Paleontólogos alegam que a Terra pode ter sido habitada por milhares de milhões de T. rex

A abundância estimada deste predador icónico significa que os fósseis de T. rex que temos hoje são extremamente raros.

Publicado 26/04/2021, 11:54
T. rex

Os paleontólogos calcularam quantos T. rex viveram na Terra – e descobriram que, a qualquer momento, estariam vivos cerca de 20.000 T. rex durante um período de dois a três milhões de anos.

Fotografia de STOCKTREK IMAGES, NAT GEO IMAGE COLLECTION (ILUSTRAÇÃO)

Se viajássemos no tempo até há 67 milhões de anos para a região onde atualmente fica Montana, estaríamos a entrar no reino de um tirano: o icónico predador Tyrannosaurus rex. Porém, antes de nos aventurarmos neste mundo perdido, talvez fosse bom saber, em média, a que distância estaria o T. rex mais próximo.

A resposta pode parecer impossível de obter, mas depois de analisar duas décadas de investigações sobre o T. rex, um novo estudo fornece estimativas sobre a densidade populacional deste animal. Muito provavelmente, um T. rex estaria a cerca de 25 quilómetros de distância, ou muito mais perto.

O novo estudo, publicado no dia 16 de abril na revista Science, também traduz estas densidades populacionais em estimativas sobre quantos T. rex já viveram. Em média, os investigadores estimam que cerca de 20.000 T. rex estariam vivos a qualquer momento, e que cerca de 127.000 gerações de dinossauros viveram e morreram. Estas médias implicam que um total de 2.5 mil milhões de T. rex viveram na América do Norte, a região nativa da espécie, possivelmente até ao norte, até ao Alasca, e até ao sul, ao México, num período de dois a três milhões de anos.

Esta investigação não foi a primeira onde os cientistas tentaram estimar os números do T. rex. Na verdade, a densidade populacional presente neste novo estudo – cerca de um T. rex a cada 110 quilómetros quadrados – assemelha-se a uma estimativa anterior que foi publicada em 1993. Mas o novo estudo usa as investigações mais recentes sobre a biologia do T. rex para tentar definir valores superiores e inferiores altamente detalhados para a sua população total.

Depois de analisar milhões de simulações de computador, cada uma com uma mistura ligeiramente diferente de valores possíveis, o estudo descobriu que a contagem total de T. rex podia ser tão baixa quanto 140 milhões e tão alta quanto 42 mil milhões, com a média a girar em torno dos 2.5 mil milhões. Da mesma forma, podiam estar vivos entre 1.300 a 328.000 T. rex a qualquer momento, com 20.000 a ser a média.

“É realmente entusiasmante ver que alguém está a tentar... usar tudo o que sabemos sobre o T. rex para descortinar a sua dinâmica populacional”, diz Holly Woodward, paleontóloga do Centro de Ciências de Saúde da Universidade Estadual de Oklahoma que não participou no novo estudo. “É interessante e curioso que isto ainda não tivesse sido feito com esta escala.”

Contabilidade do T. rex

Nos últimos 20 anos, os investigadores adquiriram um conhecimento extraordinário sobre o T. rex, incluindo o seu tempo de vida (cerca de 28 anos), quando é que atingia a maturidade sexual (por volta dos 15.5 anos) e quanto é que pesava em adulto (até 7.000 quilos). Estes dados permitem aos cientistas calcular o tempo aproximado de uma geração de T. rex – 19 anos, mais ou menos – e a massa corporal média do T. rex num determinado momento.

Para conseguir calcular os números populacionais deste predador, os investigadores usaram a relação entre massa corporal e densidade populacional existente nos animais vivos. Em média, conforme a massa corporal aumenta por um fator de 10, a densidade populacional diminui em mais de quatro quintos – um padrão conhecido por Lei de Damuth.

Damuth, ecologista da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, descobriu este padrão ao compilar 30 anos de dados ecológicos sobre mamíferos vivos. No entanto, a Lei de Damuth não é rígida, uma vez que os animais variam amplamente nos seus estilos de vida e habitats específicos. Por exemplo, as hienas-malhadas e os jaguares têm massas corporais semelhantes e são ambos predadores, mas a densidade populacional das hienas é cerca de 50 vezes superior.

Quando aplicada ao T. rex (após corrigir o facto de que o T. rex não era um mamífero), a Lei de Damuth implicava que o total real de dinossauros provavelmente estava entre os 140 milhões e 42 mil milhões de dinossauros individuais.

“Na paleontologia, é muito difícil estimar as coisas... o que comecei a fazer foi a pensar menos na estimativa de algo e mais a colocar isso entre parênteses. Será que eu podia colocar um limite superior e inferior mais robusto?” diz o autor principal do estudo, Charles Marshall, paleontólogo da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

De ser vivo a pedra

Para além de conseguir uma noção mais detalhada sobre a quantidade de T. rex, Charles Marshall e a sua equipa conseguiram calcular os números para estimar melhor a frequência com que os seus fósseis se formam. Será que se podia quantificar a probabilidade de um T. rex fossilizar, da mesma forma que conseguimos calcular a probabilidade de sermos atingidos por um raio?

Existem cerca de cem espécimes conhecidos de T. rex, mas perto de 40% estão em mãos privadas ou comerciais e não podem ser estudados de forma fidedigna. Portanto, para definir um total mínimo de fósseis, a equipa de Charles limitou a contagem para os 32 fósseis de T. rex pós-juvenis que são mantidos em instituições públicas.

Se todos os T. rex que já viveram – os 2.5 mil milhões estimados – produziram apenas estes 32 fósseis, então só cerca de um em 80 milhões fossilizou depois de morrer. Mesmo que uma percentagem maior de animais tenha fossilizado, e ainda tenhamos de encontrar os seus restos mortais, o tamanho reduzido destas probabilidades sublinha o quão raro é uma carcaça ser enterrada com rapidez suficiente, e nas condições químicas adequadas, para mineralizar e formar um fóssil. “Se o T. rex fosse mil vezes menos abundante – se o total não fosse 2.5 mil milhões, mas sim 2.5 milhões – talvez nunca o tivéssemos encontrado”, diz Charles.

O método descrito pela equipa de Charles também pode ser usado para outras criaturas extintas. Entre os dinossauros, os investigadores dizem que um dos melhores candidatos é o Maiasaura, um herbívoro do Cretáceo, que é conhecido através de centenas de espécimes, desde recém-nascidos a adultos.

Para Holly Woodward, uma das implicações mais interessantes do estudo é o quão raros os fósseis de dinossauros realmente são. Se estas taxas se mantiverem para outras espécies que não o T. rex, os investigadores podem até conseguir estimar quantas espécies de dinossauros simplesmente não fossilizaram – e que agora estão irrevogavelmente perdidas no tempo. “Conseguir descobrir o que estamos a perder pode ser tão importante quanto saber a quantidade que já tivemos”, diz Holly.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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