A Rainha Isabel II e o Reinado que Quebrou Todos os Recordes em 14 Fotografias

A Rainha Isabel II, com 91 anos de idade, sempre enfatizou que o seu papel não consiste em reinar mas, sim, em servir.quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Tenho de confessar que nunca fui aquilo que o meu querido falecido pai costumava chamar de "um observador de corgis" — alguém obcecado com a família real britânica. A opinião de Sua Majestade e a minha, apesar de, infelizmente, ainda não termos tido a oportunidade de trocar opiniões, divergem quase de certeza em questões como classes e política.

Mas, tal como muitos britânicos da minha geração (nasci um ano antes da coroação), a minha vida tem sido marcada pelo reinado da Rainha Isabel II que, em 2015, entrou para o livro dos recordes como a monarca há mais tempo em funções em mil anos de reis e rainhas britânicos, eclipsando os 63 anos e 216 das de reinado conquistado pela sua tetravó, a Rainha Vitória.

Durante este período, presenciou várias revoluções sociais e políticas. Quando chegou ao trono em 1952, uma jovem e esguia mulher de cabelo negro, o racionamento devido à II Guerra Mundial tinha acabado de ser eliminado, o Império Britânico ainda governava várias regiões do mundo, a homossexualidade era considerada crime, o divórcio era encarado como um estigma, o sexo antes do casamento era a exceção, as minorias éticas eram uma raridade, o desporto era, na sua maioria, amador e a comida britânica não era, em grande parte, comestível. 

A Grã-Bretanha atual — onde algumas escolas de Londres ensinam as crianças a falar mais de cem idiomas, o casamento entre homossexuais é legal e os jogadores de futebol ganham mais por semana do que o primeiro-ministro ganha num ano — é um país totalmente diferente. Londres tem agora mais restaurantes com estrelas Michelin do que Paris!

Doze primeiros-ministros e presidentes passaram, os cortes de cabelo e as bainhas tornaram-se maiores ou mais curtos e a nossa fé na modernidade deu origem à ansiedade sobre as alterações climáticas, a Rainha permaneceu firme como os carrilhões do Big Ben, honrando o voto que fez durante a sua coroação: não controlar o seu povo, mas, sim, servi-lo. A dedicação ao dever, a firmeza e o amor ao país são as virtudes antiquadas que definiram o seu reinado. Durante 65 anos, nunca vacilou, nunca se enganou, que me lembre, nem ofendeu ninguém intencionalmente. Nunca nos desiludiu nem se desiludiu a sim mesma.

A sua vida também teve episódios de infelicidade. O assassinato do seu adorado primo, Louis Mountbatten, pelo IRA, em 1979, causou uma ferida no seu coração que demorou muitos anos a curar. Uma prova da sua tenacidade e do elevado compromisso com o dever refletiu-se durante uma visita muito emotiva à Irlanda, em 2012, na qual a Rainha apertou a mão de Martin McGuinness, antigo comandante do IRA e atual primeiro-ministro adjunto da Irlanda do Norte.

annus horribilis de 1992, quando os casamentos dos seus filhos falharam e o Castelo de Windsor se incendiou, registou o mais baixo nível de popularidade de sempre da Casa de Windsor. Quando a Rainha não reagiu de imediato à onda de pesar após a morte da princesa Diana, muitos sentiram que a monarquia tinha perdido a ligação com o seu povo.

Atualmente, abençoada por novos bisnetos e futuros herdeiros, uma economia em crescimento e o mais extenso período de paz na longa história da Grã-Bretanha, a Rainha é admirada e adorada, não só no seu país como no mundo inteiro.

Nunca serei um observador de corgis. Mas tiro o meu chapéu à Rainha e peço-lhe, caro leitor, que se junte a mim no tradicional cumprimento britânico: God Save the Queen!

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