Primeiro Cão Adotado em Abrigo a Viver na Casa Branca Reflete Tendência de Adoção de Animais

A família Biden adotou o seu pastor alemão, Major, num abrigo para animais em Delaware. A adoção de animais de estimação nos EUA tem ajudado a diminuir as taxas de eutanásia.

Thursday, November 12, 2020
Por Natasha Daly
O presidente eleito Joe Biden irá levar para a Casa Branca os seus dois pastores alemães: ...

O presidente eleito Joe Biden irá levar para a Casa Branca os seus dois pastores alemães: Champ, na fotografia, e Major, que será o primeiro cão adotado num abrigo a viver na Casa Branca. A notícia emocionou os amantes de animais, refletindo a tendência crescente de adoção de animais resgatados.

Fotografia de Win McNamee, Getty Images

Major é um pastor alemão que passou a sua infância num abrigo para animais. Em janeiro, vai mudar-se para a Casa Branca.

Depois de quatro anos sem um animal de estimação presidencial na Avenida da Pensilvânia, os cães estão de regresso à Casa Branca. Major, um cão que o presidente eleito Joe Biden e a sua esposa Jill Biden adotaram há três anos na Associação Humanitária de Delaware, será o primeiro cão de um abrigo a viver na Casa Branca. Ao seu lado estará Champ, de 12 anos, o outro pastor alemão da família Biden.

Esta notícia foi recebida com entusiasmo nas redes sociais, refletindo o apoio crescente dos americanos aos cães adotados em canis e abrigos para animais – mais de 1.6 milhões de cães foram adotados no ano passado, de acordo com a Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra Animais (ASPCA).

Embora nos EUA não exista uma contagem oficial que compare a quantidade de animais de estimação que são comprados e adotados, um relatório de 2018 da Associação Médica Veterinária Americana estimava que havia 77 milhões de cães de estimação nos Estados Unidos, e que os abrigos e grupos de resgate forneciam a maior parte destes animais.

A ASPCA estima que anualmente cerca de 3.3 milhões de cães entram em abrigos e canis. Cerca de 670.000 são abatidos – uma queda significativa em relação a 2011, ano em que 2.6 milhões de cães e gatos foram abatidos. A ASPCA atribui parte desta queda à popularidade crescente da adoção de animais de estimação (outra razão é o aumento no número de cães abandonados que são devolvidos com sucesso aos seus donos).

O presidente Trump foi o primeiro presidente, desde James Polk na década de 1840, que não teve um animal de estimação na Casa Branca, de acordo com a versão online do Museu Presidencial de Animais de Estimação.

Um longo legado de cães na Casa Branca
Desde George Washington – que teve doze cães foxhound, incluindo Drunkard, Taster, Tipler e Tipsy – a maioria dos presidentes norte-americanos teve animais de estimação na Casa Branca. Andrew Jackson tinha um papagaio e ensinou o animal a dizer impropérios (e o papagaio foi tão ofensivo durante o funeral de Andrew Jackson que teve de ser retirado). Lincoln tinha duas cabras.

Teddy Roosevelt tinha uma cobra-liga chamada Emily Spinach, e a sua família chegou a realizar um “funeral de estado” para o seu coelho de estimação, Peter Rabbit. Franklin D. Roosevelt ficou famoso por ter um terrier escocês chamado Fala, que está homenageado em bronze no memorial do presidente em Washington D.C. Lyndon B. Johnson foi o primeiro presidente a ter um cão resgatado na Casa Branca (embora não fosse um cão de um abrigo) – um cão arraçado de terrier que a sua filha encontrou numa bomba de gasolina.

A família Biden comprou o seu outro pastor alemão, Champ, a um criador em 2008. Em 2018, quando procuravam um companheiro para Champ, a filha do casal, Ashley, viu uma publicação feita pela Associação Humanitária de Delaware (AHD) no Facebook, que falava sobre seis pastores alemães pequenos que tinham sido recentemente resgatados, diz Patrick Carroll, diretor executivo da AHD. As crias, diz Patrick, vieram para o abrigo depois de terem sido expostas a algo tóxico onde viviam. A família Biden acolheu inicialmente Major, e depois o presidente eleito foi à AHD assinar a papelada e oficializar a sua adoção. “Nós tratámo-lo como fazemos com qualquer outra pessoa”, diz Patrick.

Cães abandonados nunca mais
Na última década, a consciencialização em torno da adoção enquanto opção para os possíveis donos de cães cresceu significativamente, diz Kitty Block, presidente e CEO da Sociedade Humanitária dos Estados Unidos.

