Cientistas Portugueses Dizem que a Terra Já Foi Uma “Bola de Neve”

Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa afirmam que a tectónica de placas e os vulcões ativos contribuíram para que a Terra não ficasse congelada para sempre como uma “Bola de Neve”.

Publicado 5/01/2021, 14:49 WET
Os astronautas continuarão a fotografar a sua "casa", seja da órbita baixa da Terra ou, como os ...

Os astronautas continuarão a fotografar a sua "casa", seja da órbita baixa da Terra ou, como os astronautas da Apollo fizeram, da lua.

Fotografia de NASA

A investigação iniciada por J. A. Mattias Green, Hannah S. Davies, João C. Duarte, Jessica R. Creveling e Christopher Scotese, apresenta uma modelação de marés oceânicas há cerca de 700 milhões de anos. Corresponde a um período da história da Terra em que o planeta estava totalmente coberto por gelo, formando uma autêntica “Bola de Neve”.

O epíteto “Bola de Neve” surge pelo estado climatologicamente estável com a duração prevista de glaciação de longa duração. Tal estado é proporcional ao tempo para a libertação vulcânica de gases de efeito de estufa, para atingir um limiar de degelo, levando a um aquecimento abrupto e condições de estufa após as glaciações.

O impacto das marés oceânicas no manto de gelo

O estudo publicado na revista científica Nature Communications sugere que as marés oceânicas também influenciaram a duração das glaciações em bola de neve. Através do fluxo de gelo acoplado e dos modelos de circulação oceânica, sugere-se que havia apenas uma única célula de circulação de reviravolta meridional vigorosa.

As marés são conhecidas por flutuarem em escalas de tempo geológicas, devido às mudanças nas geometrias da bacia induzidas pelo movimento das placas tectónicas da Terra. O seu principal mecanismo de amplificação é a ressonância das marés.

Resultante dos movimentos das placas tectónicas, podemos esperar que as marés mudem em escalas de milhões de anos. Os resultados de marés obtidos no estudo são representativos de cenários de glaciação global de um volume específico de gelo/oceano e podem diferir substancialmente em cenários alternativos de volume e distribuição de gelo.


O que quebrou o estado "Bola de Neve"?

Destacou-se uma conexão entre oceanografia – as marés – e a paleogeografia, definida, em última instância, pela tectónica na estabilidade climática de uma Terra Bola de Neve. Tal conclui que as marés podem ter contribuído para a estabilidade do clima.

Apesar de as marés não terem sido o único processo com influência sobre os mantos de gelo, sabe-se que estas foram o fator principal. Assim, os cientistas mostraram que as marés tiveram um efeito de feedback positivo, mantendo a Terra num estado “congelado” por mais tempo do que o expectável.

A baixa energia das marés, bem como a mistura das marés resultantes, tiveram consequências para outros componentes do sistema terrestre, incluindo padrões de circulação oceânica e fluxos verticais de massa, sal, calor e traçadores, e para a evolução e dispersão da vida.

A tectónica de placas e os vulcões ativos contribuíram para que o planeta não ficasse eternamente congelado, permitindo que este conseguisse sair do estado de “Bola de Neve” há 600 milhões de anos. Tal evitou que o gelo à superfície refletisse a luz do Sol, o que acabaria por tornar a Terra progressivamente mais fria.

O artigo científico intitulado “Weak tides during Cryogenian glaciations” foi publicado no início de dezembro de 2020. O estudo foi liderado por J. A. Mattias Green, professor da Universidade de Bangor, no Reino Unido. Da Universidade de Ciências de Lisboa, contou com o professor do Departamento de Geologia, João C. Duarte e Hannah S. Davies.

João C. Duarte desenvolveu um outro trabalho sobre uma placa tectónica ao largo de Portugal que pode estar em rutura. Leia a explicação sem precedentes.

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