Veja a Reconstrução do Rosto de Uma Adolescente com 9 000 Anos

O processo meticuloso, com base em um crânio proveniente de uma caverna grega, revela como foi que as nossas características faciais se foram alterando ao longo dos milénios.

Thursday, January 25, 2018,
Por Sarah Gibbens
Veja: Rosto de Adolescente Com 9,000 Anos Reconstruído
Veja: Rosto de Adolescente Com 9,000 Anos Reconstruído
19 de janeiro de 2018 - O rosto de uma adolescente de 18 anos foi revelado, 9,000 anos depois de ter vivido. O crânio foi descoberto na caverna Theopetra, em Tessália, na Grécia. Uma equipa de médicos especialistas ajudou a recriar a cabeça, com o auxílio de um arqueologista.

Chama-se Avgi, e a última vez que alguém viu a sua cara foi há quase 9000 anos. Quando ela viveu na Grécia, no final do período Mesolítico, por volta do ano 7000 a.C., os povos da região estavam a fazer a transição entre uma sociedade de caçadores-recoletores para uma sociedade que começava a cultivar a sua comida.

Em português, Avgi significa “madrugada” — um nome escolhido pelos arqueólogos, porque esta pessoa viveu na altura considerada como o começo (madrugada) da civilização.

Sabe-se muito pouco acerca de como viveu e morreu, mas agora os arqueólogos podem ver as maçãs do rosto proeminentes, as sobrancelhas pesadas e a cova que tinha no queixo.

A face de Avgi foi revelada pelos investigadores da Universidade de Atenas num evento que teve lugar no Museu da Acrópole de Atenas, na passada sexta-feira.

As características faciais tornaram-se “mais suaves” ao longo dos milénios, e os humanos parecem hoje menos masculinos, afirma o reconstrutor Oscar Nilsson.
Fotografia de Oscar Nilsson

A reconstrução do seu rosto foi um grande feito. Foi necessária a contribuição de um endocrinologista, ortopedista, neurologista, patologista e radiologista para reconstruir com precisão o que terá sido a aparência de Avgi. A equipa de reconstrução foi liderada pelo ortodontologista Manolis Papagrigorakis, que referiu, no evento realizado no museu, que embora os ossos de Avgi parecessem pertencer a uma mulher de 15 anos, os dentes indicavam que teria 18 anos, “mais ano menos ano”, disse Papagrigorakis.

Além da equipa de médicos, a universidade trabalhou com Oscar Nilsson, arqueólogo sueco e escultor especializado em reconstruções. Ele tem trabalhado tanto em dar vida a rostos antigos que diz já ter eleito um período favorito para tratar: a Idade da Pedra.

 "[A Idade da Pedra é] um período muitíssimo longo e bastante diferente do nosso, mas somos muito semelhantes fisicamente”, acrescenta.

Nilsson começa com o crânio, que foi desenterrado em 1993 na caverna de Theopetra, um local no centro da Grécia que esteve ocupado continuamente durante 130 mil anos. Os investigadores digitalizam o crânio e depois uma impressora 3D faz uma réplica exata com as medidas da digitalização.

"A esta cópia são colados rebites, que representam a grossura da pele em determinados pontos anatómicos da face”, explica.

Isto permite-lhe dar corpo à cara de Avgi, um músculo de cada vez. E se algumas caraterísticas têm por base as medidas do crânio, outras, como por exemplo a cor da pele e dos olhos, são deduzidas tendo como base os traços gerais da população da região.

Não é a primeira vez que Papagrigorakis, Nilsson, e a equipa da Universidade de Atenas dão corpo a uma face da antiguidade. Em 2010, reconstruíram a face de uma rapariga ateniense de 11 anos, chamada Myrtis, que viveu por volta do ano 430 a.C. no período de quase 7000 anos entre Avgi e Myrtis, a estrutura facial parece ter-se tornado mais suave.

A equipa também reconstruiu a face da menina de 11 anos, chamada Myrtis, que morreu de febre tifóide em Atenas, no século V a.C.
Fotografia de Oscar Nilsson

"Avgi tem um crânio e umas feições muito únicas e não especialmente femininas. As feições de Myrtis, que era ainda uma criança, não diferem das que encontramos hoje em dia entre nós”, afirma Nilsson. “Ao reconstruir muitos homens e mulheres da Idade da Pedra percebi que algumas características faciais parecem ter desaparecido ou ter sido suavizadas com o tempo. Em geral, hoje em dia parecemos menos masculinos, e isto é válido para ambos os géneros.”

Não se sabe muito sobre as circunstâncias da morte de Agvi, mas os arqueólogos sabem que Myrtis morreu de febre tifóide numa epidemia que devastou a cidade de Atenas do século V; é uma doença que ainda hoje mata milhares de pessoas.

À medida que a tecnologia de modelação 3D avança, os arqueólogos recorrem à mesma mais frequentemente para reconstruir caras antigas. Em dezembro, os investigadores reconstruíram a cara de uma rainha peruana da antiguidade, e em Janeiro passado, o mundo ficou finalmente a conhecer o homem por detrás do famoso crânio de Jericho, com 9500 anos.

Descubra também sete magníficas descobertas arqueológicas que só foram possíveis graças aos nossos leitores:

Continuar a Ler