Primeiro Caso de Coronavírus Detetado em Espécie Selvagem

De acordo com as autoridades, foi encontrado um vison selvagem infetado nas “proximidades” de uma quinta de visons onde se deu um surto, no Utah.

Publicado 18/12/2020, 12:04
Um vison-americano, como o retratado nesta imagem, foi o primeiro animal selvagem a apresentar um teste ...

Um vison-americano, como o retratado nesta imagem, foi o primeiro animal selvagem a apresentar um teste positivo para o coronavírus.

Fotografia de Ole Jorgen Liodden, Nature Picture Library

O primeiro caso conhecido do novo coronavírus num animal selvagem já foi confirmado, de acordo com um alerta emitido pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Um vison selvagem em Utah testou positivo durante o rastreio de animais selvagens em torno de quintas de visons com surtos, diz o relatório.

De acordo com o Laboratório Nacional de Serviços Veterinários, a divisão do USDA que conduziu os testes, a estirpe do vírus detetada no vison selvagem é “indistinguível” da encontrada nos visons infetados nas quintas de criação do estado de Utah.

Nos EUA, os surtos de coronavírus já foram documentados em 16 quintas de visons no Utah, Wisconsin, Oregon e Michigan, com a maioria dos casos a surgirem no estado de Utah. Mas, até agora, ainda não tinham sido detetados casos em visons selvagens, embora estejam a ser testados visons, guaxinins, doninhas e outros animais em quintas com infeções.

Este vison foi capturado nas “proximidades de uma das quintas afetadas”, diz Dean Taylor, veterinário do estado de Utah, e foi o único animal capturado nesta área que testou positivo.

“Não há evidências de que o SARS-CoV-2 esteja a circular ou de que se tenha estabelecido nas populações selvagens perto das quintas de visons infetados”, escreveu o Serviço de Inspeção de Saúde Vegetal e Animal (APHIS) do USDA no seu alerta, designando o vírus com o seu nome oficial.

O vírus também foi encontrado em vários animais selvagens em cativeiro, incluindo leões, tigres e leopardos-das-neves, bem como em cães e gatos domésticos. Os cientistas estão a tentar determinar quais são os outros animais que podem ser suscetíveis, prestando especial atenção às espécies ameaçadas de extinção e às espécies que podem passar o vírus para os humanos. Porém, até agora, não foram encontrados animais na natureza com estas condições.

“Os surtos em quintas de visons na Europa e noutras áreas já demonstraram que os visons em cativeiro são suscetíveis ao SARS-CoV-2, e é normal que os visons selvagens também sejam suscetíveis ao vírus”, diz Lyndsay Cole, porta-voz do USDA. “Esta descoberta revela a importância de se continuar a vigilância em torno das quintas de visons infetados e da tomada de medidas para prevenir a disseminação do vírus entre a vida selvagem.”

Ainda não se sabe como é que o vison selvagem pode ter entrado em contacto com um vison infetado numa quinta de peles.

O USDA afirma que são necessários esforços adicionais para prevenir a disseminação entre a grande população de visons selvagens da América do Norte, embora não tenha anunciado estratégias para esse efeito.

Visons pelo mundo

Na semana passada, o Canadá relatou o seu primeiro surto entre visons em cativeiro, em Fraser Valley, na Colúmbia Britânica. Desde a primavera, milhões de visons em cativeiro foram abatidos para se tentar controlar a propagação do vírus por toda a Europa, incluindo na Dinamarca, o maior produtor de peles de vison do continente.

Os Países Baixos anunciaram recentemente que tinham concluído o abate dos seus quatro milhões de visons e encerraram de forma permanente a sua indústria de peles. Espanha e Grécia também abateram mais de 100.000 animais nas suas quintas infetadas. Nestes casos, as autoridades nacionais disseram que os visons podiam ter sido infetados por trabalhadores agrícolas.

No entanto, a doença nem sempre se propaga apenas de trabalhadores agrícolas para os visons. Na Dinamarca, os visons também infetaram trabalhadores agrícolas, de acordo com as análises de genómica. A estirpe do vírus que circula entre estes animais metastizou na comunidade: mais de 200 casos humanos foram ligados aos visons criados em cativeiro, incluindo 12 com uma variante única do vírus que as autoridades dinamarquesas temem poder comprometer a eficácia da vacina.

Esta variante tinha o que a Organização Mundial de Saúde descreveu como uma “sensibilidade moderadamente reduzida a anticorpos neutralizantes”. Dadas as circunstâncias, a Dinamarca decidiu abater todos seus visons: mais de 15 milhões de animais.

“As quintas de peles nos Estados Unidos seguem protocolos de biossegurança muito rigorosos para proteger os animais e humanos”, diz Mike Brown, porta-voz da Federação Internacional de Peles. Mike salienta que a federação está a trabalhar para obter mais detalhes do USDA sobre este caso detetado na natureza . Mike também diz que a Comissão de Peles dos EUA, a principal organização de comércio de peles nos Estados Unidos, também está a trabalhar com a indústria para desenvolver uma vacina contra o coronavírus para os visons, vacina que ainda não está pronta para ser testada.

Dean Taylor, o veterinário do estado de Utah, diz que os conselhos que se podem dar às pessoas que estão preocupadas com os seus animais de estimação permanecem inalterados. “Devem tratar os animais como se fossem pessoas”, diz Dean. “Devem tentar mantê-los nas suas propriedade sempre que possível e praticar o distanciamento social quando houver alguém infetado em casa.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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