife Conservation Society, a organização sem fins lucrativos que gere o Zoo de Bronx, tenha alertado através de comunicado que não se sabe como é que a doença pode progredir nos animais.

Quando Nadia começou a mostrar sintomas, a equipa veterinária fez vários testes de diagnóstico e exames sanguíneos. “Considerando o que está acontecer na cidade de Nova Iorque, é claro que fizemos o teste COVID”, diz Calle. Depois de sedar Nadia, a equipa recolheu amostras no zoo. As amostras foram enviadas para o Laboratório de Diagnóstico do Estado de Nova Iorque, na Universidade de Cornell, e para o Laboratório de Diagnóstico Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade do Illinois. “Não é o mesmo tipo de teste que os profissionais de saúde fazem às pessoas”, diz Calle, “para que não exista uma competição por testes entre situações que são bastante diferentes”.

De acordo com o Departamento de Agricultura e os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, atualmente não existem evidências de que os animais selvagens – domésticos ou em cativeiro – consigam propagar o novo coronavírus aos humanos. (Acredita-se que o vírus que infeta humanos se desenvolveu a partir de um coronavírus muito semelhante ao encontrado nos morcegos.)

O que se segue?
“Tudo isto é completamente novo”, diz Calle, “há muitas questões sem resposta, incluindo saber se os tigres e os leões são mais suscetíveis ao coronavírus do que outros animais”. Nenhum dos outros grandes felinos do zoo apresentam sintomas, incluindo leopardos-das-neves, chitas, um leopardo-nebuloso, um leopardo-de-amur e um puma.

Os tratadores de zoos de todo o país têm feito esforços adicionais para proteger os grandes símios, pois podem facilmente apanhar doenças respiratórias dos humanos. Os especialistas alertam que estes animais podem ser particularmente suscetíveis ao coronavírus.

A equipa do Zoo de Bronx vai partilhar todas as informações de diagnóstico com os outros zoos e com a comunidade científica, diz Calle. “Suspeito que existam outros animais infetados, e agora que estamos a partilhar estas informações, tenho um pressentimento de que vão surgir novos casos.”

John Goodrich, cientista-chefe e diretor do programa de tigres da Panthera, uma organização global de conservação de grandes felinos, está preocupado com as populações de tigres selvagens. “Os grandes felinos, como os tigres e os leões, já estão a enfrentar uma série de ameaças à sua sobrevivência na natureza. Se a COVID-19 passar para as populações selvagens de grandes felinos e se tornar numa causa significativa de mortalidade, o vírus pode vir a transformar-se numa preocupação muito séria para o futuro destas espécies.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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