Aquecimento Global: as Cidades Portuguesas que Poderão Desaparecer

O aquecimento global reflete-se em todo o mundo. Em Portugal, 24 localidades podem vir a desaparecer.

Thursday, April 9, 2020,
Por National Geographic
Portugal e Espanha – "meteorologia dramática".

Portugal e Espanha – "meteorologia dramática".

Fotografia de European Space Agency (ESA)

O aquecimento global refere-se ao aumento anormal da temperatura média do planeta, registado nas últimas décadas. Este processo leva à acumulação de gases poluentes na atmosfera. Um fenómeno que tomou lugar em todas as agendas políticas, científicas e económicas.

As consequências do aquecimento global na saúde
Nesta questão de saúde pública estão associados diversos riscos, como o surgimento de doenças como alergias, infeções e doenças cardiorrespiratórias. Tais mudanças passam a favorecer a propagação de parasitas e vetores de doenças como mosquitos, conhecidos na transmissão da dengue e da malária, por exemplo.

As reais consequências do aquecimento global no mundo e em Portugal
Nas investigações que têm vindo a ser desenvolvidas, o continente asiático demonstra ser o mais afetado com as alterações climáticas. São de destacar os países como Bangladesh, Índia, Vietname, Indonésia, Tailândia e China, que é, habitualmente, o país que mais dióxido de carbono emite para a atmosfera.

Atualmente, tendo os setores industriais parado na China, devido à pandemia mundial COVID-19, denota-se como a correlação entre as missões de CO2 e consumo de energia estão tão dependentes da produção laboral humana. Durante este período, cerca de 25% da poluição atmosférica foi reduzida, o que equivale a uma diferença de 6% a nível de impacto global.

A China, com 145 milhões de cidadãos em áreas de risco, é uma das nações que tem mais a "ganhar" ao limitar o aquecimento a 2º C, o que reduziria o total dos cidadãos a virem a ser afetados para 64 milhões. Estes resultados são baseados em projeções medianas do aumento do nível do mar, divulgadas no relatório publicado pela Surging Seas.

Um dos estudos que indica que milhões de pessoas podem encontrar-se em risco, foi publicado na revista científica Nature Communications. Nesse artigo, pode verificar-se que os novos dados de elevação triplicam as estimativas de vulnerabilidade global, à elevação do nível do mar e às inundações costeiras.

As inundações costeiras, mais altas e mais frequentes, têm um impacto direto no aumento do nível do mar. Ameaçam as áreas ocupadas por mais de 10% da população atual de nações como Bangladesh e Vietname, de acordo com esse mesmo estudo.

O aquecimento global está a provocar o degelo do Ártico e a subida do nível médio da água do mar. São vários os locais que poderão desaparecer do mapa. Portugal, por sua vez, tem uma frente marítima imensa e são muitas as cidades em risco de serem inundadas, em maior ou menor escala, total ou parcialmente.

Em Portugal, há 24 localidades em alerta, que se estima encontrarem-se em risco devido ao aquecimento global

Norte:
Espinho, Matosinhos, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Esposende, Viana do Castelo e Caminha

Centro:
Peniche, Nazaré, Figueira da Foz, Montemor-o-Velho, Ovar e Aveiro

Sul:
Vila Real de Santo António, Faro, Olhão, Portimão, Lagos, Troia, Setúbal, Costa da Caparica, Barreiro, Moita e Montijo

Caso nada seja feito de forma eficaz contra as alterações climáticas, o aquecimento global até 2100 pode ser de até 4 graus. Tal efeito poderá significar um aumento até 9 metros do nível da água do mar. Isto significará que as localidades mencionadas no Norte, Centro e Sul do país poderão ficar submersas, enquanto que outras como Óbidos e Caldas da Rainha, passarão a estar à beira-mar.

Algumas ferramentas já disponíveis, como os mapas interativos disponibilizados pelo Climate Central, permitem ver o impacto da subida do mar em todas as zonas do globo.

Em relação à cidade de Lisboa, é possível prever que a água do mar suba 1.5 metros até 2190, caso os níveis de poluição da atmosfera se mantenham. Por essa altura, já Alcântara, Santa Apolónia e o Beato estarão submersos.

Um dos motivos, para Benjamin Strauss, CEO e chefe de investigação da Climate Central, para a submersão destas zonas deve-se ao facto de as "comunidades humanas se concentrarem de forma desproporcionada nas zonas muito baixas da costa”.

Pela adoção do Acordo de Paris, a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em 2015, o IPCC – The Intergovernmental Panel on Climate Change foi convidado a fornecer um relatório especial sobre os impactos do aquecimento global. O relatório realizado pelo IPCC, incide sobre os impactos do aquecimento global de 1.5ºC acima dos níveis pré-industriais e vias relacionadas à emissão global de gases de efeito estufa. 

Se o mundo mudar efetivamente os seus hábitos e atuar nas áreas previstas como mais afetadas, talvez seja possível um abrandamento do estado de alerta do qual o planeta grita, devido ao aquecimento global.

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