Veja as melhores fotografias de vida selvagem do ano

Karine Aigner, colaboradora da National Geographic, venceu o prémio principal com a sua fotografia de abelhas a acasalar no Texas.

Uma nuvem de abelhas a zumbir rodopia sobre a areia quente. Passados alguns minutos, o par no centro da nuvem – um macho agarrado à única fêmea envolvida neste alvoroço – voa para longe para acasalar.

Fotografia por Karine Aigner, Wildlife Photographer of the Year
Por Jason Bittel
Publicado 17/10/2022, 10:59

No sul do Texas, as chamadas ‘abelhas dos catos’ eclodem no subsolo em pequenas tocas repletas de pólen. Os machos emergem primeiro e depois aguardam na superfície pelas fêmeas, as quais atacam assim que as suas cabeças espreitam acima do solo.

Esta nuvem retorcida de abelhas a acasalar é “algo que as pessoas não veem muito frequentemente”, diz Karine Aigner, fotojornalista sediada em Washington D.C. e colaboradora regular da National Geographic.

Agora, porém, há muito mais pessoas que vão ver. A fotografia de Karine Aigner, tirada na primavera de 2021, concedeu-lhe o cobiçado título de Wildlife Photographer of the Year – um prémio anual atribuído pelo Museu de História Natural de Londres. (Veja as imagens vencedoras do ano passado.)

“Vamos ter saudades tuas.” Estas foram as palavras do fotógrafo Brent Stirton dedicadas a Ndakasi, uma gorila-das-montanhas órfã, após esta falecer em 2021. “Se eu pudesse falar com ela, diria que presenciar a sua morte foi um dos momentos mais tristes da minha carreira”, diz Brent Stirton, vencedor na categoria Fotojornalismo.

Fotografia por Brent Stirton, Wildlife Photographer of the Year

Ao contrário de muitos dos seus outros projetos, Karine Aigner descobriu as abelhas por acaso, enquanto estava a conduzir num rancho no Texas. De facto, quando Karine viu pela primeira vez estas nuvens felpudas no chão, confundiu-as com formigueiros. Mas quanto mais ia aprendendo sobre estes polinizadores nativos e o seu ciclo de vida, mais obcecada ficava.

A sua fotografia das abelhas “solidificou para mim o quanto a natureza é intrincada e o quanto desrespeitamos a complexidade de tudo o que nos rodeia”, diz Karine Aigner. “Portanto, eu queria de certa forma mostrar as personalidades destas coisas às quais as pessoas chamam insetos.”

O fotógrafo Dmitry Kokh venceu a categoria Vida Selvagem Urbana com esta fotografia de ursos-polares a vasculhar uma povoação abandonada na região do Mar de Chukchi, na Rússia.

Fotografia por Dmitry Kokh, Wildlife Photographer of the Year

É difícil perceber onde termina a Terra e começam os céus nesta imagem vencedora da categoria Arte Natural do fotógrafo japonês Junji Takasago. Captada na maior salina do mundo, no Salar de Uyuni da Bolívia, esta fotografia mostra um ecossistema sob forte pressão devido à mineração de lítio.

Fotografia por Junji Takasago, Wildlife Photographer of the Year

Natalie Cooper, investigadora sénior do museu de Londres e membro do júri de seleção, descreveu a fotografia vencedora de Karine Aigner como “uma imagem bonita e dinâmica com uma escala que ignoramos frequentemente”.

“A violência e agressividade exibidas por estas abelhas macho são mais intensas do que as observadas nos grandes felinos da savana africana, e está tudo a acontecer debaixo dos nossos narizes”, diz Natalie Cooper.

Foi um dia bom para Karine Aigner, que também levou para casa o Prémio de História Fotojornalista por uma imagem incluída numa reportagem da National Geographic sobre as competições de aves canoras em Cuba.

Mais de 30 metros abaixo do gelo da Antártida Oriental, o fotógrafo e biólogo francês Laurent Ballesta revela um tesouro oculto de vida em águas frias.

Para captar este monte vivo de esponjas, estrelas-do-mar e vermes gigantes, Laurent Ballesta fez uma série de 32 mergulhos em temperaturas abaixo de zero, incluindo o mergulho mais profundo e mais longo alguma vez registado na Antártida.

Uma gaiola com uma ave cubana Melopyrrha nigra está pendurada junto a uma estrada para a ave se habituar à azáfama da vida quotidiana nas ruas e, desta forma, ter menos probabilidades de se distrair durante as competições de canto.

“As fotografias tornam-no real”, diz Karine Aigner sobre as suas imagens de aves canoras cativas em Cuba, premiadas com o Prémio de História Fotojornalista.

Com este trabalho, Karine Aigner queria fazer as pessoas pensar sobre a forma como exploramos os animais selvagens para satisfazer os nossos desejos e vontades. “Quando olhamos para estas fotografias e vemos as coisas como elas são realmente, o tamanho reduzido das gaiolas, temos uma noção muito mais forte sobre a realidade vivida por estes animais”, diz Karine.
 

