Freguesia do Areeiro, em Lisboa, inaugura “hotéis” para insetos

Os “hotéis” para insetos pretendem contribuir para a vitalidade e biodiversidade dos espaços verdes da Freguesia do Areeiro.

Publicado 10/12/2021, 14:25
Os polinizadores instalados recentemente encontram-se em três jardins da Freguesia do Areeiro.

Os polinizadores instalados recentemente encontram-se em três jardins da Freguesia do Areeiro.

Fotografia de Junta de Freguesia do Areeiro

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É na freguesia do Areeiro, em Lisboa, que nascem três "hotéis" para insetos, de forma a promover a biodiversidade local. Através do seu pelouro do Ambiente e Bem-estar Animal, a junta de freguesia pretende dotar a área de estruturas que são refúgios ecológicos.

Denominadas hotéis para insetos, as estruturas têm como objetivo criar espaços que sejam locais seguros para a atração, fixação e natural desenvolvimento de colónias de insetos em meio urbano.

Sendo os insetos reconhecidos como elementos essenciais para a promoção e manutenção da boa saúde dos ecossistemas, assim como para a promoção da diversidade biológica, estes hotéis para insetos tornam-se fundamentais para a vitalidade dos espaços verdes da freguesia.

A junta de freguesia, que integra as freguesias do Alto do Pina e de São João de Deus, desenvolve esta ação no âmbito da promoção da biodiversidade, contribuindo para o desenvolvimento de uma sociedade em harmonia com o meio ambiente.

A ideia da criação dos hotéis para insetos surgiu por parte de uma moradora da freguesia, que organizou reuniões com investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. A residente apresentou o projeto que veio, em seguida, a ser considerado pela junta de freguesia, como essencial para a vitalidade dos jardins e parques do Areeiro.

Os hotéis para insetos estão distribuídos por jardins da freguesia

A Dra. Isabel Simas, Vogal responsável pelo pelouro do Ambiente e Bem-Estar Animal, esclareceu por email à National Geographic que a população de insetos pode ser observada nos hotéis de polinizadores em três jardins da freguesia, localizados em corredores de flores, fixos às árvores. Isto para não as danificar e a uma altura em que a passagem das pessoas não interfira com o bem-estar e conservação dos mesmos.

É possível encontrá-los no Jardim Irmã Lúcia, no Jardim Praça João do Rio e no Jardim Afrânio Peixoto.

Esquerda: Superior:

Os polinizadores encontram-se a uma altura em que a passagem das pessoas não interfere com o bem-estar dos insetos e a conservação das estruturas.

Direita: Fundo:

Os "hotéis" não exigem manutenção, contudo, há um funcionário da junta de freguesia destacado para vigiar e zelar pelos polinizadores.

Fotografia de Junta de Freguesia do Areeiro

Os hotéis para insetos podem ser um tanto frágeis, produzidos em madeira, cartão, rede e materiais sustentáveis que, apesar de não exigirem manutenção, têm um funcionário da Junta de Freguesia do Areeiro atribuído como responsável por vigiar e zelar pelos hotéis, verificando se não ficam danificados.

Os grandes hotéis servem melhor as necessidades das borboletas e dos besouros, ao passo que os pequenos são a preferência das abelhas. No seu conjunto, acolhem abelhas solitárias e abelhões, que são os polinizadores, bem como escaravelhos e borboletas. Além disso, existem ainda os insetos auxiliares que comem os afídios, que são as joaninhas e as crisopas.

(Noruegueses estão a construir 'hotéis’ para aves do Ártico ameaçadas.)

Ainda sobre estes últimos, os insetos auxiliares servem para lembrar que nem todos os insetos são prejudiciais e, muito pelo contrário, podem inclusive proteger-nos ou polinizar as nossas hortas. Eles são seres preciosos, no combate a determinadas pragas, pelo que existir hotéis para insetos não só atua a favor da biodiversidade local, uma vez que permite restabelecer o equilíbrio da cadeia alimentar, como também permite a reprodução e a hibernação dos mesmos, seja nos jardins ou nas hortas.

A conservação da biodiversidade

Existem mais de mil espécies de insetos polinizadores em Portugal que estão expostas a causas como a emergente urbanização das cidades, a poluição, o uso de pesticidas e às próprias alterações climáticas. Por isto é, de facto, urgente abrigar estes insetos e criar respostas para a sua conservação.

(As borboletas da Europa estão a desaparecer à medida que as pequenas quintas desaparecem.)

É assim que nasce o projeto-piloto que consiste nos hotéis para insetos, instalados em três pontos distintos da Freguesia do Areeiro. Estes hotéis recebem os seus hóspedes fora das urbes, mais concretamente nas cascas das árvores, nas pedras, em troncos ou palhas, abrigando-os dos seus inimigos naturais e das condições climatéricas que se tornam adversas.

Tem uma horta ou um jardim em casa? Aprenda a construir um hotel para insetos

Como materiais pode utilizar toros de madeira, palha e canas de bambu. Se escolher uma estrutura de madeira, reforce a base para poder suportar algum peso, caso pretenda fabricar um hotel para insetos maiores. Em seguida, organize o interior com espaços de diferentes tamanhos, de acordo com o material que tem disponível. Para a cobertura, prefira um material impermeável, como é o caso da ardósia, por exemplo.

Escolha o local e instale o seu hotel. Para orientação, escolha um local que fique elevado no mínimo a 30 centímetros do solo, coloque-o de costas para os ventos dominantes e orientado para Sul. O material a colocar no interior vai atrair diferentes espécies, como acontece com a palha e a madeira, que atraem os crisopídeos. As canas de bambu e tijolos servem de abrigo para as abelhas. Se colocar placas de madeira empilhadas, então os seus hóspedes mais frequentes vão ser os insetos xilófagos.

Para atrair joaninhas, aposte nas pinhas ou nos vasos de barro virados ao contrário e repletos de feno, já os troncos furados são abrigos prediletos para vespas solitárias e os feixes de caules medulosos de silvas, roseiras ou sabugueiro, são ideais para as moscas-da-flor ou outros himenópteros. Seja como for, todos estes hóspedes são pouco exigentes e vão mostrar-lhe o prazer que é conviver com a natureza em prol da biodiversidade.

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