10 Notícias Positivas Para a Vida Selvagem em 2020

Desde processos judiciais contra ‘Tiger King’ a novas proteções para os pangolins, nem tudo em 2020 foi negativo e pessimista.

Publicado 11/12/2020, 14:34 WET
Em novembro, os eleitores do Colorado aprovaram uma medida para reintroduzir lobos neste estado norte-americano, estado ...

Em novembro, os eleitores do Colorado aprovaram uma medida para reintroduzir lobos neste estado norte-americano, estado onde os lobos foram caçados até à extinção há mais de 50 anos.

Fotografia de Ronan Donovan, National Geographic

Ninguém pode negar que 2020 tem sido um ano particularmente difícil. O coronavírus já matou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, marcando de forma indelével famílias e comunidades. De muitas formas, o reino animal também não foi poupado: o governo chinês promoveu a bílis de urso como forma de tratamento para o coronavírus, a caça furtiva aumentou, os confinamentos devido à COVID-19 paralisaram o ecoturismo, e a vida selvagem em cativeiro – incluindo tigres no Zoo de Bronx e visons em quintas de peles na Dinamarca – também testaram positivo para o vírus. (Para ajudar a proteger os humanos de uma estirpe de coronavírus encontrada nos visons, o governo dinamarquês ordenou que se abatessem mais de 15 milhões de animais que viviam nas quintas de criação em cativeiro. Contudo, os visons não foram enterrados com profundidade suficiente e, enquanto os seus corpos se decompunham, começaram a surgir à superfície visons “mortos-vivos”.)

Mas nem tudo foi mau em 2020. Seguem-se 10 “vitórias” da vida selvagem: 

1. O reino animal tem beneficiado com algumas das alterações induzidas pela pandemia no nosso estilo de vida. O coronavírus, cuja propagação inicial entre humanos está ligada a um mercado de marisco em Wuhan, na China, chamou a atenção para o comércio global de vida selvagem, fazendo com que muitas pessoas repensassem a forma como interagimos com os animais selvagens. Em fevereiro, o governo chinês emitiu uma decisão que estabelece as bases para criminalizar a utilização de vida selvagem como alimento.

Ao forçar as pessoas a ficarem em casa, a pandemia estimulou novas ligações com a natureza. As páginas na internet dedicadas à ciência de cidadania, que encorajam não cientistas a observar e a relatar o ambiente que os rodeia, ajudaram a aumentar os dados, fornecendo informações valiosas para os projetos de conservação. O projeto SciStarter, por exemplo, que faz a ligação entre cidadãos cientistas e projetos de investigação ativos, observou um aumento de 480% nas contribuições de dados desde 2019. Estes recursos podem ser valiosos para os investigadores – sobretudo para aqueles que tiveram de interromper o seu trabalho de campo durante a pandemia.

Nos Estados Unidos, em março e abril, o tráfego rodoviário diminuiu 73% e as colisões fatais com animais selvagens como veados, alces, ursos e pumas desceram 58%. Fraser Shilling, codiretor do Centro Rodoviário Ecológico da Universidade da Califórnia, em Davis, previu que menos 50% de tráfego num ano significaria “500 milhões de vertebrados que não morreriam nas estradas. Isto não é certamente uma coisa pequena para a vida selvagem”. (Acompanhe a cobertura da National Geographic sobre a pandemia de coronavírus.)
 

Estas crias de tigre e “ligre” foram fotografadas nas instalações da Tiger Safari, propriedade de Bhagavan “Doc” Antle, em Myrtle Beach, na Carolina do Sul, em 2018. (Os “ligres” são crias de um leão com um tigre fêmea.) No início deste ano, Bhagavan Antle foi acusado de tráfico de vida selvagem e crueldade contra animais.

Fotografia de Steve Winter, National Geographic

2. Nos EUA, os proprietários de zoos privados problemáticos enfrentaram repercussões legais. Este ano, várias ações judiciais sublinharam a falta de regulamentação patente na indústria de tigres em cativeiro, bem como alguns dos abusos que estes animais sofrem em zoos privados e enquanto animais de estimação. No início de 2020, mesmo antes de Tiger King da Netflix se tornar famoso, Joseph Maldonado-Passage, mais conhecido por Joe Exotic, foi condenado a uma sentença de 22 anos de prisão por crimes que incluem conspiração para assassinar Carole Baskin, disparar e matar cinco tigres, e venda ilegal de tigres em vários estados. Os outros operadores proeminentes de zoos privados apresentados na série da Netflix, Bhagavan “Doc” Antle e Tim Stark, também enfrentaram problemas legais. Jeff Lowe, o proprietário do antigo Greater Wynnewood Exotic Animal Park de Joe Exotic, em Oklahoma, perdeu a sua licença para exibir animais em público. Agora, Jeff Lowe e a sua esposa, Lauren, também enfrentam acusações civis e uma ordem judicial que impede qualquer tentativa de exibir os seus animais online ou nas redes sociais.

