Com Estas Ideias Criativas, os Pais Não Precisam de Cancelar o Halloween

Os doces ou travessuras podem parecer diferentes durante a pandemia, mas as crianças ainda podem desfrutar de brincadeiras assustadoramente divertidas.

Monday, October 12, 2020,
Por Jamie Kiffel-Alcheh
Fotografia de ArtMarie / Getty Images

No ano passado, Melody Raidy, que vive em Louisville, nos EUA, levou os seus fiilhos a uma plantação de abóboras, a um zoo, a um jardim botânico e a uma casa assombrada para brincarem ao Halloween. Melody até fez bolinhos e construiu uma casa assombrada com eles.

Este ano, Melody não sabe se os seus filhos vão brincar aos doces ou travessuras.

De acordo com a Federação Nacional de Retalho dos EUA, no ano passado, os americanos gastaram cerca de 8.8 mil milhões de dólares em itens para o Halloween, como fatos, doces e decorações. O Halloween de 2020 foi projetado para ser ainda maior, graças à lua cheia, ao feriado a um sábado e ao horário de inverno que nos EUA começa à meia-noite.

Mas a pandemia alterou todos estes planos. Recentemente, o Centro de Controlo de Doenças (CDC) dos EUA publicou diretrizes para o Halloween onde desaconselha as tradicionais brincadeiras de doces ou travessuras. E por todo o país, várias comunidades anunciaram as suas próprias soluções assustadoras: o condado de Los Angeles desaconselha de forma veemente as atividades onde se pedem doces porta à porta, e proíbe todas as festas de Halloween (mesmo ao ar livre); em Springfield, no Massachusetts, as brincadeiras de doces ou travessuras foram oficialmente canceladas.

“Eu disse à minha filha mais velha que o Halloween tinha sido cancelado”, diz Liany Arroyo, de Hartford, no Connecticut. “Ao início, ela não acreditou em mim. Mas agora, já acredita.” E muitos pais afirmam que os seus filhos concordaram relutantemente em aceitar um saco de doces e dar a noite por encerrada. Mas será que é preciso ser assim?

Não devemos ter ilusões: independentemente da forma como escolhemos celebrar o Halloween, o distanciamento social, as máscaras e a lavagem das mãos ainda são medidas críticas para evitar a disseminação de COVID-19. Mas muitos especialistas dizem que esta diversão ainda pode ser feita com alguma flexibilidade e criatividade.

“Quando as pessoas se habituam a um novo normal, tornam-se criativas e inovadoras”, diz Aaron Milstone, professor de pediatria e doenças infecciosas da Universidade Johns Hopkins. “Eu disse na brincadeira a uma criança que ela podia usar uma pequena rede de pesca, como um camaroeiro. As crianças ainda podem pedir os seus doces de muitas formas divertidas e inteligentes.”

Jacqueline Rhew, terapeuta e consultora pediátrica clínica do Instituto de Medicina Comportamental da AMITA Health, acrescenta: “Estamos a ensinar aos nossos filhos a serem flexíveis e que, por vezes, as coisas diferentes são ainda melhores. Trata-se de criar novas tradições.”

Como brincar aos doces ou travessuras em segurança
As brincadeiras tradicionais de doces ou travessuras são consideradas de risco elevado pelo CDC, pelo que alguns pais estão a criar um “trajeto seguro” com algumas famílias de confiança que concordam com protocolos de segurança delineados para o Halloween, protocolos que incluem a preparação e distribuição de doces. As crianças só podem pedir guloseimas nesse trajeto.

Colocar doces em sacos espaçados junto à entrada de uma casa também é menos arriscado do que pedir doces porta a porta. Algumas casas também podem oferecer um balde comunitário com doces para evitar as interações cara a cara, mas os pais devem ser cautelosos com todas as mãos minúsculas que vão mexer nas guloseimas.

“Lavar as mãos é a coisa mais importante”, diz Aaron Milstone. “Os vírus não nos afetam, a não ser que os coloquemos na boca.” Isto significa que, mesmo que a embalagem esteja infetada (a maioria dos cientistas concorda que o vírus não se propaga facilmente através de superfícies, como embalagens de doces), o doce no interior da embalagem não está. Aaron diz que, desde que as crianças lavem bem as mãos depois de desembrulharem os doces, os riscos de os comerem são baixos.

Como medida extra de segurança, Aaron diz que os pais podem limpar os embrulhos dos doces com álcool, ou com um toalhete desinfetante, antes de deixarem as crianças abrir as embalagens. (Isto não significa que as crianças podem comer antes de lavarem as mãos!) Mas se os seus monstrinhos não conseguirem esperar até chegarem a casa para comer os doces, Aaron aconselha que se leve desinfetante para as mãos. (De preferência um desinfetante que tenha pelo menos 60% de álcool.)

Qualquer aventura de Halloween ao ar livre também deve incluir máscara e distanciamento social. Aaron acrescenta que, mesmo que as crianças andem perto de outras pessoas no passeio, isso não deve ser motivo de grandes preocupações. “Acreditamos que não há muitos riscos com as pessoas que estão apenas de passagem. Trata-se sobretudo dos contactos de proximidade mais prolongados e das pessoas com quem interagimos nestas brincadeiras de doces ou travessuras.”

Fatos criativos
Para quem quer sair de casa, os equipamentos de proteção individual para as crianças – e não só – são obrigatórios, mas isto não significa que não podem usar um fato de Halloween.

