História

Descobertos Esqueletos Entrelaçados num Túmulo Pré-Azteca

Foram descobertos dez esqueletos no total, dispostos em círculo, desde adultos a crianças. Quinta-feira, 15 Fevereiro

Por Sarah Gibbens

Pelo menos dois são do sexo feminino e um é do sexo masculino. Há adultos, uma criança e um bebé.

No total, dez esqueletos foram recentemente descobertos num sítio arqueológico denominado Tlalpan, situado a sul da Cidade do México. Atualmente, o local encontra-se no coração de uma agitada área urbana. Os meios de comunicação locais noticiaram que o túmulo se encontrava sob um edifício que albergava salas de aula e um dormitório para padres, mas que as ossadas têm cerca de 2400 anos.

Os arqueólogos do Instituto Nacional de Antropologia e História mexicano anunciaram num comunicado que os restos mortais poderão ter feito de um enterro ritualista.

Tal deve-se ao facto de os esqueletos terem sido descobertos dispostos numa formação circular, deitados de lado e com os ossos dos braços interligados.

Um vídeo do local filmado por funcionários do instituto mostra ossadas humanas, praticamente intactas, que brotam do solo.

Baseando-se nas observações iniciais, os arqueólogos conseguiram determinar que, pelo menos, dois dos esqueletos tinham uma espécie de deformação intencional do crânio. Alguns dos dentes dos esqueletos também aparentavam ter sido intencionalmente deformados.

Entre as ossadas, encontravam-se também cajetes, uma espécie de taças de barro, e tecomates, vasilhas arredondadas com pequenas aberturas circulares.

Desconhece-se se as mortes destes indivíduos foram ou não acidentais, referiu o instituto.

A ÉPOCA PRÉ-CLÁSSICA

O túmulo data de uma era que os arqueólogos designam por período pré-clássico mexicano.

É significativamente mais antigo que o império azteca, que só atingiu o seu apogeu no início do século XVI. Antes dos aztecas dominarem a região, quem se encontrava no poder era uma civilização erigida em torno da cidade de Teotihuacán, que desapareceu por volta do século sétimo.

(Um estudo recente relaciona a infeção por salmonelas com a queda do império azteca. Saiba mais aqui.)

Os arqueólogos que estudam o passado do México não têm tido mãos a medir com enterros chocantes. Em 2011, foram descobertos ossos que apresentavam sinais de canibalismo no norte do México, e, em 2013, foram encontradas mais de 150 cabeças associadas a uma cerimónia de sacrifício humano.

A povoação associada ao enterro data deste período pré-clássico, tendo sido descoberta em 2006. O instituto arqueológico tem levado a cabo diversas escavações desde então.

PERDURAR, DEPOIS DESAPARECER

Em entrevista ao instituto, a arqueóloga que conduziu a escavação, Jimena Rivera Escamilla, conta que a povoação associada ao enterro terá existido durante cerca de 500 anos.

Isto posiciona-a entre duas grandes fases dos primórdios da história mexicana: a fase Ticomán, que existiu entre 400 e 200 A.C., e a fase Zacatenco, que existiu entre 700 e 400 A.C., e que se conta entre as primeiras grandes civilizações mexicanas conhecidas.

Os arqueólogos creem que os primeiros aglomerados humanos na região eram constituídos por caçadores-recolectores.

Christopher Morehart, arqueólogo na Universidade Estadual do Arizona, diz que os arqueólogos ainda não conseguiram chegar a um consenso quanto à causa do rápido desaparecimento de algumas das primeiras civilizações do México. Pensa-se que os vulcões ativos da região poderão ser um dos culpados.

Segundo Escamilla, esta nova descoberta ajudará os arqueólogos a delinear alguns aspetos das primeiras sociedades mexicanas.

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