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Dia Igual à Noite: o Equinócio da Primavera e Outros Fenómenos Astronómicos

A 20 de março, dá-se o equinócio da Primavera. Perceba o que são este e outros fenómenos astronómicos, e como os pode observar.Monday, March 18, 2019

Por National Geographic
Superlua de 2012 no Kennedy Space Center, na Flórida.

O equinócio de março é um dos quatro eventos anuais que se relacionam com a posição da Terra e do Sol. Há mais um equinócio, de setembro, e dois solstícios, em junho e dezembro. Além deste, há mais um fenómeno astronómico a não perder em março: a terceira e última superlua de 2019. Na terceira semana do mês, não tire os olhos do céu!

 

OS FENÓMENOS ASTRONÓMICOS NO CÉU DE MARÇO

O céu noturno do mês de março será calmo, mas deslumbrante. Ao longo de praticamente todo o mês, será possível ver 5 dos planetas vizinhos do Sistema Solar: Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno... a olho nu!

Equinócio de Primavera: 20 de Março
O equinócio de março é chamado equinócio de Primavera, mas com cautela! Já que só marca o início da Primavera no Hemisfério Norte. No Hemisfério Sul, este fenómeno astronómico dá o ponto de partida do outono.

Mas o Que é Um Equinócio?
Imagine que traça um plano a nível do equador. Estendendo este plano em todas as direções, se ele cruzar o centro do Sol, ocorrerá um equinócio. Isto significa que para ocorrer um equinócio, o Sol tem de estar acima da linha do equador e perfeitamente alinhado com ela. Por outras palavras, quer dizer que o equador é o ponto da superfície terrestre mais próximo à superfície solar.

 

 

Dia Igual à Noite?
Quando se pensa num equinócio – do latim aequus (igual) e nox (noite) – assume-se que o dia e a noite terão exatamente a mesma duração, 12 horas, não é mesmo? Na verdade, grande parte do planeta vê, mesmo assim, mais dia do que noite nos equinócios – nem que seja apenas uns minutos de diferença.

E porque é que isto acontece? Há dois motivos: um é a definição de nascer e pôr-do-sol, e o outro é a refração atmosférica da luz solar. Como a Terra tem uma atmosfera com gases, a radiação que nos chega do Sol será “desviada”, e assim teremos mais minutos de “dia”.

Da mesma forma, porque se considera como “nascer do Sol” o momento em que o bordo superior do Sol fica visível na linha do horizonte, e “por do Sol” o momento em que este bordo superior desaparece na linha do horizonte, também se acrescenta alguns minutos ao “dia”. Um cálculo mais exato seria se se utilizasse o centro do Sol, em vez do bordo, para marcar o nascer e o pôr-do-sol.

Porque é que o Equinócio Não é Sempre no Mesmo Dia, Todos os Anos?
Um ano terrestre tem 365 dias e 6 horas, razão pela qual se acrescenta um dia ao mês de fevereiro a cada quatro anos. Além disso, também tem a ver com o eixo terrestre. O eixo terrestre tem uma posição relativamente constante, mas não completamente.

De facto, o eixo terrestre sofre um movimento de precessão – movimento semelhante ao de um pião a girar - devido às interações gravitacionais com o Sol e a Lua.

A que Horas Ocorre Efetivamente o Equinócio?
Apesar de se generalizar que os equinócios duram todo o dia, é apenas o momento em que o Sol cruza a linha do equador. Este ano, o equinócio ocorre às 21h58 de Lisboa, do dia 20 de março.

 

ÚLTIMA SUPERLUA DE 2019: 21 DE MARÇO

Em janeiro houve uma, em fevereiro a maior do ano, em março, a última Superlua de 2019. Mas ser a última não significa que seja menos impressionante. Se perdeu as últimas duas, aqui tem uma ótima oportunidade para conseguir observar o último fenómeno astronómico destes, até ao próximo ano.

A Superlua de dia 21 ocorre menos de 4 horas depois da chegada do equinócio de março. A última vez que uma Superlua e um equinócio se conjugaram foi há dezanove anos, a 20 de março de 2000.

Assim, para observar o momento exato da superlua, fique atento ao céu noturno, na noite de 20 para 21 de março. A lua nascerá às 18h17 da tarde do dia 20, e pôr-se-á pelas 7h11 da manhã de dia 21. Às 1h43 da manhã marca-se o momento exato em que a lua atinge a fase completamente cheia.

OBSERVAR OS PLANETAS

Mas se pensa que no céu de Março estarão só a lua e o equinócio, desengane-se. Há muitas interações, passagens e fenómenos astronómicos a acontecer no céu noturno, algumas invisíveis ao olho nu, que por vezes nem damos conta.

Se as condições meteorológicas assim o permitirem, será possível ter um vislumbre de Júpiter, Saturno e Marte. Marte é uma visita regular no céu noturno, a “estrela” avermelhada que nos visita muito frequentemente.

Este mês, especialmente com a ajuda de uns binóculos e numa zona com pouca poluição luminosa, poderá conseguir observar:

- A 11 de março: Marte, a noroeste da Lua. O par será visível a partir das 18h53, e apenas até às 23h17;

- A 27 de março: Júpiter, a sudeste da Lua. O par será visível por volta das 1h59, e perder-se-á no amanhecer, pelas 6h11;

- A 29 de março: Saturno, a sudoeste da Lua. O par será visível a partir das 2h45, mas será ofuscado pelo amanhecer, a partir das 6h08.

A uns meros 600 anos luz de distância, M44 (ou enxame da Colmeia) é um dos enxames de estrelas mais próximos do nosso sistema solar.

ENXAME DE ESTRELAS E UM COMETA?

Este é um bónus, e um dois-em-um. No dia 17 de março, Messier 44 – ou M44, um enxame de estrelas - e a Lua estarão no ponto de maior aproximação no céu noturno, no entanto, como a lua estará entre as fases crescente e cheia, estará bastante brilhante, podendo ofuscar o enxame, a olho nu.

Contudo, pode conseguir observar o Messier 44 durante o mês de março, se o procurar mais tarde, por volta de dia 18. É neste dia que o Cometa Taylor (69P/Taylor) atingirá o seu ponto mais próximo da Terra. Precisará de um telescópio para conseguir vê-lo.

 

Seja qual for a razão, aconselhamo-lo a olhar mais para o céu noturno, a tentar descobrir as constelações e os planetas que o adornam, e a identificar os fenómenos astronómicos que nos passam tantas vezes ao lado.

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