Prepare-se para uma superlua de sangue muito longa. Eis como a pode ver.

Uma enorme lua cheia vai ficar vermelha durante quase uma hora e meia no dia 16 de maio.

Por Andrew Fazekas
Publicado 13/05/2022, 14:48
lua cheia, lua vermelha

Uma superlua ergue-se por trás de Glastonbury Tor em setembro de 2015, em Glastonbury, Inglaterra, pouco antes de a lua ficar completamente eclipsada.

Fotografia por Matt Cardy, Getty Images

Os observadores estelares nas Américas e em certas partes da Europa e África vão ter um lugar na primeira fila para um espetáculo noturno no dia 16 de maio: um eclipse lunar total de longa duração.

A enorme lua cheia vai ficar completamente eclipsada pela Terra, que vai banhar a superfície lunar em tons de vermelho. Este fenómeno é o motivo pelo qual os eclipses lunares totais são geralmente chamados luas de sangue, e este eclipse em particular vai ser um dos mais longos da década.

O eclipse também vai parecer um pouco mais grandioso do que o habitual. A lua vai estar perto do seu perigeu, ou ponto mais próximo da Terra, fazendo com que pareça um pouco maior no céu, um fenómeno conhecido por superlua. Durante o eclipse, a lua vai estar a 362.126 quilómetros da Terra.

No Hemisfério Norte, a lua cheia em maio é por vezes conhecida por lua de flor, uma homenagem às flores coloridas que aparecem no início da primavera. Portanto, o eclipse do dia 16 de maio pode ser chamado superlua de flor de sangue.

A lua entra e emerge da sombra da Terra durante um eclipse lunar total no dia 20 de fevereiro de 2008. Esta montagem fotográfica, captada em Titusville, na Flórida, mostra as diferentes fases do eclipse.

Fotografia por Stan Honda, AFP via Getty Images

O importante, porém, é que a sombra da Terra vai tingir a lua em tons de vermelho – uma das visões mais espetaculares do céu noturno – durante quase uma hora e meia.

A fase total do eclipse, quando a lua irá ficar com tons de vermelho mais profundos, começa no 16 de maio às 04h29 e vai durar até às 5h54. Toda esta fase vai ser visível em toda a América do Sul e na maior parte da América do Norte, bem como em partes de África e da Europa. Em algumas partes do Noroeste do Pacífico, a lua já eclipsada irá surgir pouco antes do pôr do sol, brilhando à medida que sobe no céu noturno.

O que acontece durante um eclipse lunar?

Os eclipses lunares acontecem quando o sol, a Terra e a lua se alinham de uma forma que a lua fica na sombra da Terra. Isto não acontece sempre que a lua faz a sua jornada mensal em torno do nosso planeta, porque a órbita da lua é inclinada. Mas cerca de três vezes por ano, a lua passa por parte da sombra da Terra.

Os eclipses lunares acontecem apenas durante a lua cheia, e cerca de 29% são eclipses lunares totais, quando a lua inteira passa pelo cone central escuro da sombra da Terra, conhecido por umbra.

A coloração avermelhada do disco lunar completamente eclipsado acontece porque a luz solar que atinge a lua é filtrada pela atmosfera da Terra, espalhando a luz azul e deixando a vermelha passar. É a mesma razão pela qual normalmente vemos o sol amarelo a ficar vermelho durante o pôr do sol.

Como observar a lua vermelha de sangue

Ao contrário de um eclipse solar, que requer equipamento especial para observar em segurança, podemos ver um eclipse lunar a olho nu. Um par de binóculos permitem-nos ver uma quantidade impressionante de detalhes na lua, mas podemos assistir a um eclipse lunar sem qualquer equipamento a partir de qualquer lugar onde seja possível ver a lua cheia.

A lua irá escurecer em tons de carvão antes de ficar vermelha como sangue, mas a cor pode variar significativamente de um eclipse para o outro, dependendo das partículas presentes na atmosfera do nosso planeta. Por exemplo, as nuvens de cinzas lançadas recentemente na estratosfera pela erupção vulcânica no Reino de Tonga, no sul do Oceano Pacífico, podem deixar a face da lua com um tom de vermelho ainda mais profundo do que um típico eclipse lunar.

Os observadores estelares mais felizardos na metade leste da América do Norte e por toda a América Central e do Sul irão conseguir ver todo o espetáculo desde o início ao fim. A maior parte do oeste da América do Norte também vai poder ver pelo menos parte do eclipse, com apenas partes do Alasca e do norte do Canadá a não conseguirem ver.

Pelo menos parte da totalidade do eclipse também vai ser visível em África e na Europa Ocidental, ao passo que algumas partes da Ásia Ocidental poderão ver fases parciais do eclipse.

Os observadores mais atentos poderão reparar que, durante a totalidade do eclipse, o céu em torno da lua irá parecer muito mais escuro, revelando as estrelas brilhantes mais próximas. A estrela cor de laranja Antares, por exemplo, irá ser visível no canto inferior esquerdo da lua. Os observadores mais distantes da poluição luminosa poderão até conseguir ver o brilho da Via Láctea durante o eclipse.

Este eclipse assinala o primeiro de dois eclipses lunares totais este ano visíveis na América do Norte. O próximo vai ser no dia 8 de novembro e, curiosamente, irá durar quase tanto tempo quanto o eclipse do dia 16 de maio.

O eclipse desta primavera, no entanto, irá ocorrer já noite dentro, sendo a oportunidade perfeita para madrugar e assistir a um espetáculo celestial.

Em Lisboa, a Lua irá nascer às 20h11 de dia 15 e por-se às 06h28 de dia 16, o que quer dizer que, se as condições climáticas assim o permitirem, será possível acompanhar o eclipse até 28 minutos antes de sair completamente da sua totalidade.

No arquipélago da Madeira e dos Açores será possível ver a Lua a sair da sombra na sua totalidade.

No Funchal, a Lua nasce às 20h31 de dia 15 e põe-se às 07h14 de dia 16 de maio de 2022. Em Ponta Delgada nasce às 20h19 de dia 15 e põe-se às 06h39 de dia 16 de maio de 2022. Estas informações são do Observatório Astronómico de Lisboa.

Andrew Fazekas, ou Night Sky Guy, é o autor de Star Trek: The Official Guide to Our Universe e da segunda edição de The Backyard Guide to the Night Sky. Pode encontrá-lo no Twitter, Facebook, Instagram e YouTube.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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