China e Nepal Anunciam que o Monte Evereste Tem Quase Mais Um Metro de Altura

Esta medição tem por base os levantamentos feitos em paralelo pelos dois países, mas a nova medição ainda não está cimentada nos registos porque cientistas e cartógrafos preparam-se agora para analisar a descoberta.

Publicado 9/12/2020, 14:06 WET
Uma vista a partir do acampamento-base Norte do Evereste mostra os glaciares de Rongbuk e a ...

Uma vista a partir do acampamento-base Norte do Evereste mostra os glaciares de Rongbuk e a aproximação ao cume da montanha.

Fotografia de Renan Ozturk, National Geographic

A elevação do ponto mais alto da Terra foi agora anunciada. De acordo com os resultados do levantamento apresentados no dia 8 de dezembro, o Monte Evereste tem uma altitude de 8.848,86 metros acima do nível do mar. Tem quase mais um metro do que a altitude anteriormente reconhecida pelo governo do Nepal.

Esta elevação, anunciada em comunicado conjunto do Departamento de Topografia do Nepal e das autoridades chinesas, é o culminar de um projeto plurianual que visa medir em definitivo a lendária montanha. Este foi o primeiro levantamento sério do Evereste em 16 anos, um esforço que foi acompanhado de perto pela comunidade geográfica – sobretudo cientistas que analisam a forma como um sismo devastador de magnitude 7.8 afetou a região em 2015.

Na primavera passada, um pequeno grupo de topógrafos e guias nepaleses suportou o frio cortante de uma subida noturna, chegando ao topo às 3 da manhã, horário local, para conseguirem realizar o trabalho sem a presença de multidões de alpinistas recreativos.

“Queremos passar a mensagem de que conseguimos fazer algo com os nossos próprios recursos [do país] e mão de obra técnica”, disse no ano passado à National Geographic Khimlal Gautam, diretor de pesquisa do projeto.

Picos tecnológicos

Em 1856, o matemático Radhanath Sickdhar descobriu que o Evereste era a montanha mais alta do mundo enquanto trabalhava no Great Trigonometrical Survey, um projeto dedicado a investigar e mapear o subcontinente indiano. Desde então, vários levantamentos tentaram determinar a altura real da montanha com a melhor tecnologia disponível na época.

Até ao advento dos satélites, os topógrafos usavam um dispositivo chamado teodolito, um instrumento óptico de precisão que se monta num tripé, para medir os ângulos entre dois pontos designados. Transportando este equipamento pesado de uma colina para outra, uma equipa de topografia media gradualmente a altura do Evereste a partir do nível do mar, ziguezagueando para norte a partir da Baía de Bengala até conseguirem ver o cume.

Um levantamento feito em 1954, que usou uma técnica semelhante, calculou que o Evereste estava a 8.847,73 metros acima do nível do mar, um número que ainda é reconhecido por muitos países e editores de mapas.

Em 1999, um levantamento liderado pelo cartógrafo e explorador Bradford Washburn, financiado pela National Geographic Society, foi o primeiro a usar tecnologia GPS para medir o cume do Evereste. O trabalho feito por esta equipa determinou uma altitude de 8.849,86 metros – número que vai continuar a ser utilizado pela National Geographic Society até que estas novas medições sejam completamente validadas.

Entusiasmo a escalar

Para tornar este levantamento o mais completo possível, a equipa nepalesa decidiu utilizar ambas as técnicas. No dia 22 de maio de 2019, Khimlal Gautam alcançou o cume do Evereste com quatro colegas e colocou um recetor de GPS no local, juntamente com um radar de penetração no solo para medir a profundidade da neve empilhada no topo da rocha. Enquanto isso, equipas de topógrafos aguardavam em oito locais com vista para o cume do Evereste para fixar a sua elevação ao nascer do sol, quando a atmosfera está mais limpa, com teodolitos a laser modernos.

Contudo, quando o Departamento de Topografia do Nepal concluiu o seu trabalho de campo no ano passado, o projeto foi afetado por questões de política internacional. Durante a visita de estado do presidente chinês Xi Jinping ao Nepal em outubro de 2019, as autoridades anunciaram que os dois países iriam cooperar no novo levantamento da montanha, adiando assim o comunicado sobre as descobertas nepalesas. Nesta primavera, uma equipa de topógrafos chineses trabalhou na face norte da montanha para medir o cume com a rede chinesa de satélites Beidou, um rival do sistema GPS.

Agora que os resultados foram anunciados, representantes dos dois países expressaram extrema confiança na nova altitude. Mas Khimlal Gautam salienta que, independentemente de toda a precisão, todos os levantamentos têm alguma margem de erro. “No mapeamento de levantamento, não conseguimos encontrar o ponto ou altitude exata”, diz Khimlal. “Estamos a tentar encontrar o VMP: o valor mais provável.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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