“O que é que as crianças podem vestir que incorpora naturalmente uma máscara?” pergunta Edward Perrotti, organizador de eventos em Hollywood. “Podem mascarar-se de médico? Bombeiro? Uma família pode vestir-se como uma equipa socorristas?”

Os fatos insufláveis são projetados para serem um sucesso ao nível do distanciamento social. Shelly Vaziri Flais, da Academia Americana de Pediatria, acredita que este ano iremos ver muitos ninjas e crianças com fatos de biocontenção. E as próprias máscaras podem fazer parte do fato.

“Gosto da ideia de um fato de gato em que a máscara tem bigodes e nariz”, diz Sarah Fankhauser, professora assistente de biologia e especialista em doenças infecciosas no Oxford College da Universidade Emory. “Deve ser muito simples pegar numa máscara de tecido e usar um marcador para fazer todos os tipos de caras de animais.”

Mas é preciso lembrar que nem todas as máscaras oferecem proteção adequada. “Qualquer coisa que permita a entrada ou saída de gotículas não tem a mesma eficácia que um pano ou uma máscara cirúrgica”, diz Aaron Milstone.

Isto inclui as máscaras de borracha com orifícios para o nariz ou para os olhos, e as máscaras de tecido em que as crianças conseguem ver através da máscara. “Se conseguimos ver através da máscara, provavelmente não oferece muita proteção”, diz Aaron.

Festejar... ou não
Onde é permitido, alguns pais estão a optar por pequenas festas de Halloween em vez de brincadeiras tradicionais. Mas mesmo num ambiente ao ar livre, com equipamentos de proteção e distanciamento social, o CDC diz que estes ajuntamentos de pessoas continuam a apresentar riscos moderados de infeção. “O uso de máscara, a lavagem das mãos e o distanciamento físico devem fazer parte de qualquer festa, independentemente do número de pessoas envolvidas”, diz Aaron. “As festas ao ar livre são mais seguras do que as festas em espaços fechados.”

Para os pais que não querem que os seus filhos participem em festas de Halloween, Shelly Flais diz que, mesmo assim, os pais devem capacitar os filhos com desculpas razoáveis para responderem aos amigos, como por exemplo, para proteger as pessoas da sua família que são mais vulneráveis. “É importante que as crianças aprendam a falar com os seus amigos sobre o que está correto”, diz Shelly. “Tenho dito às famílias que é apenas um dia, mas é um dia que pode ter um efeito dominó na saúde de outras pessoas nos dias seguintes.”

A reação dos pais é o que geralmente determina a aceitação de notícias dececionantes por parte dos filhos, como o cancelamento de planos para uma festa. “Os adultos precisam de permanecer calmos e não se devem stressar muito, porque as crianças percebem a ansiedade nos adultos”, diz Jed Magen, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Estadual do Michigan. “Os pais podem dizer que irão existir outras ocasiões em que os filhos podem participar, mas que este é um ano especial.”

Jacqueline Rhew concorda: “As crianças seguem a nossa liderança. Por isso, se dissermos que estamos muito entusiasmados para ver o que vai acontecer, as crianças também ficam animadas. Se as crianças não conseguirem lidar com as mudanças, temos de as ajudar.”

Mais ideias seguras e assustadoras
“As crianças reagem melhor quando existem instruções claras e alguma margem de manobra dentro dessas diretrizes”, diz Kelly Banneyer, psicóloga do Hospital Texas Children's. Para além de poderem pedir doces com um camaroeiro, o que é que as crianças podem fazer este ano? Eis algumas ideias festivas.

Caça aos doces. Ainda se pode brincar aos doces ou travessuras – mesmo que não se saia de casa. Assombre o seu lar escondendo guloseimas por toda a casa... e pode colocar alguns sustos surpresa entre os doces. Para fazerem um passeio em segurança ao ar livre, algumas famílias estão a criar pequenas caças ao tesouro para as crianças, pedindo aos vizinhos para esconderem guloseimas nos seus quintais.

Doces socialmente distantes. Para os pais que optem por manter as crianças em casa, mesmo que outros meninos brinquem na rua, devem deixar as crianças divertirem-se distribuindo doces – de uma nova maneira. “Tenho pensado em todos os tipos de formas divertidas para proporcionar algo semelhante aos doces ou travessuras, desde usar calhas da chuva com doces espaçados por três metros, um canhão pneumático para atirar doces, ou aquelas coisas que as pessoas usam para atirar bolas de ténis para os cães apanharem”, diz Tom Nardone, entalhador profissional de abóboras. Mais ideias: um escorrega com doces que vem desde o segundo andar, ou um escorrega na janela.

O poder da abóbora. O CDC refere que as decorações com abóboras são uma das formas mais seguras de ainda podermos brincar ao Halloween. Tom Nardone, autor do livro Extreme Pumpkins, está a fazer um concurso virtual de abóboras para motivar os escultores mais novos. Tom também dá uma dica: para que uma abóbora esculpida dure mais tempo, borrife a abóbora com um spray que tenha lixívia. “Não vai branquear a abóbora, mas vai fazer com que fique preservada mais tempo”, diz Tom.

Assustadoramente bom. Mesmo que se fique fechado em casa, isso não significa que as crianças não podem partilhar. “Podemos encher e selar sacos com doces para entregar num centro comunitário”, sugere Edward Perrotti. Jacqueline Rhew concorda: “Pense em todas as pessoas nos lares de idosos e lugares onde estão isoladas. Será que podemos criar cestos e cartões com a temática Halloween? Será que podemos oferecer em vez de fazermos as coisas só para nós? Ajudar os outros pode criar um novo tipo de alegria no Halloween.”


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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