Os Fotógrafos da National Geographic Elegem as Melhores Fotos das Suas Mães

Para muitos fotógrafos da National Geographic, as suas mães foram quem primeiro lhes deu apoio e, no caso de alguns, foram mesmo os primeiros modelos das suas fotografias.

Saturday, May 5, 2018,
Por Melody Rowell
Mulheres à volta de bebé
Fotografia de Ivan Kashinsky

Em homenagem ao Dia da Mãe, convidámos fotógrafos a partilhar fotos e histórias das suas mães. Nestas imagens, vemos as mães dos fotógrafos ao longo dos anos — desde os primeiros dias, quando elas ainda escolhiam as roupas dos seus filhos, aos últimos anos das suas vidas, quando já recebiam cuidados. Mas independentemente da época, das roupas ou das expressões, vemos fotografias impregnadas de amor.

Fotografia de Maggie Steber

Maggie Steber

"Eu aposto que a minha mãe se levantou todos os dias da sua vida às cinco da manhã. Quando ela começou a sofrer de perda de memória, encontrei um espaço maravilhoso para ela perto da minha casa. Mulheres romenas e cubanas, com ar forte e carinhoso, cuidavam dos residentes, davam-lhes abraços, arranjavam-lhes o cabelo, pintavam as unhas, vestiam todos os dias para que estivessem sempre com um aspeto cuidado e impecável, e levavam-lhes o pequeno-almoço à cama.

"Fosse a que horas fosse que acordasse, os prestadores de cuidados levavam-lhe sempre o pequeno-almoço. Isto pode parecer um pormenor sem importância, mas tem um valor enorme. A minha mãe estava a viver uma vida de luxo num local que não era caro, mas tinha riqueza nos cuidados prestados. Era frequente passar a noite com ela e também a mim me traziam o pequeno-almoço.”

"Mas do que eu realmente gostava era de a observar sentada na cama, iluminada pela maravilhosa luz da manhã que entrava pela janela, enquanto ela bebia o café, sem pressas, limitando-se a olhar de frente para um novo dia que começou apenas no momento em que ela se sentiu preparada para tal... um presente pela manhã."

Fotografia de Sarah Leen

Sarah Leen

A minha mãe, Ethel Francis Rose Leen, cresceu num minúsculo porto de Terra Nova chamado Jersey Harbor. Com 214 habitantes. Um local a que só se conseguia chegar de barco, pois não havia estradas que o ligassem a nenhuma parte de Terra Nova.

"Em 1969, todas as casas da localidade foram levadas por água da baía até Harbor Breton, uma localidade maior, com estradas e eletricidade. Jersey Harbour foi abandonada; os únicos habitantes que ficaram foram as sepulturas dos meus antepassados.

"Quando a minha mãe tinha pouco mais de 80 anos, fizemos uma viagem para descobrir as nossas 'raízes' na Terra Nova. Fomos de carro até Harbor Breton e tivemos de aguardar quatro dias para o nevoeiro cerrado se dissipar e um pequeno barco nos poder levar até ao que tinha restado daquela localidade. 

"Quando lá chegámos, caminhámos pelas ruas cobertas pela vegetação, visitámos as lápides de mármore branca dos meus avós e de um tio e uma tia que tinham falecido muito jovens. Ela mostrou-me onde ficava a casa deles e onde ficava a loja, exatamente na margem onde os navios grandes podiam atracar.  E depois, à medida que o nevoeiro voltava a baixar à nossa volta, apressámo-nos a regressar à baía.

"O Dia da Mãe passou a ser um momento de reflexão desde que a minha mãe faleceu há já vários anos. É agora um dia de boas lembranças e alguma tristeza. Ela era a cola que mantinha a família unida; sem ela, somos mais peças soltas do que um todo."

Fotografia de Ivan Kashinsky

Ivan Kashinsky

"Eu morava no Equador há dez anos, quando o meu filho nasceu. Foi pouco antes do Dia da Mãe, há dois anos, quando os meus pais vieram visitar o único neto deles, o meu filho, Nahuel. Foi um momento muito especial, quando a bisavó, a avó e a mãe do Nahuelito se sentaram ao lado dele na cama. Quando a minha mãe estendeu a mão para acariciar a cabeça dele, completou-se um círculo mágico de amor."

