Ciência

Mistérios Científicos Que Ficaram Por Resolver em 2017

Eis alguns dos enigmas para os quais os cientistas ainda não têm respostas. Sexta-feira, 5 Janeiro

Por Sarah Gibbens

Aprendemos muito em 2017, contudo algumas questões permanecem sem respostas.

Desde o que leva um polvo a caminhar ao longo da costa do País de Gales, àquilo que nos reserva a misteriosa câmara descoberta no interior de uma antiga pirâmide egípcia, muitos são os mistérios que ficaram por desvendar em 2017.

Descoberta Uma Secção Misteriosa na Grande Pirâmide do Egito

Ao longo da história, a antiga Grande Pirâmide do Egito tem sido fonte de imensas teorias, umas históricas, outras da conspiração. A descoberta de uma misteriosa secção interior, apelidada como “o vazio”, com cerca de oito metros de altura por 47 de comprimento, construída por cima do corredor que conduz ao mausoléu do faraó Khufu, conferiu ainda mais mística a esta, já de si, enigmática construção.

Terá este espaço uma ou várias divisões? O que estará lá dentro? Para que servia? Estas são algumas das questões para as quais os investigadores ainda não têm respostas.

Os arqueólogos ainda não visitaram este espaço pessoalmente. Isto deve-se ao facto de a descoberta ter sido feita por meio de radiografias de muões, uma técnica imagiológica que se serve de partículas subatómicas para espreitar o interior de paredes ou outras estruturas sólidas.

Um Golfinho Enterrado Num Cemitério de Monges Medievais

"Nunca vi algo que se assemelhasse a isto," confessou-nos Philip de Jersey, em outubro. O arqueólogo do Guernsey Museum and Galleries, refere-se à descoberta dos restos mortais de um animal da família dos golfinhos encontrados em Guernsey, uma ilha do Canal da Mancha.

Os ossos foram depositados cuidadosamente numa pequena sepultura à saída do retiro monástico.

Há duas teorias a respeito do porquê de estes ossos terem sido depositados com tanta diligência: o golfinho foi capturado com o intuito de alimentar quem o caçou, e enterraram o que sobrou, ou o animal foi objeto de uma cerimónia religiosa. Philip de Jersey filmou as escavações em torno deste achado.

Aquando da partilha do último vídeo, a 2 de outubro, a razão de os ossos terem sido ali enterrados, e daquela forma em particular, ainda era desconhecia. A National Geographic contactou de Jersey para obter mais informações, mas ainda não obteve uma resposta. O próximo passo seria o de tentar efetuar uma datação por carbono na esperança que esta nos dê algumas pistas.

Tempestades de Enigmáticas Ondas Rádio no Espaço

No início de setembro, alguns astrónomos detetaram 15 explosões de ondas rádio vindas do espaço. Os cientistas classificaram estas explosões como fugazes, mas extremamente poderosas — como se de rajadas de vento se tratassem.

Crê-se que estas rajadas têm origem numa galáxia a cerca de três mil milhões de anos-luz de distância. Os cientistas ainda não sabem ao certo o que alimenta estas tempestades, mas tudo indica que têm origem em regiões com campos magnéticos muito fortes.

Contudo, o fenómeno, vindo desta mesma galáxia, não é uma novidade. Foi detetado pela primeira vez em 2007, e desde então foram registadas ocorrências do mesmo pelo menos mais duas dezenas de vezes.

Porque Vagueiam pela Costa Dezenas de Polvos?

É comum ver polvos a caminharem pelas poças que a maré forma junto às rochas. No entanto, em outubro, dezenas destes invertebrados deram à costa, e foram vistos a rastejar pelo País de Gales. Um habitante local, que viveu toda a sua vida junto ao mar, confessou-nos que nunca tinha visto algo semelhante.

A National Geographic abordou vários especialistas, que apresentaram três teorias: a primeira prende-se com a senescência — pode-se dizer que foram afetados pela senilidade. Por norma, os polvos vivem cerca de um ano, morrendo pouco depois de porem os primeiros ovos. Tendo em conta que é em outubro que os polvos geralmente se reproduzem, é possível que estes estivessem a mostrar sinais de declínio cognitivo associado à senescência.

Uma segunda teoria estabelece uma ligação entre duas das principais tempestades que ocorreram este ano, o furacão Ophelia e a tempestade Brian, que poderão ter expulsado estas criaturas da água.

Outras teorias recuperam um estudo publicado em 2016 na revista Current Biology, que sugeriu que os polvos se estavam a reproduzir mais do que o normal, forçando assim os animais a viajarem mais longe em busca de abrigo e alimento. Nas semanas que se seguiram ao evento, ainda foram avistados alguns polvos a vaguear longe do mar — testemunhos que parecem ter cessado por volta da segunda metade do mês de novembro.

O Misterioso Parasita que Devora o Cérebro dos Tubarões

Entre fevereiro e julho, deram à costa tubarões-leopardo e raias sem vida na região central da Baía de São Francisco. A razão só foi conhecida depois dos cientistas terem analisado o ADN de alguns dos tubarões mortos.

Descobriram que um parasita tinha entrado pelo nariz dos tubarões e começado a devorar-lhes o cérebro.

