As redes sociais podem prevenir a morte súbita por epilepsia?

Um grupo de investigadores descobriu que o feed das redes sociais pode ser um indicador crucial para detetar uma futura morte súbita por epilepsia.

Publicado 7/04/2022, 15:40
Redes Sociais e epilepsia

Muito se fala sobre o impacto negativo das redes sociais na saúde e comportamento humano, mas existem algumas vantagens e este estudo pode juntar-se a essa lista.

Fotografia por George Steinmetz

E se o feed do Facebook servisse de indicador da saúde de uma pessoa? Já imaginou se fosse possível determinar comportamentos emocionais, que podem estar por detrás de casos de morte súbita por epilepsia, através das redes sociais?

Um estudo inovador, levado a cabo por uma equipa de investigadores de Portugal e dos EUA, demonstrou que as redes sociais podem ser usadas para estudar estados de stress e os padrões emocionais dos utilizadores. Descubra o que significa a morte súbita por epilepsia, o que a pode desencadear e como poderá ser prevenida através das redes sociais.

O que é a morte súbita por epilepsia?

A morte súbita por epilepsia, conhecida pela sigla SUDEP, é um acontecimento raro e está associada à ocorrência de morte repentina em pacientes já com historial clínico de epilepsia.

O lado preocupante deste tipo de falecimento é que não está relacionado com outros fatores, como lesões, traumas ou asfixia. Também não é detetada a causa de morte na autópsia do paciente.

Segundo a Epilepsy Foundation, um em cada 1000 adultos com epilepsia morre por SUDEP ou morte súbita por epilepsia.

Quais são as principais causas da morte súbita por epilepsia?

Por norma, o paciente é vítima de morte súbita por epilepsia, durante ou após uma sequência de convulsões, que ocorrem geralmente à noite.

A morte súbita por epilepsia possui causas desconhecidas. Apenas se sabe que o risco de ocorrência é muito maior em pacientes diagnosticados com este distúrbio neurológico, em comparação com a população geral.

Apesar da incerteza profunda por detrás deste evento, existem possíveis fatores apontados em estudos científicos:
- Respiração irregular, um episódio epilético pode conduzir a episódios de apneia. Estas interrupções respiratórias reduzem os níveis de oxigénio no sangue podendo levar à asfixia e, consequentemente, à morte;
- Ritmo cardíaco, as convulsões podem alterar severamente o ritmo cardíaco ou provocar paragem cardíaca;
- Causas variadas, quando o paciente apresenta outras causas e/ou associadas com as mencionadas acima.

As convulsões frequentes e não controladas, a epilepsia em idade jovem, as falhas de medicação e o consumo de álcool elevam a probabilidade de morte súbita por epilepsia.

Como prevenir a morte súbita por epilepsia?

Apesar de não se conhecer a causa fisiológica por detrás desta morte, é possível estabelecer estratégias de prevenção. Estas passam pelo controlo da medicação ou partem da medição de estados condutores de stress no paciente.

Agora, um grupo de investigadores analisou a possibilidade do usar o feed das redes sociais de pacientes para analisar e identificar padrões de comportamento que podem prever a SUDEP.

Leia também: Células cerebrais de porco podem ter curado a epilepsia de um leão-marinho

Será que as redes sociais podem ajudar a prevenir a morte súbita por epilepsia?

É sabido que certos comportamentos de risco, como a falha da toma de medicação, o consumo de substâncias e o aumento dos níveis de stress ou emoções negativas podem levar à morte súbita por epilepsia.

Um estudo inovador, publicado revista científica Epilepsy & Behavior, provou que as redes sociais podem servir como indicadores do estado psicológico do doente. Os investigadores começaram por analisar a cronologia do Facebook de seis pessoas vítimas de morte súbita por epilepsia, de forma a compreender se era possível decifrar emoções e stress escondidos.

A análise realizada aos dados desta rede social, feita com ferramentas de análise de texto e sentimento, encontrou vários pontos comuns nas vítimas por morte súbita por epilepsia.
- Aumento da verbosidade, a quantidade de texto das publicações na cronologia aumentou drasticamente dias antes do episódio de SUDEP ocorrer;
- Aumento do uso de palavras funcionais, ou seja, o tipo de expressões também se modificou. Dias antes de ocorrer a SUDEP, verificou-se uma flutuação na forma de escrever e no tipo de palavras utilizada;
- Alterações no sentimento, as publicações na cronologia revelavam sentimentos mais negativos e agressivos nas semanas anteriores à sua morte.

A alteração da atividade do paciente em redes sociais pode assim servir como sinal de alerta para possíveis futuros episódios de SUDEP e garantir o estabelecimento de medidas preventivas pela comunidade médica.

Qual será o futuro dos estudos sobre morte súbita por epilepsia?

Este é um complemento valioso para uma área que, até agora, se baseava apenas em dados clínicos e fisiológicos.

O carácter preditivo destes dados, retirados de feeds de redes sociais, constitui um avanço significativo para a área de Comportamento e Epilepsia e tem um impacto significativo na vida das famílias afetadas. No futuro, a validação destes dados comportamentais será testada numa amostragem maior e com mais dados digitais. O objetivo é este método ser aplicado em outros canais, como chamadas telefónicas e SMS.

Este foi um estudo conduzido por Ian Wood, Rion Brattig Correia, Wendy Miller e Luís Rocha.

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