Fotografia

Estas fotografias transportam-nos para um casamento muçulmano na Europa

Em Ribnovo, na Bulgária, os casamentos tradicionais de inverno de muçulmanos eslavos\u2014 Pomaks\u2014chegam a durar dois dias e envolvem toda a aldeia.

Por Becky Little

27 abril 2016

A crise de refugiados sírios trouxe a atenção internacional para os muçulmanos na Europa. Deu ainda origem a uma nova onda de sentimentos anti-islâmico. Mas tal como o fotógrafo Guy Martin mostra nas suas fotos de Ribnovo, na Bulgária, as comunidades de muçulmanos estão há muito estabelecidas no Continente.A aldeia remota de Ribnovo é uma das duas no país que mantém os tradicionais casamentos de muçulmanos eslavos— ou Pomaks. Estes ocorrem a cada inverno, a temporada tradicional de casamentos.

Os casamentos Pomaks em Ribnovo duram dois dias inteiros, abrangendo todo o fim de semana. Todos os fins de semana de inverno em Ribnovo, vêem-se pessoas a dançar, a comer e a construir quartos elaborados para celebrar os noivos e noivas. Estes quartos, diz Martin, são montados cedo no sábado de manhã no exterior da casa de família da noiva. Eles pretendem demonstrar à família, amigos e vizinhos como será a nova vida do casal e é também uma forma de exibicionismo: quanto maior e mais elaborado for a réplica do quarto, melhor.

Logo depois, amigos e vizinhos chegam com presentes, que deixam no exterior da casa de família da noiva. Martin diz que a família da noiva também constrói andaimes de madeira com 20 pés de altura (6 metros) do lado de fora da casa, onde as pessoas penduram cobertores, tapetes, carpetes e roupas—[alguns] artesanais, outros comprados—para os noivos terem na sua nova casa.

O envolvimento da comunidade é a chave. Martin diz que o andaime, por exemplo, normalmente precisa de “cerca de 10 a 15 homens para construir.” Depois há ainda a tarefa de montar todo o quarto e desmontar no final do dia. “É preciso um exército de 50 a 60 pessoas para cada casamento,” diz Martin.

Depois do espetáculo do quarto de manhã, a família da noiva é a anfitriã de uma celebração sábado à tarde. Os Pomaks comem, colocam dinheiro na noiva e no noivo e dançam a tradicional houra na praça da vila. Mais tarde, à noite, a noiva e as suas amigas podem pintar as mãos com henna. Os jovens vão acabar a noite nos cafés, a fumar e conversar.No dia seguinte, acontece tudo outra vez. A réplica do quarto e os presentes surgem de manhã; a família do noivo é a anfitriã da festa durante a tarde.

Mas no domingo à noite, a noiva não tem apenas as mãos pintadas com henna. Ela também se deita, enquanto as suas amigas e parentes decoram o seu rosto cuidadosamente com pinta branca e jóias—uma processo chamado gelina que Martin diz que pode demorar horas.Depois, a noiva é erguida com os olhos fechados e encaminhada para fora da casa dos pais. Martin diz que é simbólico, “porque ela está a sair daquela casa e não irá voltar lá para viver.”

Nesse momento, uma multidão reúne-se no exterior e os noivos ficam perante ela durante cerca de uma hora, a receber presentes e tirar fotografias (tudo isto enquanto os olhos da noiva permanecem fechados). Um imã pode dizer uma bênção ou uma oração. Em seguida, a noiva começa a sua caminhada cerimonial para a casa da família do marido.u201cA noiva e o noivo—não interessa se vivem um ao lado do outro ou a uma milha de distância—vão ter de andar … enquanto os olhos dela ainda estão fechados,” diz Martin.

Uma vez que chegarem, a família do noivo segue os recém-casados até ao seu quarto. Os parentes do noivo podem levantar um véu vermelho do seu rosto—um regresso aos tempos em que todos os casamentos eram arranjados—para que possam simbolicamente conhecê-la.Depois disso, todos (finalmente) deixar os recém-casados ficarem sós, durante três dias inteiros.

Atualmente, os jovens em Ribnovo vão para fora à procura de trabalho—às vezes durante uma parte do ano ou mesmo o ano todo. E à medida que o namoro se torna mais aceitável, os casamentos arranjados são cada vez menos comuns. (Alguns jovens Pomaks pulam a cerimónia elaborada por outro motivo—que tem menos a ver com a tradição, mas sim com finanças. Afinal, é preciso mesmo muito dinheiro para ter um casamento comum.)

Embora Martin afirme que a tradição dos casamentos Pomak está firmemente no seu lugar, resta ver se os jovens de Ribnovo—expostos a novas ideias quando vão para fora—vão continuar a ir a casa para se casar.

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