Podemos até ter conseguido identificar o parasita que se alimenta do cérebro dos tubarões, mas questões como o porquê de o ter começado a fazer agora e de onde veio permanecem sem resposta. De acordo com os investigadores que examinaram os restos mortais, esta é a primeira vez que este parasita afeta tubarões selvagens. Suspeita-se que a grande concentração de tubarões na baía naquela altura do ano levou a que o parasita se espalhasse mais rapidamente. Também se estabeleceu uma ligação entre níveis pluviosidade acima da média e o surto de tubarões mortos na região. Alguns conservacionistas acreditam que a salinidade atipicamente baixa, causada pela água chuva, possa ter debilitado o sistema imunitário dos tubarões.

Cães Azuis Encontrados na Índia — Qual Será a Causa?

Os primeiros cães azuis surgiram na Índia, a meio de agosto. Estes animais foram vistos a deambular pela zona industrial de Mumbai. Mais tarde, percebeu-se que os cães tinham estado em contacto com águas residuais que fizeram com que o seu pelo ficasse azul.

Felizmente, descobriu-se que a substância que estava a tingir o pelo dos animais não era tóxica e facilmente removível do pelo, mas o sucedido despertou vozes de protesto entre a população, que se insurgiu contra os níveis de poluição daquelas águas e a facilidade com que os cães podiam mergulhar nelas.

A Índia é um dos países onde as leis que protegem os direitos dos animais são mais rígidas, e é absolutamente proibido matar um cão vadio saudável.

O Maharashtra Pollution Control Board foi incumbido de investigar o sucedido, mas nunca revelou o nome da empresa responsável ou da substância que estava a tingir o pelo dos cães de azul.

De acordo com os relatórios de jornalistas que estiveram no local nas semanas que se seguiram, acredita-se que os químicos possam ter sido libertados por mais do que uma fábrica. Nesta região altamente industrializada as fábricas começaram a funcionar a partir de os anos 60, no entanto a implementação de legislação para prevenir a poluição não tem sido fácil.

Cães de Busca Encontraram o Local Onde Amelia Earhart Poderá Ter Falecido

O que aconteceu a Amelia Earhart? A pioneira da aviação desapareceu misteriosamente há 80 anos, e investigadores, historiadores, e entusiastas andam à procura do seu corpo desde então.

Em julho, quatro cães de busca forense identificaram uma área em Nikumaroro (também conhecida como Ilha Gardner), na República do Kiribati, onde se que crê que Earhart possa ter falecido. O Kiribati é uma pequena nação composta de por várias ilhas, na região central do Pacífico. Um oficial britânico apontou o facto de ter encontrado ossos humanos no local em 1940, e, em 2001, as equipas de busca localizaram o que possivelmente são os vestígios de um naufrago americano.

Ao longo das últimas décadas surgiram outras potenciais provas, indicando diferentes desenlaces, no entanto, quase todas estas pistas foram rejeitadas, inclusivamente uma fotografia. Os cientistas afirmam que é necessário algo mais definitivo, como um osso ou algo que lhes permita fazer testes de ADN — isso sim, poderia ajudar a resolver o caso.

No verão, cães treinados para efetuar buscas detetaram um cheiro semelhante ao dos ossos humanos, mas não foram encontrados quaisquer restos mortais. Num último esforço, os investigadores enviaram amostras do solo daquela zona para um laboratório na Alemanha, para procurarem vestígios de ADN. Os resultados, contudo, ainda não estão disponíveis.

Uma Perda Terrível, Baleias Ameaçadas Morrem Misteriosamente

Quando este artigo foi publicado, no final de junho, seis baleias haviam falecido, deixando os conservacionistas preocupados e sem conseguirem apurar a causa da morte destes animais. Em agosto, o número de mortes subiu para dez. À medida que nos aproximamos do final do ano, contam-se já 17 baleias-francas-do-atlântico-norte encontradas sem vida no Golfo de São Lourenço, no Canadá.

Já antes deste ano que as baleias-francas-do-atlântico-norte foram consideradas uma das espécies de baleias mais ameaçadas do mundo. Estima-se que apenas cerca de 450 indivíduos desta espécie se mantenham vivos. Depois da morte inesperada destas 17 baleias, alguns especialistas preveem que a espécie possa desaparecer ao longo dos próximos 20 anos.

Mas porque morreram tantas baleias de repente?

Para determinar as causas de morte, os cientistas têm feito necrópsias aos exemplares que ainda não apresentavam estados avançados de decomposição quando foram encontrados. Nalguns destes exemplares foram encontradas feridas que se acredita que tenham sido causadas por embates em navios. Uma causa de morte frequente é o facto de as baleias ficarem presas em equipamento de pesca. Numa investigação publicada na revista Endangered Species Research, foram analisadas fezes de baleias vivas e mortas ao longo dos últimos 15 anos. Os resultados apresentam elevados níveis hormonais que apontam para que as baleias estejam a viver sob elevados níveis de stress. Outro estudo, publicado na revista Nature Scientific Reports, concluiu que a distribuição das populações de baleias pode estar a mudar, isto é, muitas delas podem estar a nadar para fora das áreas protegidas.

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