Ciência

Sylvia Earle, a Rainha dos Oceanos

Sylvia Earle é uma oceanógrafa, exploradora Rolex da National Geographic, cientista norte-americana e, acima de tudo, apaixonada pelos Oceanos.quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Por National Geographic
Earle observa uma esponja tubular gigante nas águas de Bonaire.

Foi uma das oradoras do National Geographic Summit 2018, em Lisboa. Foi a primeira mulher a andar no fundo do Oceano a mais de 300 metros de profundidade. Em 1998 foi nomeada pela revista Time a “Heroína do Planeta”. Viveu no Oceano. Escreveu mais de 150 publicações, ganhou o prémio TED, tem mais de sete mil horas em 65 anos de mergulho. Teve a honra de apresentar a Barack Obama uma espécie de peixe nomeada com o nome do antigo presidente. Fundou a SEAAlliance e a Deep Search Foundation.

O presidente Barack Obama conheceu Sylvia Earle no atol de Midway em setembro de 2016 para celebrar a expansão do Monumento Nacional Marinho de Papahānaumokuākea, no Havai, tornada possível sob a sua presidência.

Um Desejo: Salvar os Oceanos

O Prémio TED permite realizar um desejo e o de Sylvia Earle foi – salvar os oceanos. Em 50 anos retirámos 90 por cento do peixe dos oceanos. Em 50 anos mudámos a estrutura dos ecossistemas marinhos. Em 50 anos enchemos o Oceano de plástico. Nos próximos 50 anos podemos destruir muitas das espécies que vivem hoje nos Oceanos. Mas ainda há tempo. Não muito, mas algum. Ainda temos metade dos corais que existiram nos Oceanos. Ainda temos baleias azuis, tubarões, ostras e ursos polares. Nos próximos 50 anos a pesca pode ser um verbo inutilizável. Para alterar estes fenómenos, precisamos de vontade e recursos submarinos. O desejo de Sylvia Earle é que se usem “todos os meios à nossa disposição – Filmes! Expedições! A internet! Mais! – para incentivar o apoio público a uma rede global de áreas marinhas protegidas, pontos de esperança grandes o suficiente para salvar e restaurar o Oceano, o coração azul do planeta.”

Planeta Oceano

A oceanógrafa defende que a Terra se devia chamar Oceano. 97 por cento da água está no Oceano. No Oceano conseguem fazer-se coisas que não se fazem em terra. A cientista defende que os seres humanos precisam e dependem tanto do Oceano, como os golfinhos e as baleias. “O Oceano toca-nos em cada inspiração que fazemos, em cada gota de água que bebemos”, afirma. Sem Oceano não sobrevivemos.

Sylvia diz que “quanto mais se descobre sobre os Oceanos, mais se descobre o que há por descobrir.” Mas pode não haver tempo para descobrir o que há para descobrir.

A sobrepesca, a poluição e as alterações climáticas ameaçam o planeta em que vivemos e, por conseguinte, os Oceanos que nos rodeiam. Temos de agir, enquanto ainda podemos fazer a diferença e travar o desaparecimento dos ecossistemas marinhos.

O Problema Chamado Plástico

Hoje temos ilhas de plástico, ondas de plástico, correntes de microplástico. Nunca se falou tanto em plástico.

O plástico de uso único é uma novidade com poucas dezenas de anos. Quando Sylvia começou a mergulhar, o plástico não era necessário. A cientista afirma que “o plástico não é o grande problema. É problema é o que fazemos com ele.” A maioria do plástico criado hoje em dia, é criado para ser utilizado uma única vez. Isto é um problema. Um problema que se começa a falar cada vez mais, embora continue a ser produzido massivamente.

Earle mostra uma alga a uma visitante.

As Nossas Escolhas

Retiramos muito dos Oceanos. Muito peixe, muitas algas, muito oxigénio. E o que damos de volta? Tudo o que pomos no mar: óleo, redes de pesca, plástico, barcos, herbicidas, pesticidas. Quando vamos a um restaurante não vemos corujas ou leopardos no menu. Vemos atum, robalo, garoupa, lulas, e até baleia. Não escolhemos almoçar um elefante mas, em algumas das nossas culturas, escolhemos almoçar golfinhos. Não escolhemos ter um guaxinim num aquário, mas escolhemos ter carpas. Não escolhemos comprar brincos de panda, mas escolhemos comprar colares com dentes de tubarão. Há um custo para estas escolhas e Sylvia Earle está empenhada em fazer-nos escolher melhores opções para o Oceano.

A maior ameaça para os Oceanos é a ignorância. Sylvia Earle afirma que “para as crianças de amanhã, agora é a altura certa.” Contudo, esta é a altura certa para todos nós, habitantes do planeta Terra que, segundo a exploradora poderia ser chamado Oceano. O maior predador dos Oceanos não são os tubarões, são os humanos.

 

Leia a entrevista à exploradora em https://www.natgeo.pt/national-geographic-summit/2018/04/entrevista-sylvia-earle-convidada-do-national-geographic-summit.

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