9 Ideias Para as Crianças Ficarem Entusiasmadas com a História de Família

Esqueça os factos e as datas e concentre-se nas histórias. (Bónus: Pode fazer com que as crianças fiquem mais saudáveis.)

Tuesday, June 9, 2020,
Por Maryellen Kennedy Duckett
Fotografia de StockPlanets / Getty Images


Algumas das memórias de infância favoritas de Rachel Tinker foram criadas junto aos túmulos da sua família. As recordações dos seus pais de familiares que ela nunca conheceu, para além de histórias contadas pelos seus avós, ajudaram-na a conhecer as suas origens.

Aparentemente, os filhos de Rachel querem ter a mesma experiência. “Avô, conta-me uma história antiga”, é um dos pedidos que Allen, de 11 anos, costuma fazer quando está com o pai de Rachel. Através de histórias das aventuras de infância do avô, ao estilo de Huckleberry Finn, para além de histórias mais complicadas sobre tempos de pobreza, Allen está a aprender sobre a sua família – e sobre as suas origens.

“Isto demonstra às crianças que elas descendem de sobreviventes”, diz Rachel. “E passa a mensagem de que também elas vão conseguir ultrapassar as dificuldades que poderão encontrar na vida.”

Partilhar o percurso de uma família através de histórias é extremamente benéfico para as crianças e para as famílias, diz Bruce Feiler, que recolheu centenas de depoimentos sobre histórias familiares para o seu novo livro Life Is In the Transitions. Por exemplo, isto dá às crianças a noção de que fazem parte de uma narrativa familiar muito maior.

“Partilhar as histórias de família com as crianças permite que elas percebam que as pessoas que as rodeiam, as pessoas que amam, as pessoas que encaram como modelos, também enfrentaram obstáculos e que os superaram”, diz Bruce. “Não nos devemos ficar pelas pessoas que aparecem nos livros ou filmes. Devemos focar-nos nas pessoas que fazem parte das nossas vidas.”

Os benefícios
No seu livro The Secrets of Happy Families, Bruce Feiler cita as investigações da Universidade Emory que mostram que as crianças com maior conhecimento sobre a sua história de família têm mais autoestima, mais autoconfiança, menos problemas de comportamento e níveis mais baixos de ansiedade. De acordo com a especialista em desenvolvimento infantil Elaine Reese, que gere o Story Lab na Universidade de Otago, na Nova Zelândia, isto pode dever-se ao facto de as histórias de família darem às crianças uma sensação mais forte de ligação e de pertença, aumentando o seu bem-estar.

As histórias de família mostram às crianças que elas não estão sozinhas – e isso pode ajudá-las mais tarde na vida. “Quando estas crianças se deparam com dificuldades, parecem estar melhor equipadas para superar as adversidades”, diz Elaine, que pesquisa histórias de família há mais de 30 anos enquanto professora de psicologia do desenvolvimento nos Estados Unidos e na Nova Zelândia. “A partir das histórias de família, talvez as crianças possam reconhecer uma experiência semelhante que aconteceu a alguém que elas conheçam e de quem gostam.”

Despertar o interesse de uma criança sobre a história da sua família é mais fácil do que se pode imaginar. As crianças – sobretudo entre os 5 e os 12 anos – gostam de ouvir histórias de ficção contadas pelos pais. E as histórias de família da vida real não são diferentes. “Quando ouvem algumas destas histórias, geralmente pedem mais, ou pedem para que se repita as que gostam mais”, diz Elaine.

Os melhores momentos para se contar histórias de família acontecem durante as refeições, durante os passeios ou viagens e em ocasiões especiais como aniversários e férias. “Durante os aniversários, as crianças adoram ouvir histórias sobre o momento em que nasceram”, diz Reese, que escreveu o livro Tell Me a Story: Sharing Stories to Enrich Your Child’s World. “Mas muitas crianças preferem que se deixe de parte os momentos mais dolorosos.”

Começar uma história
Para quem não tem muitas histórias de família para contar, pode começar por criar uma. Experimente estas ideias comprovadas por especialistas.

Entreviste os mais velhos: Incentive as crianças a perguntarem aos avós, pais, tias, tios e a outros familiares sobre tópicos adequados para a sua idade, como por exemplo quais eram os seus brinquedos de infância preferidos, a casa onde viveram quando eram crianças, como conheceram a esposa e qual foi o momento mais importante da sua infância, diz Bruce Feiler. Se puder, grave as entrevistas para ficar com uma recordação em vídeo, ou solicite respostas por escrito para preservar as histórias e a caligrafia de um familiar.

Faça um “Jogo da Família”: Escreva uma pista sobre a história da sua família num dos lados de uma folha. (Por exemplo, o apelido de determinada pessoa que no secundário era conhecida pelo apelido de Pé Canhão, porque rematava a bola com muita força.) Escreva a resposta do outro lado da folha. Jogue por turnos, entre quem lê e quem adivinha, e continue a adicionar mais folhas ao longo dos anos.

Faça uma árvore genealógica: Use ferramentas como o Guia de Genealogia da National Geographic Kids para criar uma árvore genealógica, mostrando às crianças que estão ligadas a uma família maior. Depois, acrescente detalhes aos factos e histórias engraçadas para as crianças ficarem a conhecer melhor os seus familiares.
“A ciência da memória humana diz que os factos e as personagens – a bisavó Adele nasceu em 1887 em Key West – não são tão fáceis de recordar como uma história sobre um evento real da vida dessa pessoa, como aquele momento em que o pónei da bisavó foi apanhado a comer cubos de açúcar na despensa”, diz Elaine.

Faça uma caça ao tesouro: Se as crianças encontrarem um “tesouro” de família numa prateleira, pendurado numa parede ou no sótão, um adulto pode explicar a história de origem desse objeto, diz Bruce. (Para manter as coisas mais frágeis em segurança, pode definir algumas regras básicas como “apontar, mas não tocar”, antes de deixar as crianças partirem numa caça ao tesouro.)

Crie histórias em família: “À mesa de jantar, comece uma história sobre as últimas férias de família”, diz Elaine. “Cada pessoa repete o que foi dito pela outra e acrescenta mais um bocado à história: ‘Fizemos uma fogueira’... ‘Fizemos uma fogueira e assámos chouriço.’” Os pais podem ter de ligar os eventos ou criar um final positivo.

Partilhe histórias relevantes da sua infância: Por exemplo, se o seu filho não conseguiu entrar para a equipa de futebol, diga-lhe que também ficou desapontado quando passou pelo mesmo, mas explique que acabou por fazer amigos e por se divertir a jogar casualmente. “Mantenha estas histórias curtas e evite sermões”, diz Elaine.

Faça uma noite autobiográfica: Bruce sugere que ocasionalmente se transforme o jantar de família numa sessão de histórias, onde todos contam uma história pessoal. Para evitar os momentos de pressão, peça a todos antes de jantar para prepararem uma história de três minutos.

Partilhe memórias de culinária: Enquanto estiver a fazer um bolo ou a cozinhar com as crianças, partilhe alguns momentos da história culinária da sua família, como por exemplo qual era a sua comida preferida quando era criança, quem lhe ensinou a cozinhar e os aromas que se lembra da cozinha dos seus avós.

Faça uma viagem virtual: Use o Google Street View para mostrar onde a sua família viveu, como por exemplo a casa de infância dos seus pais, a sua escola primária, ou a igreja onde os seus bisavós se casaram.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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