Mondeguina: Nova Espécie de Borboleta Homenageia Rio Mondego

Há uma nova borboleta noturna a sobrevoar o rio Mondego. Investigadores portugueses descobrem a Mondeguina, a borboleta de antenas longas e esbeltas.

Tuesday, July 21, 2020,
Por National Geographic
A nova espécie de borboleta nocturna, Mondeguina atlanticella.

A nova espécie de borboleta nocturna, Mondeguina atlanticella.

Fotografia de André Lameirinhas

Investigadores da Universidade do Porto descobriram uma nova espécie de borboleta, encontrada a pairar sobre o rio Mondego, o mais longo e inteiramente português, até ao cruzamento com o oceano Atlântico.

O nome Mondeguina Atlanticella surge, precisamente, em homenagem a este cruzamento. Outra espécie semelhante é a Mondeguina Mediterranella, encontrada nas proximidades do mar Mediterrâneo.


A diversidade do planeta Terra
Das diferenças anatómicas destacam-se as antenas longas e as asas posteriores esbeltas. Os exemplares do novo género de borboletas noturnas, sujeitas a estudo, levam a concluir que uma das espécies pertence a um novo género e, a descoberta revela o quanto ainda desconhecemos sobre a diversidade biológica do planeta Terra.

Com uma envergadura de 9 a 12 centímetros, possui uma cabeça com a face plana e vértice liso. As antenas têm cerca de nove décimos do comprimento, quase tão longas quanto as asas anteriores, e são mais finas que o segmento.

A sua cabeça é branca, assim como o tórax. As escamas têm a ponta escura, o seu lado inferior é amarelo pálido opaco e o abdómen amarelo esbranquiçado.

A Mondeguina Atlanticella e a Mondeguina Mediterranella são muito semelhantes externamente, embora a envergadura média seja ligeiramente maior na Mondeguina Atlanticella.

IBI: InBio Barcoding Initiative – o "código de barras" e a base de dados
O estudo desenvolvido no âmbito do projeto EnvMetaGen CIBIO-InBIO e PORBIOTA, na iniciativa IBI: InBIO Barcoding Initiative, tem por objetivo a construção de uma biblioteca de códigos de barras de ADN focada especialmente em invertebrados.

Os segmentos de ADN podem ser analisados para distinguir as diferentes espécies existentes. As identificações realizadas desta forma baseiam-se na comparação dos “códigos de barras” com uma base de dados, na qual diferentes espécies estão catalogadas.

Esta nova coleção de ADN promete revelar-se uma ferramenta fundamental para a monitorização da biodiversidade a longo prazo, e em larga escala na Península Ibérica, auxiliando a identificação de mais espécies.

A sua aplicabilidade encontra-se, ainda, prejudicada pela falta de coleções de referência abrangentes, particularmente de invertebrados que estão sub-representados em bancos de dados de referência.

A iniciativa da InBIO visa preencher esta lacuna, combinando o trabalho de campo e o trabalho em rede com taxonomistas e ecologistas, onde mais de 7000 espécimes já foram coletadas e mais de 5000 sequenciadas.

Habitat da nova espécie na Ilha da Morraceira.

Fotografia de Jorge Rosete

As Mondeguinas avistadas em três zonas de Portugal
A localidade-tipo para a nova espécie de Mondeguinas descrita em Portugal é a ilha da Morraceira, Figueira da Foz, situada no estuário do rio Mondego.

O outro local é a Lagoa de São José, um pequeno lago atrás de dunas de areia, na costa oeste de Portugal. Este encontra-se cercado por uma floresta de pinheiros-bravos. O solo arenoso ao redor do lago oferece uma vasta variedade de arbustos.

Um terceiro local, dois quilómetros a norte de Ludo e a 3,5 quilómetros da costa sul de Portugal, situa-se numa trilha que separa uma colina de areia baixa com pinheiros-bravos e um sub-bosque de arbustos e ervas, com um pequeno prado de várzea na fronteira com a Ribeira de São Lourenço.

Da captura à investigação da nova borboleta noturna
As borboletas foram coletadas à luz do dia, no final do mês de junho, julho e setembro. Embora algumas tenham chegado diretamente à luz, a maioria foi recolhida em repouso nas ervas, a poucos metros de distância da luz.

A Mondeguina é noturna, esguia e movimenta-se no trecho terminal do rio Mondego, onde foi avistada e estudada.

Projeto e equipa de investigadores
Os investigadores que estão à frente do projeto das Mondeguinas são Martin Corley e Sónia Ferreira, do CIBIO-InBIO, o laboratório de investigação ligado à Universidade do Porto e, Jorge Rosete.

O CIBIO – Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Recursos Genéticos é uma Unidade de Pesquisa reconhecida internacionalmente na área de ciências biológicas. Realiza pesquisas básicas e aplicadas sobre genes, espécies e ecossistemas. Integra desde janeiro de 2011, o InBIO, uma Rede de Pesquisa em Biodiversidade e Biologia Evolutiva.

O CIBIO-InBIO promove um ambiente de pesquisa internacional e multicultural, reunindo investigadores de mais de 17 países. As suas atividades concentram-se na biodiversidade, ecologia e conservação, evolução, genética e genómica e sustentabilidade, ecossistemas e meio ambiente.
 

Artigo atualizado a 23 de julho de 2020 por motivos editoriais.

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