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100 Anos do Eclipse de Sobral e Outros Fenómenos Astronómicos de Maio

Em maio comemora-se o 100.º aniversário do eclipse de Sobral e haverá chuva de meteoros. Fenómenos astronómicos que não vai querer perder. Quinta-feira, 2 Maio

Por National Geographic

Maio será um mês com grandes fenómenos astronómicos, desde o Eclipse de Sobral no Estado brasileiro de Ceará, que este ano comemora o seu 100.º aniversário, à chuva de meteoros Eta Aquarids. Saiba mais sobre os fenómenos astronómicos que não pode perder em maio.

LUA

Durante este mês, a Lua passará por duas fases. No dia 4 de maio, por volta das 22h45 UTC, teremos Lua Nova, onde esta se colocará diretamente entre a Terra e o Sol, deixando de estar visível na Terra.

Já no dia 18 de maio, poderemos assistir à Lua Cheia. Esta fase ocorrerá por volta das 21h10 UTC, onde a Lua se colocará em frente à Terra, ficando toda iluminada e permitindo a sua visualização.

CHUVA DE METEOROS ETA AQUARIDS 

A chuva de meteoros Eta Aquarids é a primeira chuva do ano com origem do Cometa Halley. A segunda ocorre em outubro, dia 21, denominada de chuva de meteoros Orionidas, com cerca de 20 meteoros por hora.

O Cometa Halley é o causador destas chuvas de meteoros porque, na sua passagem pelo Sistema Solar, deixou vários fragmentos que, quando entram na Terra, a cerca de 240.000 quilómetros por hora, dão lugar a incríveis estrelas cadentes (meteoros). A chuva de meteoros deste mês é, então, conhecida por produzir meteoros em forma de bola de fogo, muito brilhantes, originados por estes fragmentos.

O pico da chuva de meteoros Eta Aquarids vai ocorrer entre os dias 5 e 6 de maio – mas há grandes probabilidades de poderem ser vistos na manhã de 4 ou 7 de maio – e é um fenómeno astronómico que produz entre 10 a 50 meteoros por hora.

Os Eta Aquaris são um banho de luz e estão associados à constelação de Aquário, próximo à estrela Eta Aquarii, que se localiza a cerca de 168 anos-luz do nosso planeta. Apesar de não estar ligada diretamente com a chuva de meteoros, é um ponto de referência para quem pretende observá-la.

Esta chuva poderá ser vista em todo o planeta, uma vez que apenas 4% da lua estará iluminada, por isso procure um lugar pouco iluminado e desfrute deste momento astronómico. A lua estará em quarto crescente e irá deixar o céu escuro para podermos apreciar esta mostra. A melhor hora para assistir à chuva de meteoros Eta Aquarids é depois da meia noite, virado para leste.

100 ANOS DO ECLIPSE DE SOBRAL 

Este fenómeno astronómico não irá ocorrer em 2019, mas, dada a sua importância histórica e científica, deve ser relembrado neste mês, quando completa 100 anos.

O Eclipse de Sobral ocorreu a 29 de maio de 1919, durante um período de cerca de 5 minutos, no Estado de Ceará, no Brasil. Nesta data, com imensos cálculos posteriormente realizados, Charles Davidson e Andrew Crommelin reuniram uma série de telescópios e placas fotográficas numa praça em Sobral, para capturar imagens do Eclipse.

No mesmo dia, na Ilha de Príncipe, Arthur Eddington e Frank Dyson esperavam observar este fenómeno astronómico, mas o mesmo acabou por não se verificar, pois as condições meteorológicas não permitiram. Foi, então em Sobral que se deu uma das maiores observações celestes de todos os tempos. E porquê? Porque foi neste momento que se pôde comprovar a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein.

Esta teoria afirma que o tempo e o espaço são relativos e estão intimamente relacionados. Ou seja, Einstein constatou que o tempo pode ser acelerado ou desacelerado - pode passar mais rápido para uns e mais devagar para outros - e que, para fazer o tempo andar mais devagar para si, basta movimentar-se. Mas, como as velocidades que vivenciamos no dia a dia são muito pequenas e a diferença de tempo é ínfima. Deste modo, o tempo deixa de ser um valor universal e passa a ser relativo ao ponto de vista de cada um – daí o nome da teoria, “relatividade”.

Ao compararem as fotografias tiradas às estrelas próximas da coroa solar durante o Eclipse com fotografias das mesmas estrelas tiradas noutro momento, verificaram um desvio sofrido pela luz das estrela, por influência da gravidade do Sol.

Este fenómeno astronómico foi palco de um dos capítulos mais importantes da história científica, que este mês celebra 100 anos.

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