Animais

Este Fotógrafo Transformou a Forma Como Vemos os Animais

Michael Nichols combinou o seu talento inato com uma visão artística para obter fotografias marcantes da vida selvagem.

Por Alexa Keefe
O assistente Nathan Williamson, Nichols, e a sua esposa Reba num Land Rover personalizado e duas leoas de Vumbi no chão, em primeiro plano, fotografados com uma câmara robótica. Parque Nacional do Serengeti, Tanzânia, 2012.

Os bons contadores de histórias sabem como observar reconhecendo que eles são parte de alguma coisa maior do que eles mesmos: estão imersos na experiência.

Michael “Nick” Nichols é uma dessas pessoas. No decorrer da sua carreira de décadas, combinou o seu talento inato com uma visão artística para obter fotografias de leões, tigres, elefantes, chimpanzés e gorillas, para as páginas da National Geographic.

A sua abordagem própria de documentários bem como a sua vontade de, com a criatividade, estender os limites da tecnologia utilizando armadilhas fotográficas e robots controlados remotamente, aumentou a nossa consciência – não só em relação aos animais propriamente ditos, mas também em relação ao contexto maior em que existem. É esta a diferença entre ser um “fotógrafo de vida selvagem ou um fotojornalista em estado selvagem”, como escreve Melissa Harris em A Wild Life, uma nova biografia de Nichols.

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Harris conheceu Nichols há já mais de 20 anos quando era editora da Aperture, onde é atualmente editora independente. Ela recorda como se sentia arrebatada pela forma como ele combinava elementos de artes plásticas e de fotografia de documentário para contra histórias do mundo natural. “A forma como ele trabalhava com cientistas e escritores inspirou um grande respeito mutuo. Ele permitiu que a informação científica influenciasse o seu trabalho mas sem ficar apenas ilustrativo; ele pegou na informação e interpretou-a. Ele tinha um perspetiva individual e uma voz, ao mesmo tempo que testemunhava.”

A ideia de colaborar na sua biografia foi sendo cimentada depois de Harris estar com Nichols no Serengueti, em março de 2012, quando este estava a trabalhar num artigo sobre uma alcateia de leões para a National Geographic. Ela recorda-se de observar a forma como ele falava com a equipa de pessoas em campo – os investigadores científicos, o seu assistente, a sua esposa – e de como mudava e se tornava “a pessoa mais intensa, mais focada que eu alguma vez vira, ao observar e fotografar aqueles leões. Isso fascinava-me”, lembra. “Ao observar a sua equipa, e depois fazer as entrevistas para a biografia, tive a sensação de estar perante um notável elenco de personagens – todos estes homens e mulheres que são tão obcecados com o que fazem. Quando essa obsessão se mistura com talento ficamos com uma coisa realmente poderosa.”

Ela percebeu que cada um dos seres vivos desta história são uma personagem, incluindo Nick. Harris diz que entrevistou um total de 97 pessoas para ter uma visão geral  de como anos de colaboração ajudaram a trilhar o caminho onde Nichols combina obcessão e talento.

“Nick não está a tentar ser o encantador de animais. Ele é realmente bom a não antropomorfizar – o que não quer dizer que ele não inventa histórias acerca dos animais para começar, mas ele tem a informação científica. Ele está a aprender como se tornar uno com os animais, ao invés de se impor a eles. Ele é um observador. Tudo isto lhe permite estar em campo com uma certa graciosidade.”

Numa era em que os fotógrafos são ubíquos, Harris espera que ao apresentar esta narrativa interligada os leitores capturem o poder das histórias mais aprofundadas e cheias de subtis matizes.

Um leão chamado C-Boy e a sua consorte fotografados com uma luz infravermelha invisível. Parque Nacional do Serengeti, Tanzânia, 2011.

“Quase todas as pessoas podem tirar uma ótima fotografia. Mas contar histórias com aquele tipo de narrativa e de vanguarda, isso é um outro tipo de talento que requer um outro empenho.”

“O que acontece com as fotografias de Nick é que queremos voltar a vê-las”, continua Harris. “Ele não é do género do toca e foge. De cada vez que voltamos a ver uma das suas imagens, vemos um pouco mais.”

O trabalho de Harris era urdir tudo isto de forma a contar credível sobre os assuntos aos quais Nick dedicou a sua carreira – a usar esta história como contraste, como ela própria diz, para falar do assunto mais importante, a conservação da fauna e flora.

Já na reta final, Harris associou-se a Peter Barberie, o curador de fotografia do Museu de Arte de Filadélfia, para produzir uma exposição que exibia fotografias de Nick e trabalhos da coleção maior que tinham inspiração na vida selvagem. “O selvagem foi sempre um tema profundo de criação artística, e está agora mais ameaçado do que alguma vez já esteve”, diz-nos Barberie, acrescentando que tal como os objetos num museu, também os animais e os espaços naturais, precisam de ser cuidadosamente preservados para sobreviver.

 

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Um tigre chamado Charger foi fotografado utilizando uma armadilha fotográfica. Parque Nacional de Bandhavgarh, Índia, 1996.
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