3. Conservacionistas negros celebraram o seu amor pela vida selvagem durante a primeira Semana de Ornitólogos Negros. Este movimento começou depois de um incidente no Central Park de Nova Iorque, quando uma mulher branca chamou a polícia depois de um observador de aves negro, chamado Christian Cooper, lhe ter pedido para colocar a trela no seu cão. Quatro dias depois, Corina Newsome, estudante de biologia, publicou um vídeo no Twitter onde dizia: “Durante muito tempo, foi mostrado aos negros nos Estados Unidos que as atividades de exploração ao ar livre, como observação de aves, não eram para nós – quer seja pela forma como a comunicação social escolhe apresentar qual é o tipo de pessoa ‘ao ar livre’ ou pelo racismo vivido pelos negros quando exploramos a natureza, como aconteceu recentemente em Central Park. Bem, decidimos mudar essa narrativa.” Corina Newsome é uma das organizadoras da Semana de Ornitólogos Negros, evento que incluiu cinco dias de atividades virtuais e teve como objetivo aumentar a visibilidade dos cientistas e entusiastas da natureza negros numa comunidade de aves que é maioritariamente dominada por brancos.

4. Os pangolins, os mamíferos não humanos mais traficados no mundo, obtiveram duas proteções fundamentais na China. Em junho, Pequim concedeu aos pangolins o mais alto nível de proteção ao abrigo da lei de vida selvagem do país. Esta designação proíbe quase todo o comércio interno e o uso de pangolins. A China, um dos maiores consumidores de escamas de pangolim, também removeu este animal da sua lista oficial de ingredientes aprovados para a medicina tradicional – uma mudança que os grupos de defesa dos animais dizem poder diminuir significativamente a procura. Embora ainda existam algumas lacunas na lei, as partes corporais dos pangolins já não podem ser usadas como ingredientes. No ano passado, foram apreendidas mais de 128 toneladas de escamas e carne de pangolim no mundo inteiro – um recorde histórico – indicando que, apesar da interdição global sobre o comércio destes mamíferos escamosos, o mercado de partes corporais de pangolim para a medicina tradicional chinesa e da sua muito cobiçada carne ainda prospera.

Os pangolins, os mamíferos não humanos mais traficados do mundo, receberam proteção adicional ao abrigo da lei de vida selvagem da China. Este país, que consome carne de pangolim e usa as suas escamas na medicina tradicional, é um dos maiores consumidores de pangolim.

Fotografia de Brent Stirton, National Geographic

5. Membros de uma rede de tráfico de esquilos-voadores foram detidos. Na Flórida, as forças da autoridade desmantelaram o que se acredita ser a maior rede de tráfico de esquilos-voadores dos EUA – e talvez do mundo – levando a várias detenções. De acordo com as autoridades da Flórida, nos últimos anos foram retirados da floresta milhares de esquilos-voadores do sul e enviados para um comprador sul-coreano, que supostamente vende os animais para o comércio de animais de estimação.

6. Foi iniciado um novo esforço para combater espécies invasoras. Os Estados Unidos intensificaram os esforços para bloquear a importação ilegal de uma das espécies mais invasoras do mundo: o caranguejo-peludo-chinês, que é considerado uma iguaria. Desde o final de 2019, as autoridades apreenderam quase 15.000 animais vivos em vários portos norte-americanos. “Se os caranguejos escapassem para a natureza e se multiplicassem, as implicações seriam profundas”, disse à National Geographic no início deste ano Eva Lara-Figuerdo, do Serviço de Vida Selvagem dos EUA. Os caranguejos conseguem danificar as margens dos rios com as suas tocas, podem ameaçar as cadeias alimentares ao consumir vida selvagem local e, possivelmente, transmitir doenças para os humanos – são conhecidos por transmitir um parasita que ataca os pulmões.

