Reações Surpreendentes dos Animais aos Eclipses Solares

Girafas, aranhas e até mesmo baleias mudam o seu comportamento quando o céu mergulha na escuridão.segunda-feira, 25 de junho de 2018

As vacas leiteiras foram vistas a regressar aos estábulos, quando o céu escureceu durante um eclipse total do Sol.
As vacas leiteiras foram vistas a regressar aos estábulos, quando o céu escureceu durante um eclipse total do Sol.
fotografia de Jak Wonderly, National Geographic Creative

No dia 21 de agosto de 2017, os Estados Unidos ficaram submersos na escuridão por uns breves e preciosos minutos, quando um histórico eclipse total do Sol atravessou o continente de costa a costa.

Milhões de pessoas vivem sob a trajetória do eclipse total do Sol, e outras dezenas de milhares fizeram o caminho para ver a Lua bloquear a luz do Sol. Os astrónomos anteviam que este eclipse seria o fenómeno celestial mais observado da história da humanidade.

Mas, segundo os biólogos e os caçadores veteranos de eclipses, os humanos não foram os únicos a reagir às mudanças dramáticas que ocorreram no céu.

Durante o eclipse total, o céu escurece a níveis de crespúsculo e a temperatura do ar desce. Ao longo dos séculos, as pessoas, que assistiram a estes efeitos, aperceberam-se também de alterações comportamentais num conjunto diverso de animais como resposta a estes fenómenos.

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O DIA TRANSFORMA-SE EM NOITE

As referências a reações pouco comuns de alguns animais em face de eclipse solar remontam há séculos. Uma das histórias mais antigas é descrita pelo punho do monge italiano Ristoro d'Arezzo, em alusão ao eclipse total do Sol de 3 de junho de 1239.

À medida que o Sol desaparecia e o céu escurecia, “os animais e as aves ficaram assustados, e os animais selvagens podiam ser apanhados com facilidade”, escreveu.

Durante o eclipe observado em Portugal, no dia 21 de agosto de 1560, o astrónomo Christoph Clavius escreveu a propósito do fenómeno: “apareceram estrelas no céu, e, num maravilhoso assombro, os pássaros precipitaram-se do céu em direção ao solo, atemorizados pela terrível escuridão”.

Embora seja difícil confirmar a autenticidade de episódios do passado, os astrónomos e os caçadores de eclipses da atualidade também referiram alterações comportamentais em animais domésticos e selvagens como reação aos eclipses. As vacas leiteiras regressaram aos estábulos, os grilos começaram a cantar, as aves ora recolhiam ao poleiro, ora ficavam mais ativas, e as baleias saltavam nos mares.

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O caçador veterano de eclipses, Peter den Hartog, viajou para a Hungria em 1999 para assistir a um eclipse total do Sol e lembra-se de ver várias espécies de aves e morcegos aparecerem subitamente durante o eclipse.

“Terá sido por causa da intensidade da luz ou da nuvem de moscas e mosquitos surgidos aparentemente do nada… Não sei, mas, sem dúvida, que há mais agitação durante os eclipses”, afirma Hartog.

Dave Balch, caçador de eclipses e autor, estava em Kona, no Havai, em 1991 para observar o eclipse total do Sol e notou grande agitação entre as aves à volta de um cais, tanto nas fases intermédias que precederam o eclipse, como nas que se seguiram.

“Mal nos conseguíamos ouvir uns aos outros! E depois deu-se o eclipse e nem um som. Era um silêncio de morte. A diferença dos níveis de ruído antes e durante o eclipse foi incrível.”

Tora Greve, uma caçadora de eclipses, participava numa expedição na Zâmbia em 2001, quando se apercebeu, no momento em que Sol desapareceu, de que as rãs começaram a coaxar e as aves de rapina deixaram de voar em círculos, possivelmente devido à mudança da temperatura do ar.

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Greve estava perto de uma extensão de água, quando se apercebeu da agitação das “girafas que desataram a correr no tempo em que durou o eclipse. Quando o Sol reapareceu, as girafas pararam de correr e voltaram às árvores para se alimentar.”

UMA APLICAÇÃO PARA DOCUMENTAR COMPORTAMENTOS

No entanto, recolher dados com valor científico sobre as reações dos animais a um eclipse total do Sol não é tarefa fácil. As trajetórias dos eclipses estão dispersas pelo mundo e muitas só são visíveis a partir de lugares remotos. Isto faz com que se torne difícil obter algo mais do que uns quantos dados por eclipse.

“Para estudar a fundo os comportamentos dos animais, teríamos de passar muito tempo no terreno, observando e cumprindo com protocolos rigorosos”, afirma a ecologista Rebecca Johnson da Academia de Ciências da Califórnia.

“Um ecologista especialista em comportamento animal sabe que, montar toda uma logística para estudar apenas os efeitos dos eclipses solares, é uma tarefa quase impossível.”

Para melhorar o registo científico, Johnson ajudou a criar o projeto Life Responds, que funciona através de uma aplicação para smartphone chamada iNaturalist. A sua equipa de biólogos e astrónomos irão usar a aplicação para recolher dados de milhões de pessoas, que assistirão ao eclipse de 21 de agosto.

“Criámos este projeto que pede às pessoas que passem algum tempo no exterior e observem o comportamento dos animais antes, durante e depois do eclipse, independentemente da sua localização e estejam ou não sob a trajetória de um eclipse total ou parcial”, afirma.

Esteja atento às teias das aranhas tecedeiras durante um eclipse.
Esteja atento às teias das aranhas tecedeiras durante um eclipse.
fotografia de Alex Saberi, National Geographic Creative

A equipa da Life Responds recomenda que as pessoas, que queiram colaborar neste projeto, procurem de antemão o lugar onde irão observar o eclipse e reflitam sobre os animais que estarão em seu redor. Por exemplo, se estiverem no jardim de casa numa zona suburbana  ou no parque da cidade, é provável que reúnam condições para observar o comportamento de invertebrados urbanos, tais como as formigas e as aranhas.

Provas circunstanciais sugerem que as aranhas tecedeiras destroem as suas teias durante um eclipse, por isso Johnson sugere que encontrem uma teia para observação.

“As aranhas são um exemplo relativamente simples do tipo de observação que as pessoas podem fazer”, afirma, “porque as aranhas não se afastam para longe, ao contrário dos pássaros, logo há maior probabilidade de registar o comportamento dos invertebrados mais vagarosos.”

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Espera-se que a aplicação da Life Responds contribua para criar um repositório significativo relativo ao comportamento animal durante os eclipses, que os cientistas possam usar para prosseguir com a investigação.

“A compilação dos registos das observações e a identificação de padrões comportamentais é uma tarefa do domínio da ciência, e esperamos poder assistir a comunidade científica com os dados necessários à progressão do trabalho de investigação”, afirma Johnson.

“Com sorte, podemos acabar por documentar algo nunca observado antes.”

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