Vários Gorilas Testam Positivo Para a COVID-19 em Zoo da Califórnia – Inédito a Nível Mundial

Estes gorilas são os primeiros primatas não humanos com casos confirmados do vírus a nível mundial.

Publicado 14/01/2021, 12:02
Sabe-se que os gorilas-ocidentais-das-terras-baixas, animais em perigo crítico de extinção, são suscetíveis ao novo coronavírus. No ...

Sabe-se que os gorilas-ocidentais-das-terras-baixas, animais em perigo crítico de extinção, são suscetíveis ao novo coronavírus. No dia 11 de janeiro, no Zoo Safari Park de San Diego, três testaram positivo.

Fotografia de Edwin Giesbers, Nature Picture Library

No Zoo Safari Park de San Diego, três gorilas-ocidentais-das-terras-baixas testaram positivo para o coronavírus, anunciou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) na tarde de 13 de janeiro, tornando estes grandes símios nos primeiros casos conhecidos a contrair o vírus.

Espera-se que estes gorilas, que vivem num grupo de oito individuos, consigam recuperar, diz Lisa Peterson, diretora executiva do Zoo Safari Park de San Diego, na Califórnia. Os tratadores decidiram manter os oito gorilas juntos e monitorizá-los de perto.

“Alguns podem ter e outros não”, diz Lisa. “Eles vivem num grupo com um único gorila dorso prateado. Ele é o líder. É ele quem os guia ao longo do dia. Eles respeitam-no. É preferível manterem-se juntos com os seus hábitos normais.”

Os gorilas são a sétima espécie animal a contrair o vírus naturalmente, após infeções confirmadas em tigres, leões, visons, leopardos-das-neves, cães e gatos domésticos. Embora existam casos documentados de transmissão de visons para humanos na Holanda e na Dinamarca, não existem evidências de que as outras espécies possam afetar os humanos.

De acordo com Lisa Peterson, à semelhança do que aconteceu com os tigres e leões no Zoo de Bronx que testaram positivo em abril, os três gorilas infetados provavelmente contraíram o vírus a partir um funcionário assintomático do zoo. Lisa diz que o zoo tem protocolos rígidos para prevenir infeções, incluindo um questionário diário aos funcionários e roupas de proteção completas para quem tem contacto direto com os animais.

Dois dos gorilas começaram a tossir no dia 6 de janeiro. A equipa do zoo recolheu amostras fecais e enviou-as para o Sistema Laboratorial de Saúde e Segurança Alimentar da Califórnia. Este laboratório e os Laboratórios Nacionais de Serviços Veterinários do USDA confirmaram as infeções no dia 11 de janeiro.

Os três gorilas, cujos nomes não foram divulgados pelo zoo, ainda apresentam sintomas. Alguns têm o nariz entupido e estão letárgicos. “Estão todos um pouco mais moderados nas suas atividades”, diz Lisa, “mas estão a receber líquidos e a comer bem”.

Estas notícias confirmam as investigações feitas anteriormente de que os gorilas-ocidentais-das-terras-baixas, animais em perigo crítico de extinção – juntamente com muitas outras espécies raras de macacos – são particularmente suscetíveis ao SARS-CoV-2, o vírus que provoca a doença COVID-19. “O potencial para surtos de doenças semelhantes à COVID em populações de primatas ameaçados de extinção, seja em cativeiro ou na natureza, é bastante elevado”, disse em novembro à National Geographic Harris Lewin, um ilustre professor de ecologia e evolução da Universidade da Califórnia, em Davis.

Atualmente, restam menos de 5.000 gorilas na natureza. Como vivem em grupos familiares próximos, os investigadores receiam que, se algum indivíduo contrair o vírus, a infeção se possa propagar rapidamente e colocar em risco populações que já de si são precárias.

Dan Ashe, presidente e CEO da Associação de Zoos e Aquários (AZA) dos EUA, disse à National Geographic por email que os testes positivos dos gorilas são “preocupantes”, mas que tem “total confiança” de que a equipa do Zoo de San Diego está a tomar as devidas precauções.

Todos os casos confirmados de animais que contraíram o coronavírus em zoos nos EUA foram em instalações credenciadas pela AZA – o Zoo de Bronx, o Zoo Safari Park de San Diego e o Zoo de Louisville, que seguem protocolos de saúde rígidos, diz Dan Ashe. Nos zoos não credenciados, muitos dos quais carecem da experiência e profissionalismo das instalações credenciadas, não se sabe quantos animais podem ter contraído o vírus sem nunca terem sido testados.

Lisa Peterson espera que o zoo, através da observação dos seus gorilas infetados com COVID, possa aprender e ajudar a proteger as populações selvagens.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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