Leão Extinto com 50 000 Anos Foi Encontrado Congelado na Rússia

O leão da Idade do Gelo ainda pode ser visto com a cabeça a descansar na pata.quarta-feira, 22 de novembro de 2017

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Os restos mortais congelados de um leão-das-cavernas que datam da última Idade do Gelo foram recentemente apresentados da Rússia.

Agências locais divulgaram que os restos mortais da cria de leão, com cerca de um ano de idade, foram encontrados por um residente local em Yukatia, uma região do nordeste da Rússia, em setembro passado. Não é a primeira vez que foram feitas descobertas pré-históricas nesta zona gelada da Sibéria.

O pergelissolo, ou o solo permanentemente congelado, é capaz de preservar animais como os leões-das-cavernas e mamutes-lanosos, até dezenas de milhares de anos depois da extinção da espécie.

A descoberta desta nova cria acontece dois anos apenas depois da descoberta similar de duas crias de leão intactas e congeladas, que receberam o nome de Uyan e Dina. Os espécimes foram datados de há cerca de 12 000 anos, o que faz de Uyan e Dina os primeiros leões pré-históricos descobertos em tão bom estado de preservação.

De acordo com a Interfax, a principal agência noticiosa independente da Rússia, a nova cria – que ainda não tem nome – foi doada à Academia de Ciências da Rússia. Albert Protopopov, o mesmo paleontólogo que estudou Uyan e Dina, irá examinar a nova cria.

Ao contrário das crias encontradas em 2015, que morreram com cerca de duas a três semanas de idade (antes de os seus dentes despontarem), esta nova cria aparenta ter morrido com cerca de um ano de idade. Porque já tinha dentes, os cientistas pensam conseguir determinar com alguma acuidade a idade destes restos mortais.

Os leões-das-cavernas estão extintos há cerca de 10 000 anos. A diminuta informação que os cientistas têm sobre esta espécie foi conseguida a partir da análise de ossos e de vestígios. Este grande felino, uma subespécie dos leões que conhecemos atualmente, é por vezes chamado de leão-da-estepe, porque vagueava pela estepe gramínea europeia.

Podemos ver, no vídeo da revelação da descoberta desta cria, que os restos mortais do leão estão em ótimas condições de preservação. Mais ou menos do tamanho de um antebraço, a cria é compacta e acinzentada, mas as suas patas são ainda discerníveis. Ainda podemos encontrar tufos de pelo que formam saliências no corpo do animal. Mas talvez o mais impressionante seja o focinho da cria, que ainda pode ser vista com a cabeça a descansar numa das suas patas.

Serão feitos mais testes para poder determinar se a cria era um macho ou uma fémea.

Depois dos testes feitos a Uyan e Dina, Protopopov disse à National Geographic que, muito provavelmente, eles teriam morrido quando o seu covil colapsou sobre eles, e os prendeu debaixo de terra. Ainda não é claro como o novo felino descoberto sucumbiu, mas Protopopov informou as agências noticiosas locais de que os seus restos mortais parecem estar aindaem melhores condições.

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As excelentes condições em que foi descoberta esta nova cria reacenderam as esperanças de que os restos mortais encontrados pudessem ser utilizados para clonagem. Em 2016, cientistas russos e coreanos declararam à Interfax a sua intenção de clonar uma cria de leão-das-cavernas. O que acontecerá a esta nova cria ainda está por decidir, mas poder dar vida a animais extintos, recorrendo à clonagem, tem sido um projeto continuado com debate no seio das comunidades científicas.

Os cientistas que se reuniram na National Geographic em 2013 concordam que a reconstrução de um genoma, o processo necessário para recriar uma espécie, está ao alcance da ciência moderna, mas requer a utilização de um espécime preservado da decomposição.

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