Fotografia

A Cauda Desta Baleia Venceu o Concurso de Fotografia

O encanto pelas baleias levou esta fotógrafa a mergulhar em águas japonesas, arrecadando o primeiro prémio do concurso de fotografia de viagens.quarta-feira, 4 de julho de 2018

Por Sarah Polger
Uma baleia-corcunda jovem nada perto da ilha de Kumejima, no Japão.

Até ao ano passado, a fotógrafa Reiko Takahashi trabalhava como engenheira de sistemas semicondutores, fazendo umas pausas no trabalho ao longo do ano, para dar vida à sua paixão pela vida marinha, pelo mergulho e pela fotografia subaquática. Depois, no início de 2018, uma viagem de última hora para praticar snorkeling ao largo da costa da ilha de Kumejima, perto de Okinawa, no Japão, pôs, pela primeira vez, a fotógrafa frente a frente com as baleias-corcunda, onde, involuntariamente, captou a imagem que arrecadou o primeiro prémio do concurso de fotografia de 2018 da National Geographic, que distingue o melhor fotógrafo de viagens do ano.

“Estava ansiosa por testemunhar a ligação entre uma baleia-corcunda e a sua cria”, recorda Takahashi. Fascinada pela proximidade dos laços entre as baleias e a sua prole e o tempo que passavam juntas no princípio da vida, Takahaski dedicou-se ao estudo destes animais. Embora já tivesse fotografado muitos tipos de vida marinha, desde tubarões, mantas, xaréus, entre outros, ainda lhe faltava nadar com as baleias-corcunda, uma espécie que ansiava por conhecer em pessoa. “Desenvolvi quase uma espécie de obsessão por estas baleias”, admite.

Takahashi planeou uma viagem breve, de dois dias, para praticar snorkeling nas águas perto da ilha de Kumejima, uma zona de cria para as baleias-corcunda. As condições de mergulho eram boas, em grande parte devido ao clima temperado da região. Takahashi juntou-se a um grupo de praticantes de snorkeling em alto mar.  Um guia especializado instruiu-os sobre as melhores práticas para assegurar a segurança quer das baleias, quer dos mergulhadores, incluindo conselhos para entrar na água da forma mais silenciosa possível, limitando os movimentos ao mínimo e mantendo uma distância de segurança dos animais.

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Embora os visitantes da ilha de Kumejima partam, muitas vezes, na esperança de poder vislumbrar as baleias-corcunda e a sua prole, o avistamento não é garantido. Na manhã em que Takahashi nadou nas águas quentes do mar, uma baleia-corcunda fêmea e a sua cria surgiram na zona e Takahashi fotografou, ternamente, a dupla. A cria brincalhona nadou em direção aos mergulhadores, agitando a cauda e as barbatanas, enquanto Takahashi imaginava a imagem que esperava criar com este momento especial.

“Eu estava a nadar atrás da cria. Imaginei o dorso da pequena criatura sob a calma das águas à superfície”, diz. “Apaixonei-me completamente pela cria e pela cauda, que se agitava energética, grande e bela”. A imagem que idealizou consumou-se”. “Naquele dia, senti um amor profundo entre a progenitora e a cria. O jovem animal agia genuinamente, mostrando curiosidade, enquanto a progenitora o observava com desvelo. Foi um momento especial para mim, poder tirar uma fotografia da cria, completamente relaxada em águas calmas.”

Estes momentos são a razão que alimentam a paixão de Takahashi pela fotografia subaquática. “Nós vivemos em terra firme, mas a paisagem subaquática é diferente. Organismos vivos, plantas e minerais são todos ligeiramente diferentes”, afirma. “Creio que mergulhar nas águas do mar profundo deve ser semelhante a escalar o Evereste. Não é um lugar ao qual se aceda facilmente. Para mim, é um lugar especial e sagrado. O mar domina uma vasta área do nosso planeta e é um espaço de aventura, onde podemos ter encontros de terceiro grau.”

Takahashi aconselha os aspirantes de fotografia subaquática a investigar a fundo os animais que tencionam fotografar, antes de partir para o terreno. É essencial compreender os seus comportamentos e identificar aquilo que os perturba. Quando chegar o momento de fotografar, há que saber esperar e observar os animais, antes de começar a disparar. “Imaginem a composição da fotografia no vosso coração e fotografem a seguir.”

Takahashi viaja, atualmente, pelo globo e todos os meses descobre novos lugares, incluindo a Tailândia, as Galápagos, o México, Palau, Taiti, entre outros, para continuar a evoluir na fotografia subaquática. Os meses de inverno no Japão trazem consigo a oportunidade de observar as baleias, mas Takahashi tem outros planos. “Eu não posso esperar tanto tempo, por isso decidi ir para Tonga.” Este outubro, Takahashi partirá para o Pacífico Sul, levando consigo a máquina fotográfica, na esperança de avistar mais uma vez pares de progenitoras e crias da baleia-corcunda.

Quando Takahashi pensa sobre a decisão que tomou ao largar o seu trabalho nas engenharias para seguir a sua paixão, recorda dois acontecimentos que pesaram na avaliação: a perda de um amigo chegado e o discurso de Steve Jobs, que marcou a cerimónia de finalistas, na Universidade de Stanford em 2005. Jobs disse que fez a si mesmo a seguinte pergunta: “Se hoje fosse o último dia da minha vida, quereria fazer aquilo que estou prestes a fazer hoje? E, se a resposta for não durante vários dias consecutivos, eu sei que tenho de mudar alguma coisa.”

Estes dois momentos tornaram tudo mais claro para Takahashi e acabaram por levá-la a decidir-se pela fotografia a tempo inteiro. “Senti que a vida era finita e queria usar o meu tempo para me dedicar àquilo de que gosto realmente.”

*As citações foram editadas por motivos de extensão e clareza.

 

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