Nova Espécie de Nemátodes Descoberta por Universidade de Évora

Investigadores de Évora descrevem nova espécie de nemátodes, os parasitas conhecidos por causar doenças em humanos, outros animais e plantas.

Wednesday, July 1, 2020,
Por National Geographic
Desenhos de linha de Longidorus bordonensis sp. nov. paratipos da rizosfera de gramíneas (espécies desconhecidas) em ...

Desenhos de linha de Longidorus bordonensis sp. nov. paratipos da rizosfera de gramíneas (espécies desconhecidas) em São Pedro do Sul, no distrito de Viseu.

Fotografia de Carlos Gutiérrez-Gutiérrez, Margarida Teixeira Santos, Maria Lurdes Inácio, Jonathan D. Eisenback, Manuel Mota

Os nemátodes são animais geralmente cilíndricos e alongados, que parasitam o homem, os animais domésticos e selvagens, os peixes de água doce e salgada, as plantas, as algas, fungos e até outros nemátodes.

Os nemátodes livres, que se alimentam de microrganismos, têm tamanho reduzido, geralmente, variando entre os 0.5 e os 2 milímetros, aproximadamente. Já os que afetam os animais e seres humanos podem ter mais de 5 centímetros de comprimento e são facilmente visíveis a olho nu.

Os nemátodes mais conhecidos no homem – as lombrigas
A lombriga intestinal (Ascaris Lumbricoides) é o mais conhecido entre os nemátodes parasitas do homem. Foi reconhecido há 5000 anos, na China, e ainda hoje continua a causar sérios problemas.

Um dos motivos relaciona-se com a sua capacidade reprodutiva, sendo que cada fêmea liberta 200 mil ovos ou mais por dia. Esses ovos são minúsculos e podem resistir a condições desfavoráveis em estado de dormência, até cinco anos.

Os nemátodes fitoparasitas fazem parte dos quatro grandes grupos de agentes fitopatogénicos, entre fungos, bactérias, vírus e nemátodos que, em conjunto com os insetos, constituem a grande área científica da proteção de plantas.

Estas fitoparasitas causam danos anuais nas culturas agrícolas e florestais a nível mundial, na ordem dos 140 mil milhões de euros anuais, tornando-se um sério fator limitante na agricultura e floresta.

Investigação das espécies de nemátodes
Das espécies de nemátodes identificadas, cerca de 50% são nemátodes marinhos, 15% parasitam animais, 25% vivem livremente e, somente 10%, são parasitas de plantas.

Um estudo pioneiro liderado por Carlos Gutiérrez-Gutiérrez, do Laboratório de Nematologia - MED da Universidade de Évora, descobriu uma nova espécie de nemátodes, à volta das raízes de uma erva, na localidade de Bordonhos, em São Pedro do Sul, no distrito de Viseu.

O investigador realça que deste trabalho foi possível conhecer espécies potencialmente transmissoras de vírus e responsáveis por danos consideráveis em numerosas culturas, por se tratarem de parasitas microscópicos que habitam o solo.

O levantamento de nemátodes decorreu de 2015 a 2019, em vinhedos e ambientes agroflorestais. Contou com a participação de Manuel Mota, professor do departamento de Biologia da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora, responsável pelo Laboratório de Nematologia.

O Longidorus revelou-se um dos géneros mais difíceis de identificar com precisão, devido à sua morfologia e às medidas e proporções sobrepostas entre as espécies. Este género foi caracterizado através de uma abordagem integrativa, baseada em dados morfológicos e análise filogenética molecular de genes de rRNA.

Os investigadores recorreram à utilização de dados morfológicos e moleculares, estabelecendo as relações filogenéticas das espécies dentro do género, bem como, o valor do uso de marcadores moleculares de rRNA, especialmente a partir de amostras de topotipos.

Foram ainda estabelecidos marcadores moleculares para o diagnóstico preciso e inequívoco de uma nova espécie, L. bordonensis sp. nov., mostrando que esses marcadores moleculares são úteis para diferenciar essa espécie de outras espécies, potencialmente vetores de vírus.

Os mesmos marcadores foram utilizados para caracterizar o topotipo de L. vinearum, sendo que foi a primeira vez que L. wicuolea foi reportada em Portugal.

Ano Internacional da Saúde das Plantas
Em 2020, ano em que foi declarado, pelas Nações Unidas, como o Ano Internacional da Saúde das Plantas, foi descoberta uma nova espécie de nemátode fitoparasita, batizada de Longidorus Bordonensis. Um pequeno animal invertebrado com cerca de um a nove milímetros de comprimento, que vive no solo e ataca as raízes das plantas.

Frequentemente, os danos causados pelos nemátodes são subestimados e só são considerados como fator limitante do crescimento das culturas, depois de despistados todos os outros agentes patogénicos.

Os investigadores vão continuar a estudar a nova espécie e quais os seus hospedeiros, para perceberem se pertence ao grupo perigoso ou não.

Além dos investigadores da Universidade de Évora, na investigação participam as investigadoras Margarida Teixeira Santos e Maria Lurdes Inácio do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e do professor Jonathan D. Eisenback do Virginia Tech, nos Estados Unidos.

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