Espaço

Veja a Incrível Movimentação da Via Láctea Pelo Céu Noturno

Um fotógrafo capturou imagens raras da galáxia enquanto esta se movimentou em espiral sobre o sul da Austrália.Thursday, November 9, 2017

Por Nadia Drake
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Muito lá no alto, a galáxia Via Láctea gira como um pião, e as suas estrelas brilhantes e as suas névoas densas e escuras tecem espirais no céu.

Pelo menos é essa imagem que o fotógrafo Christian Sasse nos revelou quando partilhou esta imagem do céu noturno sobre o sul da Austrália. 

Vista a partir da posição estratégica da Terra, situada num dos braços da via láctea, a nossa galáxia parece mergulhar no cosmos, com o seu eixo encaracolado ancorado ao céu pelo Polo Sul celeste – um dos pontos à volta do qual as estrelas parecem girar, à medida que a Terra vai rodando sobre os seus eixos.

Sasse conseguiu esta imagem, que partilhou no Twitter, a partir de uma série de fotografias com uma exposição de 30 segundos, tiradas a cada 50 minutos, durante dez horas, no dia 28 de abril. Ele sobrepôs essas fotografias, com recurso ao software Startrails, e editou depois a composição final com o Photoshop.

“O céu do sul é fascinante, de muitas formas diferentes”, declara Sasse, que montou o seu equipamento perto de um dos telescópios do Observatório de Siding Spring, em Nova Gales do Sul. “Lembro-me do som estrondoso que a cúpula fazia a noite inteira, sempre que o telescópio se movia para observar outro corpo celeste.”

A residir em Vancouver, Sasse viajou para a Austrália para visitar um amigo. Alugou uma pequena caravana, equipou o interior com todos os instrumentos de que precisava para poder fotografar tanto a vida selvagem quanto o glorioso céu noturno do hemisfério sul, e rumou a um sítio onde “os céus são límpidos e podes estar sozinho toda a noite... muitas vezes acompanhado por cangurus curiosos.”

De facto, alguns dos tesouros mais notáveis da proximidade cósmica são sobretudo visíveis no hemisfério sul: Alpha Centauri, o sistema estrelar mais próximo do nosso, o grupo de estrelas brilhantes conhecido como Cruzeiro do Sul, uma mancha negra denominada de Nebulosa do Saco de Carvão, pequenas galáxias satélite conhecidas como Grande e Pequena Nuvem de Magalhães, e o eixo brilhante da Via Láctea.

Quando combinamos imagens da Via Láctea tiradas com 30 segundos de diferença, o resultado é um “rasto de estrelas” que põe em evidencia o movimento, mas torna difusos os detalhes da galáxia.

“No hemisfério norte, tenho a tendência de observar o sul, e no hemisfério sul,  bom, também fico a observar o sul”, reflete Sasse, que capturou estas curiosidades num fantástico mapa de rastos construído por ele.

Os fotógrafos utilizam, muitas vezes, técnicas semelhantes para criar imagens que mostrem os ciclos do movimento descrito pelas  estrelas em volta dos polos celestes. Inicialmente, Sasse fez a mesma coisa, juntando cerca de 1250 imagens da mesma noite. Mas quando tentou diluir as estrelas nos movimentos circulares, Sasse reparou que a nossa galáxia tinha desaparecido juntamente com algumas das texturas mais notáveis do céu.

Então ele decidiu experimentar a sobreposição de diferentes imagens tiradas com intervalos entre elas (veja a galeria), e ficou perplexo com o resultado.

“Surgiram padrões circulares com uma beleza intrínseca. Cada elemento da Via Láctea compõe o seu padrão distinto, e os detalhes tornam-se mais distintos quanto mais nos aproximamos do polo”, explica Sasse. “A Via Láctea está a criar o padrão mais incrível de todos os tempos e a podemos fixar a imagem na forma de que gostamos mais.”

Estive toda a minha vida a olhar para os céus, e aquela fantástica espiral leitosa não se parece com nada que eu alguma vez tenha visto – faz lembrar uma mandala galáctica, uma demonstração de geometria celeste, um acidente fractal, um caleidoscópio ondulante de estrelas.

“Tenho um fascínio por padrões de luz na natureza – a iridescência dos pássaros e dos peixes, a estrutura das penas das águias, tudo o que se altera com ângulos pequenos, como a difração e a reflexão”, explica Sasse, que tem um doutoramento em ótica.

Para mim, isto evoca uma sensação de deslumbre e apreço pelos padrões intrincados que estão escondidos nos céus, e um agitado anseio de me atirar para a relva ainda aquecida pelo sol do hemisfério sul, e de ficar enroscada durante umas horas a olhar para a cintilante tapeçaria que rodopia por cima da minha cabeça.

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