Fotografia de Sam Abell

Sam Abell

"Esta é uma imagem da minha mãe, Harriett Lockwood Abell. Ela foi fotografada comigo e com o meu irmão Steve (à esquerda). A fotografia foi tirada na Páscoa. O nosso pai, Thad S. Abell, tirou a fotografia em nossa casa, em Sylvania, Ohio, em 1952. A fotografia é uma representação emblemática da forma como a nossa mãe nos vestia — como se fossemos gémeos —  quando éramos pequenos. Era uma caraterística da época."

Fotografia de Ed Kashi

Ed Kashi

"Este tríptico de imagens foi feito em 1997, a única vez que o meu filho esteve com a minha mãe. Ela morreu dois anos depois. Quando olho para esta sequência de imagens, lembro-me da alegria que a minha mãe sentiu por ir conhecer o seu neto, e de como o pequeno Eli, que tinha apenas um ano, não tinha a noção de quem ela era e de que nunca mais visitaria a sua única avó viva. As fotografias capturam e preservam a nossa memória. Se, pelo menos, pudessem trazer de volta momentos raros como este."

Fotografia de Robert Clark

Robert Clark

"Tirei esta fotografia da minha mãe há alguns anos. Ela faz 90 anos este verão. A minha mãe, assim como o meu pai, pertencem verdadeiramente à grande geração, e a Segunda Guerra Mundial moldou a forma como veem o mundo.  Trabalhar arduamente e sem reclamar. Dora Lou é mãe de seis e viveu na sua cidade-natal, Hays, Kansas, durante a maior parte da sua vida."

Fotografia de Ciril Jazbec

Ciril Jazbec

"Ela adora a natureza e os locais tranquilos. Este local, que não fica longe de casa, é um sítio a que ela chama 'Terra Mágica'."

Fotografia de Lynn Johnson

Lynn Johnson

"A minha mãe tem 91 anos. Ela tem um espírito ágil. Tem já algumas maleitas e dores e, por isso, é-lhe difícil andar pelo apartamento ou pelas ruas da comunidade. Mas, sempre que me vou embora, depois de cada preciosa visita, ela vem sempre à porta e fica de pé, a sorrir e a acenar, até que eu fique fora da vista dela. "Amo-te" são as últimas palavras que trocamos no corredor imediatamente antes de a porta do elevador fechar. A minha mãe é uma dádiva, em todos os sentidos."

Fotografia de Karla Gachet

Karla Gachet

"A personalidade da minha mãe oscila entre dois extremos do espectro. É a pessoa mais complexa e frágil que alguma vez conheci. Não posso dizer a primeira coisa que me passa pela cabeça à minha mãe; preciso de escolher cuidadosamente as palavras porque senão ela pode ficar magoada para sempre. Se fechar os olhos, consigo sentir as suas mãos brancas macias, compridas e magras a apaziguarem-me. Ela move-se pela vida como uma fada, sem ter noção da força e da influência que tem sobre todos nós, humanos que fazem parte do mundo dela. Quanto mais eu envelheço, mais ela se torna um mistério e mais eu anseio pelos poderes dela.

Fotografia de David Alan Harvey

David Alan Harvey

"Tudo se passou num domingo, o ano era 1958, em que eu estava a fotografar um ano na vida da minha família com a minha nova/usada Leica IIIF, que tinha comprado com o dinheiro ganho a distribuir o jornal. Tinha 14 anos. A minha mãe olhou para mim de forma calorosa enquanto a família entrava na nossa carrinha, e lá fomos nós passear em família. Um domingo normal para nós depois da missa. Como a maioria dos pais, o meu ausentava-se muito, e foi a minha mãe que me ajudou a construir o quarto escuro na cave e que me incentivou a seguir a minha paixão por fotografia desde o primeiro dia."

Fotografia de Joel Sartore

Joel Sartore

"A menos que tenha sido convidado, Sharon Sartore não deixava ninguém entrar na sua cozinha.

E eu ficava de pé, ao lado, para conseguir fotografá-la ao acaso, sem que ela se apercebesse. Neste caso, com o jantar da Ação de Graças bem encaminhado, ela ria enquanto recitava uma das suas frases preferidas: "O galo canta, mas é a galinha que põe os ovos."

Fotografia de Joe McNally

Joe McNally

"Na última vez que vi a minha mãe, eu sabia que não voltaria a vê-la. Estava em viagem, e ela estava a perder a vida, dia após dia. Despedimo-nos, apesar de não ter a certeza de ela me reconhecer completamente. A luz e a janela serviam de enquadramento. Tirei algumas fotografias. Ela morreu quando eu estava em Singapura. Não consegui ir ao funeral. É a vida de um fotógrafo — às vezes, as coisas acontecem e nós não estamos lá.

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