Espaço

Será Isto Um Lago Gelado em Plutão?

Por Nadia Drake

21 Março 2016

WOODLANDS, Texas – Líquidos podem ter-se juntado e escoado na superfície de Plutão nos últimos milhões de anos – e podem fazê-lo novamente, relataram cientistas a 21 de março na Conferência de Ciência Lunar e Planetária.

Apesar de não ser um dado adquirido, a presença de líquidos em Plutão seja em que altura, é surpreendente, dado que a temperatura média nesse mundo gelado anda à volta dos -240 graus celsius. No entanto, como a equipa da New Horizons da NASA estão a tomar conhecimento, Plutão é tudo menos um planeta morto – ou previsível.

“O que os dados revelaram não nos surpreendeu”, afirma Jim Green da NASA. “Chocou-nos”.

Duas linhas de evidência sugerem que a superfície do mundo anão poderá ocasionalmente ser ligeiramente mais húmido do que é agora. Uma é baseada em como a pressão atmosférica do planeta muda durante a órbita de 248 anos de Plutão e outra resulta de imagens recentes recebidas vindas do veículo espacial New Horizons, que passou por Plutão em julho de 2015.

Para começar, o eixo de Plutão está inclinado cerca de 120 graus – está tão inclinado que o seu polo norte está na realidade apontado para baixo (em comparação, a Terra está inclinada 23 graus). Enquanto Plutão orbita à volta do sol, experiencia algumas das mais extremas mudanças de estações no sistema solar, com partes delas oscilando entre meio século de luz solar e meio século de noite perpétua.Quando os cientistas simularam milhões de anos destas mudanças de estação, considerando que a inclinação de Plutão pode oscilar apenas ligeiramente, aperceberam-se que a atmosfera de nitrogénio de Plutão torna-se dramaticamente mais espessa e mais fina ao longo de milhões de anos.

“A pressão muda radicalmente”, afirma o investigador principal da New Horizons, Alan Stern. Hoje, diz, a pressão atmosférica de Plutão está “atipicamente baixa” dando nota que no seu máximo, pode estar 20,000 vezes acima da leitura atual.

Isto significa que as temperaturas à superfície devem oscilar o suficiente para alterar o nitrogénio na superfície de Plutão, levando-o de um estado sólido gelado para um estado gasoso. Por vezes, a temperatura e a pressão sobem ocasionalmente, o suficiente para o nitrogénio em estado líquido vir à superfície.

A última vez que as temperaturas estiveram suficientemente altas para derreter o nitrogénio, foi à cerca de 800,000 anos, quando o alinhamento orbital de Plutão levou ao extremo mais quente do seu clima, diz, Richard Binzel do MIT.

“O Plutão atual está numa fase intermedia entre os seus extremos climatéricos”, afirma Binzel.A seguir, enquanto a equipa da New Horizons estudava as imagens recebidas do veículo espacial, os cientistas começaram a identificar características da superfície que pareciam talhadas por líquido. “Vemos por todo o mundo o que para grande parte da nossa equipa se parecem com antigos lagos ou lagos congelados”, diz Stern. Aquele lago, localizado mesmo a norte do campo de gelo uniforme e brilhante conhecido como Sputnik Planum, mede cerca de 32 quilómetros de uma extremidade à outra. Existem também leitos de rios com bifurcações e canais cruzados que podem ter sido esculpidos por um corpo semelhante a um líquido.

Apesar de não ser inteiramente claro que tipo de líquido poderão ocasional correr pela superfície de um mundo a milhões de quilómetros do sol, o nitrogénio é um palpite aceitável. Outras possibilidades incluem néon, oxigénio molecular ou hélio molecular, apesar de não ser provável a existência dos mesmos em quantidade suficiente para criar as características que foram observadas.

“Esta história, como o próprio planeta, estão a evoluir”, afirma Stern.

De facto, enquanto o inclinado Plutão continua a seguir a sua trajetória à volta do sol, a sua temperatura continuará a subir e a descer, talvez ativar aquele nitrogénio congelado em outros milhões de anos e, mais uma vez, enviando-o através de canais e leitos fluviais.

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