Kitty diz que as pessoas costumavam pensar que os cães estavam num abrigo, ou que eram entregues nos abrigos, porque tinham algo de errado. Kitty atribui grande parte do problema dos cães que acabam em abrigos às operações de escala comercial que reproduzem os animais exclusivamente para obter lucro, muitas vezes sem garantir exames de saúde adequados, padrões de bem-estar ou uma "formação" aos compradores, levando a um excesso de cães que acabam em abrigos.

“Assim que as pessoas perceberam que os animais não estavam em abrigos porque tinham algum tipo de problema, mas porque simplesmente eram demasiados, isso ajudou a mudar a perceção do público.”

Kitty acredita que as pessoas se identificam com a ideia de que não estão apenas a acolher um novo companheiro em casa, mas que estão ativamente a salvar uma vida – e podem estar a abrir uma vaga num abrigo para um novo animal resgatado.

Patrick Carroll, da Associação Humanitária de Delaware, diz que, ao longo dos 15 anos em que está na organização, assistiu a um crescimento real no número de pessoas que adotam animais. Patrick atribui este crescimento às redes sociais, que alcançam facilmente potenciais adotantes.

“Nem me lembro como é que fazíamos antes”, diz Patrick. “Acho que tínhamos animais no nosso site. As pessoas acediam ao site e simplesmente viam o que tínhamos. Mas agora as nossas publicações no Facebook impulsionam realmente [as adoções]. Foi o que aconteceu com Major – Ashley Biden viu os cães numa publicação.”

Reações de alegria
Cori Spruiell, de Sarasota, na Flórida, diz que começou imediatamente a chorar quando a sua esposa lhe deu a notícia sobre a adoção de Major na noite de domingo. “É uma alegria imaginar que um cão que eventualmente foi abandonado, e que acabou num abrigo, vai agora viver na Casa Branca.”

Cori Spruiell, utilizadora ativa do TikTok e dona de um cão resgatado, pegou de imediato no telemóvel, gravou a sua reação emocional à notícia que tinha acabado de receber e publicou o vídeo, que imediatamente se tornou viral, com mais de um milhão de “gostos”. “Muitas coisas me fizeram chorar hoje, mas isto levou-me realmente ao limite”, dizia a legenda da sua publicação.

“Começámos por baixo, agora estamos aqui”, foram os comentários de várias pessoas, citando uma música famosa de Drake.

“Dos trapos à riqueza”, dizia outro. “Você não quer dizer... desde abanar a cauda até à riqueza?”, respondeu outro.

“Oh meu Deus, a história da Cinderela que precisávamos este ano!”, escreveu uma pessoa. “Isto não é o argumento de Annie?”, dizia outra.

Cori diz que parecia um marco adicional para comemorar com as eleições: a primeira vice-presidente mulher, a primeira vice-presidente de cor – e o primeiro cão presidencial vindo de um abrigo. “Foi um vislumbre de positividade”, afirma Cori.

Ter animais de estimação na Casa Branca – e sobretudo cães, que são de longe o animal de estimação presidencial mais popular – é algo com que qualquer americano se consegue identificar, diz Cori. “Simboliza humanidade e cordialidade, e acho que perdemos muito disso por não termos esta ligação pessoal com a família presidencial.”

‘Adote, não compre’
“Adote, não compre” tornou-se na frase mais partilhada nas redes sociais (incluindo em muitos dos comentários na publicação de Cori no TikTok) e pelos defensores dos animais. Grupos como o Shelter Pet Project ajudam a estabelecer uma ligação entre as pessoas e listas de animais em abrigos por todo o país; e muitas ações de resgate focam-se em raças específicas.

Outros grupos, como o Beagle Freedom Project, resgatam cães que são usados em experiências de investigação e colocam-nos em “lares eternos”, e a Sociedade Humanitária Internacional concentra-se na adoção e resgate de animais do comércio de carne de cão na Coreia do Sul. (Na semana passada, o grupo transportou 196 cães de quintas de cães na Coreia do Sul para abrigos na área de Washington D.C.)

Embora Kitty Block incentive os futuros proprietários de animais de estimação a considerarem a adoção, aconselha os que desejam comprar um cão de raça pura a fazerem uma pesquisa minuciosa para selecionar um criador responsável, algo que pode incluir uma visita aos progenitores do cão e observar as condições de vida. Kitty também alerta as pessoas para nunca comprarem um cão online.

“Mas se não estiver à procura de um cão de exposição”, diz Cori Spruiell, que tem um husky adotado chamado Samoa, “e se só precisa de um pouco de amor na sua vida, um cão de um abrigo vai oferecer tudo isso e muito mais.”


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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