Imagens Extraordinárias Levam-no ao Fundo do Mar

Um instrutor de mergulho combina a sua paixão pela fotografia e pela conservação dos oceanos para gerar impacto e sensibilizar o público.quarta-feira, 4 de julho de 2018

Por Sarah Polger
Fotografias Por Shane Gross
Os cações-coralino.
Os cações-coralino nadam nas proximidades de uma objetiva em Jardines de la Reina, em Cuba. Gross fixou a máquina fotográfica sobre uma rocha e orientou-a na direção da superfície do oceano, usando um temporizador remoto para captar imagens dos tubarões, sempre que passassem à frente da máquina. Sem a presença de um mergulhador que os afugentasse, havia sempre a possibilidade de serem curiosos e nadarem em direção à máquina”, diz o fotógrafo Shane Gross.
Fotografia de Shane Gross, National Geographic Your Shot

“A diferença entre o mundo subaquático e o exterior é o que torna a fotografia tão especial”, afirma o fotógrafo Shane Gross. Com uma paixão desde os tempos de infância pela conservação dos oceanos, Gross sonhava passar a vida no mar. Com o tempo, o seu percurso na biologia marinha evoluiu para a fotografia. “Encontrei na fotografia a melhor forma para estar perto dos animais que admiro”, diz Gross.

Hoje, Gross, vive e trabalha nas Bahamas como instrutor de mergulho e dedica-se à fotografia durante o ano inteiro. Participou no concurso da National Geographic Fotógrafo do Ano de 2017 para divulgar o seu trabalho. “Não sinto que seja o único a manifestar apreensão pelos problemas que o nosso planeta enfrenta atualmente, mas entendo que pôr ao serviço da conservação dos oceanos o meu talento e a minha paixão pode fazer a diferença e é isso que me move hoje em dia”, afirma.

Gross planeia as sessões fotográficas ao pormenor, muitas vezes trabalhando em parceria com cientistas no próprio local, para compreender os animais e os ambientes que fotografa. Quando visitou a reserva marinha do arquipélago de Jardines de la Reina, em Cuba, Gross queria captar uma nova perspetiva dos tubarões, que vivem na região. Gross fixou a máquina fotográfica sobre uma rocha e orientou-a na direção da superfície do oceano, usando um temporizador remoto para captar imagens das formas de vida, que habitam a zona. “Estes tubarões não são propriamente tímidos, mas ainda assim mantêm uma distância de segurança de um metro e meio dos mergulhadores, por isso quis excluir-me da equação. Sem a presença de um mergulhador que pudesse afugentá-los, dei-lhes margem para a curiosidade, na esperança de que se aproximassem da máquina fotográfica. Não consegui a fotografia que tinha em mente, mas estas imagens superam tudo aquilo que eu pudesse ter imaginado.”

Para captar um plano próximo e muito pessoal de um crocodilo, a planificação de Gross começou muito antes de entrar na água. “Preparei-me durante cerca de seis meses antes de pôr o pé na água, por isso, quando avistei o primeiro crocodilo nos mangais, estava ansioso por mergulhar”, recorda Gross. A paciência foi o elemento-chave para captar o impressionante reflexo subaquático. “O crocodilo era realmente tímido. Foram precisas duas horas para me aproximar lentamente do animal, até que ele se sentisse confortável com a minha presença. Fiz uns quantos disparos até começarem a gritar à superfície de que estava na hora de ir embora. Nunca se consegue ter o tempo que se quer, quando se fotografa debaixo de água.”

O que se segue para Gross? O fotógrafo encontra-se neste momento a trabalhar numa história sobre o mero-crioulo, uma espécie de peixe das Caraíbas ameaçado pela extinção, que ainda surge, com frequência, na ementa de muitos restaurantes das Caraíbas. Em novembro de 2017, Gross deslocar-se-á, com uma equipa de cientistas, a uma conhecida zona de desova. “No ano passado, ainda nos deslocámos ao local, mas falhámos o momento. Encontrámos, no entanto, armadilhas ilegais cheias de meros no interior. Espero ter uma sorte diferente este ano e os meros também.”

Gross conserva esta paixão por sensibilizar e educar o público através de fotografias que contam a história do oceano e da vida marinha. “Se não tem a certeza de que o peixe que está no seu prato é sustentável ou se nunca se interrogou sobre o impacto da sua dieta alimentar, considere estas imagens como uma chamada de atenção. Aquilo que compra no supermercado ou come num restaurante tem enormes repercussões nos ecossistemas.”