Ciência

Uma Nova Investigação Identifica Pedras de Stonehenge

Duas pedreiras antigas, a quase 290 quilómetros de distância do famoso monumento pré-histórico, foram identificadas como sendo a fonte das pedras no seu círculo interior. Sexta-feira, 8 Março

Por Nick Romeo

As descobertas, feitas por uma equipa de arqueólogos britânicos, anunciadas recentemente na revista Antiquity, mostram como alguns dos monólitos de Stonehenge foram extraídos e transportados.

Em comunicado, feito no dia 18 de fevereiro, a equipa disse ter encontrado várias provas neolíticas de exploração pedreira, em dois locais do País de Gales, que forneceram as características pedras-azuis erguidas em Stonehenge, há cerca de 5 mil anos. Das cerca de 80 pedras-azuis que se estima terem feito parte de Stonehenge, sobreviveram apenas quarenta e três. Estas formam a “ferradura interna de pedras no local, cercada pelo círculo externo de monólitos de arenito gigantes. Datando e estudando os artefactos nas pedreiras, os arqueólogos determinaram quando e como é que os povos pré-históricos extraíram estas pedras-azuis pela primeira vez.

As pedreiras galesas estão localizadas nas colinas de Preseli, no norte de Pembrokeshire, a cerca de 290 quilómetros de Stonehenge. As pedras-azuis pesam entre 1 a 2 toneladas e têm até 2 metros e meio de altura.

As pedras são rochas vulcânicas e ígneas com assinaturas geológicas precisas, iguais às das pedras mais pequenas que se encontram na “ferradura” interna de Stonehenge. Os geólogos demostraram que esta região do País de Gales é a única das Ilhas Britânicas que contém um tipo específico de rocha – diábase manchado – comum nas pedras-azuis.

Os arqueólogos descobriram ferramentas de pedra, rampas, plataformas de terra, carvão queimado, castanhas e uma antiga estrada submersa que provavelmente seria a rota de saída da pedreira.

"Apesar de conhecermos os locais de origem das pedras, o mais interessante foi encontrar as pedreiras reais", diz Michael Parker Pearson, diretor do projeto e professor da Universidade e Faculdade de Londres. “Eles construíram aqui instalações enormes: plataformas, rampas, um compartimento de carga. Conseguimos ver as marcas do cinzel onde espetaram as cunhas de madeira.”

As datações de radiocarbono feitas a partir do carvão e das castanhas queimadas em fogueiras pré-históricas mostram atividade neolítica nas pedreiras, entre 5400 e 5200 AC. Os investigadores acreditam que Stonehenge foi construído depois de 5000 AC. Isto levanta uma questão intrigante: onde estiveram as pedras durante esses 400 anos?

"É intrigante", diz Parker Pearson, "e mesmo que um meio de transporte neolítico desta pedra pudesse demorar 500 anos a chegar a Stonehenge, continuava a ser muito improvável. É mais provável que as pedras tenham sido usadas pela primeira vez num monumento local, algures perto das pedreiras, que foi então desmontado e levado para Wiltshire.”

MOVER MONÓLITOS DE DUAS TONELADAS

Os pilares de pedra formados naturalmente nas pedreiras tornaram as coisas, de certa maneira, mais fáceis para os trabalhadores pré-históricos. "Eles só tinham de inserir cunhas de madeira nas fendas entre os pilares e deixar a chuva galesa fazer o resto, inchando a madeira para aliviar a saída de cada pilar da rocha", diz o Doutor Josh Pollard, da Universidade de Southampton. “Depois, os trabalhadores da pedreira baixavam os finos pilares de pedra até plataformas de terra e pedra, uma espécie de 'zona de carga', de onde as enormes pedras podiam depois ser arrastadas através de caminhos que conduziam a cada pedreira.”

Oitenta monólitos de pedra-azul foram eventualmente transportados para Stonehenge. O transporte de monólitos de duas toneladas, ao longo de quase 320 quilómetros, é um empreendimento extraordinário, mas existem exemplos na Índia que mostram que pedras deste tamanho podem ser transportadas em treliças de madeira, por grupos de até 60 pessoas.

Remover as pedras das pedreiras exigia uma combinação de força e engenho. A largura estreita do caminho de saída, com apenas 1,8 m de largura, era pequena demais para acolher o uso de rolos de madeira. Os arqueólogos acreditam que os trabalhadores usavam uma combinação de cordas, alavancas e um ponto de apoio para posicionar as pedras em cima de trenós de madeira, que eram depois carregados ou deslizavam pela colina abaixo. “São necessárias duas equipas”, diz Parker Pearson, “uma no topo, com uma corda a fazer contenção de peso e a baixar lentamente a pedra, e outra, a cerca de um metro abaixo, pronta para a receber.”

Embora os trabalhadores no local tenham praticado, provavelmente, uma dieta principalmente à base de carne, não sobreviveu nenhum osso ou chifre devido ao solo altamente ácido da área. O que sobrevive são as provas de castanhas assadas, um alimento básico da dieta neolítica. Parker Pearson acredita que a pedreira era explorada por um grupo de pelo menos 25 trabalhadores, que provavelmente caminhava diariamente para o local a partir de povoações próximas.

A investigação de Parker Pearson e da sua equipa foi financiada por uma bolsa da National Geographic Society.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

 

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