Espaço

O Curioso Caso da Lua Manchada de Sangue

Por Nadia Drake

15 Dezembro 2015

Curvando sobre a superfície de Tethy, a lua de Saturno, estão veios avermelhados – e os cientistas não têm qualquer ideia de que material se trata ou como foi lá parar.

“Está claramente pintado na superfície de alguma forma que nós ainda não entendemos”, diz Paul Schenk do Instituto Lunar e Planetário, que apresentou as observações na terça na reunião anual. “Basicamente, temos um pequeno mistério.”

Com pouco mais de 1,000 quilómetros de diâmetro, Tethys é uma lua de tamanho médio e composta quase praticamente por água gelada. À parte dos arcos avermelhados, a superfície é normal, dentro do que acontece com luas do sistema solar exterior: existe um grande número de crateras, incluindo de proporções gigantescas, com 450 quilómetros de largura, chamada de Odysseus, e muitas fraturas. E depois, existem os veios que têm alguns quilómetros de largura e centenas de quilómetros de comprimento.“Temos estas manchas ensanguentadas em Tethys,” afirma Schenk.

Os veios avermelhados eram vagamente visíveis nas primeiras imagens do veículo especial Cassini da NASA, que avançou para o sistema de Saturno em 2004. Foi apenas em abril que a Cassini viu de perto este trabalho artístico extraterrestre. Agora, depois de um voo próximo em novembro, os cientistas podem ver as manchas mais de perto, e o que estão a descobrir não faz muito sentido.

“Não existem vestígios de escarpas, cordilheiras ou depressões de qualquer tipo”, afirma Schenk, o que significa que não existe nenhuma evidência no terreno que se possa associar com estas manchas – ou pelo menos, nada suficientemente grande que possa ser capturado pela resolução da Cassini. Algumas das crateras circundantes têm um material escuro e estranho no seu interior, mas não é claro de que material se trata, como chegou ali ou se está sequer associado às manchas.

Ao invés, parece que alguém simplesmente pintou a lua de vermelho.

“Se não fossem coloridas, nem saberíamos que estavam lá” diz Schenk.

Talvez a melhor pista sobre a origem destes veios pode ser encontrada através do mapeamento das suas localizações na lua. Quando Schenk traçou as linhas sobre a superfície lunar, identificou um padrão que sugere que a lua está ser comprimida ou deformada por uma espécie de tensão global – como uma rotação irregular, uma órbita mutável ou a migração dos seus polos. No entanto, as simulações deste tipo de processos, não produz acidentes geográficos que encaixem exatamente onde se encontram as marcas.Apesar disso, uma coisa é clara: os veios são relativamente novos. Normalmente, a poeira do Anel E de Saturno e partículas carregadas do espaço apagariam os veios. Mas ainda lá estão e estão desenhados no topo da bacia de Odysseus, o que significa que a cratera surgiu primeiro. Os cientistas não têm a certeza da idade de Odysseus mas Schenk sugere não poderia ter surgido há mais de 2 biliões de anos.

O melhor palpite de Schenk é o de que os veios estão associados com fraturas que a Cassini não consegue captar e que essas fraturas se estão a formar atualmente ou que foram reativadas recentemente, expondo o material que poderá não ser água gelada como o resto da superfície do planeta.

Enquanto os dias de exploração da Cassini se aproximam rapidamente do fim, os cientistas esperam resolver este pequeno mistério – e inspecionar outros enigmas associados com o planeta gigante anelado com o seu conjunto de luas.

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