História

Raro Mapa Asteca Proporciona um Vislumbre da Vida no México do Século XVI

Um mapa pitoresco mostra como as culturas indígena e espanhola se miscigenaram após se terem cruzado. Terça-feira, 9 Janeiro

Por Greg Miller

Os primeiros mapas das Américas feitos pelos povos indígenas são raros — muito raros. Este mapa, datado de 1593, é um dos menos de 100 documentos do género que resistiram à passagem do tempo, oferecendo um vislumbre fascinante das primeiras interações entre os povos indígenas do México e os recém-chegados espanhóis.

O mapa mostra o património fundiário e a genealogia de uma família do México central. Abrange uma área que se estende desde o norte da Cidade do México até um pouco abaixo de Puebla, a cerca de 160 quilómetros a sudoeste. A família, identificada como “de Leon”, tem como antepassado a figura sentada, de vermelho, no centro da imagem acima, conhecida como Lord-11 Quetzalecatzin. Segundo uma entrada recente no blogue de John Hessler, curador da Coleção de Arqueologia das Antigas Américas Jay I. Kislak da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, um século antes de este mapa ter sido feito, o Lord-11 Quetzalecatzin era o principal líder político da região. Muitos outros membros desta família encontram-se também representados no mapa.

O mapa revela influências tanto indígenas como espanholas. “Por um lado, o mapa é uma história cartográfica asteca tradicional. Em termos composicionais e pictóricos, vemos os hieróglifos nauatle, bem como as ilustrações típicas”, escreve Hessler, referindo-se à língua indígena da região. As cores ousadas do mapa foram obtidas a partir de pigmentos naturais, que incluem o azul-maia (feito a partir das folhas de anileira e de um tipo específico de argila) e o carmim (feito a partir de um inseto que se encontra em catos).

“Por outro lado”, prossegue, “também se encontram representadas igrejas, alguns topónimos espanhóis, entre outras imagens, que sugerem a adaptação da comunidade ao domínio espanhol.” Os nomes de vários dos líderes indígenas incluem o “don”, um título honorífico espanhol, e alguns destes, como “don Alonso” e “don Matheo”, indicam que os indivíduos foram batizados com nomes espanhóis.

O mapa é uma oportunidade rara para os académicos estudarem as primeiras interações entre estas duas culturas muito díspares, tendo sido recentemente adquirido pela Biblioteca do Congresso, estando disponível para consulta gratuita no website da instituição, onde poderá ser examinado detalhadamente.

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