Tal como acontece com as abelhas, Karine Aigner diz que espera fazer as pessoas pensar de maneira diferente sobre as aves capturadas para o comércio de animais de estimação.

“São animais selvagens com vidas selvagens e as suas próprias biografias, as suas próprias famílias e comunidades”, diz Karine. “E quero que as pessoas prestem atenção a este facto e comecem a pensar nas coisas que fazemos e que na realidade não precisamos de fazer.”

Outro fotógrafo da National Geographic também foi distinguido na cerimónia. A imagem de Brent Stirton dos momentos finais de uma gorila-das-montanhas garantiu-lhe o prémio na categoria Fotojornalismo.

Para ilustrar a luta do urso-andino no Equador, Daniel Mideros queria mostrar este animal com o desaparecimento do seu habitat em pano de fundo.

Daniel Mideros conseguiu esta façanha ao posicionar armadilhas fotográficas ao longo de um corredor de vida selvagem de alta altitude. Esta fotografia venceu a distinção Animais na categoria Meio Ambiente.

Fotografia por Daniel Mideros, Wildlife Photographer of the Year

O vencedor deste ano na categoria Retrato Animal é José Juan Hernández Martinez, de Espanha, com a sua imagem de uma abetarda macho das Ilhas Canárias e da sua dança de cortejo. O fotógrafo diz que teve de escavar na areia para descer ao nível da vistosa ave.

Fotografia por José Juan Hernández Martinez, Wildlife Photographer of the Year

O vencedor deste ano na categoria Comportamento de Anfíbios e Répteis é Fernando Constantino Martínez Belmar, que captou uma cobra-rato de Yucatán com um morcego na boca.

Este tipo de predação é bastante comum na Caverna das Cobras Suspensas, no México, mas conseguir captar este comportamento com pouca luz e num ápice, antes de a cobra recuar para a sua toca, é o que torna esta imagem única.
 

Fotografia por Fernando Constantino Martínez Belmar, Wildlife Photographer of the Year

Na Nova Zelândia, as baleias-francas-austrais foram caçadas quase até à extinção no século XIX, o que torna esta imagem de dois adultos a copular ainda mais mágica. Richard Robinson captou este romance com a permissão do governo da Nova Zelândia.

Esta imagem venceu a categoria Oceanos: The Bigger Picture.

Fotografia por Fernando Constantino Martínez Belmar, Wildlife Photographer of the Year

Brent Stirton conheceu uma gorila chamada Ndakasi em 2007, depois de a mãe de Ndakasi ter sido assassinada em circunstâncias misteriosas no Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo.

Após ficar órfã com apenas alguns meses de idade, Ndakasi passou o resto da sua vida aos cuidados do Centro de Gorilas-das-montanhas de Senkwekwe. Passados catorze anos, Brent Stirton estava novamente no local quando Ndakasi faleceu nos braços de Andre Bauma, o seu cuidador de longa data.

Captada com um drone por Daniel Núñez, esta imagem vencedora na categoria Pântanos: The Bigger Picture revela um ecossistema que ficou tóxico. O escoamento vindo da Cidade da Guatemala e dos campos agrícolas desagua no lago Amatitlán, onde provoca o aparecimento de cianobactérias mortais.

Fotografia por Daniel Núñez, Wildlife Photographer of the Year

“Estou sempre intrigado com o potencial de comunicação e compreensão entre animais e humanos. Creio que ainda estamos na ponta do icebergue”, diz Brent Stirton por email durante um trabalho para a National Geographic na Índia.

“Ver a relação profunda que existia entre Andre e Ndakasi só veio reforçar isso para mim.” (Descubra mais sobre Ndakasi e os conservacionistas que lutaram para a salvar.)

Os fotógrafos nem sempre têm a sorte de regressar a um tema. Contudo, Brent Stirton viajou novamente várias vezes para o Parque Nacional de Virunga, com a região a continuar a enfrentar grupos paramilitares e caçadores furtivos. Com cerca de apenas mil gorilas-das-montanhas restantes no Congo, Ruanda e Uganda, estes primatas ameaçados de extinção são geralmente apanhados no meio do conflito.

“Os problemas em Virunga só têm piorado, e o público precisa de apreciar o trabalho extraordinário feito por estas pessoas na preservação de um património global de vida selvagem nas piores circunstâncias”, diz Brent Stirton.

“Pessoas como Andre Bauma e os guardas florestais de Virunga merecem mais atenção.”

Tony Wu observou a eletrizante dança reprodutora de uma gigantesca estrela-do-mar. Conforme a água circundante ficava repleta de esperma e óvulos da desova de estrelas-do-mar, Tony Wu enfrentou vários desafios.

Encostado a uma pequena baía fechada, com apenas uma lente macro para fotografar assuntos pequenos, Tony recuou para conseguir captar a estrela-do-mar ondulante no seu campo de visão, criando uma imagem que parece uma galáxia.

Esta postura “dançante” na desova das estrelas-do-mar pode ajudar a libertar óvulos e espermatozoides, ou pode ajudar os óvulos e espermatozoides a chegar às correntes, onde fertilizam juntos na água.

Fotografia por Tony Wu, Wildlife Photographer of the Year



Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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