7. Elefantes circenses aposentados vão começar um novo capítulo. Em setembro, conservacionistas anunciaram que os elefantes aposentados dos circos Ringling Bros. e Barnum & Bailey iriam viver num centro de conservação com 1000 hectares, na Flórida, no próximo ano. A White Oak Conservation, que comprou os 35 elefantes-asiáticos, afirma que as suas novas instalações vão abrigar a maior coleção de elefantes-asiáticos do hemisfério ocidental. “É uma oportunidade para deixarmos os elefantes voltarem a ser apenas elefantes, numa situação que é a mais próxima possível da natureza”, disse à National Geographic Michelle Gadd, que lidera os esforços globais de conservação da filial filantrópica de vida selvagem de White Oak.

8. Diabos-da-tasmânia regressaram ao continente australiano após milénios. Estes marsupiais desapareceram do continente australiano há 3000 anos, provavelmente porque os caçadores indígenas mataram a maioria dos grandes mamíferos na Austrália, cujos restos mortais eram comidos pelos diabos-da-tasmânia. Restritos ao estado insular da Tasmânia, a população destes marsupiais caiu para os 25.000 indivíduos na década de 1990, após a propagação de um cancro facial contagioso e mortal. Em março e setembro, pouco mais de duas dezenas de animais foram levados para um santuário de vida selvagem com 400 hectares no leste da Austrália, e agora vivem em liberdade, ajustando-se à sua terra natal ancestral. “Eles estão livres, estão na natureza”, disse à National Geographic Tim Faulkner, presidente da AussieArk, uma organização de recuperação de espécies. “Agora está nas mãos dos diabos-da-tasmânia o que querem fazer.” Como estes animais são necrófagos, desempenham um papel importante na manutenção de um ecossistema saudável, e os cientistas esperam que possam ajudar a restaurar o equilíbrio nas áreas devastadas por espécies invasoras, como os gatos selvagens e as raposas-vermelhas.

9. Operação rara de cooperação internacional travou contrabando de vida selvagem. Entre setembro e outubro, forças da autoridade internacionais e oficiais de vida selvagem apreenderam milhares de produtos de vida selvagem na Operação Thunder 2020. Neste contrabando estavam incluídas escamas que representam cerca de 1700 pangolins, para além de 87 camiões de madeira. Também foram recuperados animais vivos, incluindo mais de 30 chimpanzés e 1800 répteis. Esta operação, liderada pela Interpol e pela Organização Mundial das Alfândegas, envolveu mais de cem países e foi a quarta operação anual deste tipo. Estas ações coordenadas podem fortalecer as capacidades dos países e são importantes porque “muitos dos produtos ilegais de vida selvagem passam completamente despercebidos, ou são lavados como produtos legais com licenças falsas”, diz Rebecca Regnery, diretora de vida selvagem da Humane Society International. Rebecca diz que, quando os países se associam desta forma, conseguem identificar melhor os infratores reincidentes e comparar os documentos para garantir a sua validade.

Os elefantes aposentados dos circos Ringling Bros. e Barnum & Bailey, aqui retratados durante o seu último espetáculo em 2016, vão viver para um centro de conservação de 1000 hectares, na Flórida, no próximo ano.

Fotografia de Bill Sikes, AP Photo

10. Lobos vão ser reintroduzidos no Colorado. Em novembro, os eleitores do Colorado aprovaram por uma margem muito renhida uma medida que visa reintroduzir lobos nas Montanhas Rochosas do Sul, região onde foram caçados até à extinção na década de 1940. Esta foi a primeira vez que um estado norte-americano votou para reintroduzir um animal nos seus ecossistemas, e o Departamento de Parques e Vida Selvagem do Colorado vai supervisionar o projeto, que está agendado para arrancar em 2022 ou 2023. Os biólogos estimam que o Colorado consegue suportar centenas de lobos. Os lobos podem ajudar a reduzir o pastoreio em excesso, e a erosão provocada pelo mesmo, porque mantêm sob controlo as populações de alces e veados, e os restos mortais das suas caçadas fornecem alimento para os animais necrófagos, como carcajus, águias e ursos. “A reintrodução dos lobos vai restaurar o equilíbrio natural do Colorado”, disse Jonathan Proctor, conservacionista da organização sem fins lucrativos Defenders of Wildlife, organização que ajudou a aprovar esta medida.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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