Madeira: Descoberto Fóssil de Cenoura Mais Antigo do Mundo

O fóssil mais antigo de uma cenoura identificado a nível mundial foi encontrado na ilha da Madeira e pertencia a uma espécie com gigantismo insular.

Publicado 17/02/2020, 12:14
Levada do Furado, na ilha da Madeira.
Levada do Furado, na ilha da Madeira.
Fotografia de © Turismo da Madeira

Há 1.3 milhões de anos existiam plantas de cenoura selvagem com caules e folhas gigantes na ilha da Madeira. Assim revela o estudo de frutos fósseis da autoria de Carlos A. Góis-Marques, doutorando da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e restante equipa de investigação, publicado a 14 de janeiro.

As plantas de ilhas oceânicas podem desenvolver síndromes insulares, desencadeados por estímulos ecológicos e fisiológicos que transformam plantas anuais herbáceas em plantas perenes lenhosas. Contudo, faltam encontrar fósseis suficientemente informativos que possam contribuir para rastrear e enquadrar a evolução desta síndrome. 

O fóssil encontrado é de uma espécie exclusiva da ilha da Madeira, o aipo-da-serra (Melanoselinum decipiens), atualmente encontrado em clareiras da floresta laurissilva húmida. Apesar do nome comum ser aipo, hoje sabe-se que se trata de uma cenoura (género Daucus) que evoluiu para um hábito lenhoso insular, tornando-se numa cenoura gigante. Trata-se do fóssil mais antigo de cenoura conhecido até hoje e a primeira evidência fóssil de uma planta com evolução para gigantismo insular.

Melanoselinum decipiens em floração; Silhueta indicando o porte arbustivo que esta pode atingir; Fruto atual de Melanoselinum decipiens; Dois fósseis de fruto de Melanoselinum decipiens com 1.3 milhões de anos.
Fotografia de Carlos A. Góis-Marques e Miguel Menezes de Sequeira

O fenómeno de gigantismo em plantas de ilhas oceânicas é comum a nível mundial e deve-se a processos evolutivos e ecológicos. No livro “The origin of Species”, Charles Darwin foi o primeiro autor a propor a evolução destas plantas arbustivas a partir de antepassados herbáceos.

Segundo um comunicado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, ao chegarem às ilhas, os antepassados destas plantas ficaram livres da obrigatoriedade de cumprir o seu ciclo de vida anual, tornando-se progressivamente em plantas perenes com crescimento lenhoso. Este fenómeno deve-se a vários fatores tais como o clima ameno das ilhas, a ausência de herbívoros e a competição pela luz solar. Contudo, até ao momento, não se conhecia nenhum fóssil de uma planta com gigantismo insular que fornecesse pistas sobre quando é que os seus antepassados chegaram e evoluíram em contexto insular.

Os fósseis de frutos descritos neste estudo, são morfologicamente idênticos aos de Melanoselinum decipiens (ou Daucus decipiens), e sugerem que esta planta já teria evoluído para um porte arbustivo há 1.3 milhões de anos. Isto implica igualmente a chegada de uma cenoura selvagem (do género Daucus) à ilha da Madeira antes dessa data.

Os resultados deste estudo reforçam a importância da pesquisa paleobotânica em ilhas oceânicas, como um elemento fundamental para o entendimento da evolução das plantas em todo o mundo.
 

Esta publicação resulta dos trabalhos de investigação de Carlos A. Góis-Marques realizados no laboratório do Grupo de Botânica da Madeira da Faculdade de Ciências da Vida da Universidade da Madeira e do Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

 

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