História

Foi Decifrado Um Dos Últimos Manuscritos Do Mar Morto

O pergaminho hebreu fornece informação acerca das celebrações judaicas. Quinta-feira, 1 Fevereiro

Por Elaina Zachos

Os arqueólogos podem estar mais próximos de desvendar o mistério dos famosos Manuscritos do Mar Morto.

Investigadores da Universidade de Haifa, em Israel, restauraram e decifraram um dos últimos Manuscritos de Qumran que permanecia por traduzir. A coleção, composta por 900 antigos manuscritos judeus, esteve envolta em controvérsia desde que foi desenterrada há mais de 70 anos.

UM CALENDÁRIO ANTIGO

Eshbal Ratson e Jonathan Ben-Dov, ambos da Universidade, passaram um ano a juntar os 60 fragmentos que compõem o manuscrito. Decifrado a partir de uma banda de texto codificado no pergaminho, a descoberta fornece informações sobre a comunidade de pessoas que o escreveu, bem como sobre o calendário de 364 dias que utilizavam.

"Porque este número pode ser dividido por quatro e sete, e as ocasiões especiais calham sempre no mesmo dia”, explicaram Ratson e Ben-Dov numa conferência de imprensa. “O calendário de Qumran é imutável.”

No manuscrito, estão nomeadas as celebrações que indicam a mudança das estações, tais como "tekufah”, que é a palavra hebraica para "período”. Estas celebrações são já conhecidas por causa de outros textos, mas o seu nome não era conhecido até agora.

Tem também detalhes acerca de dois eventos religiosos já conhecidos através de outro dos manuscritos do Mar Morto. Os festivais, dedicados a celebrar o Vinho Novo e o Óleo Novo, teriam sido alinhados com o festival judeu dedicado às colheitas, Shavuot, que é celebrado 100 a 150 dias depois do primeiro Sabat da Páscoa, respetivamente.

Este manuscrito também fornece informação acerca dos seus autores, que terão percorrido o deserto da região, entre os séculos II a.C. e século II d.C. As datas das celebrações supracitadas parecem ter sido escrevinhadas nas margens entre colunas de texto, e dão a impressão de que foram mais tarde acrescentadas ao manuscrito por uma outra pessoa que não o autor.

O MISTÉRIO DOS MANUSCRITOS

Existe uma onda de controvérsia que envolve os Manuscritos do Mar Morto enquanto documentos religiosos. Foram escritos entre o segundo século antes de Cristo e o segundo século depois de Cristo, mas quem foram exatamente os seus autores é alvo de muita contestação. Contudo, os estudiosos concordam que os documentos — compostos por textos de carácter explicativo, de sabedoria, apocalípticos e de calendarização, alem de hinos e oração — foram escritos por moradores do deserto da Judeia.

Os Manuscritos são compostos por cerca de 230 pergaminhos "bíblicos" que se referem a práticas acerca das quais podem também ser encontradas referências na Bíblia Hebraica. E por outros documentos “não-bíblicos” relacionados com textos bíblicos, que descrevem crenças religiosas e práticas comunais em vez das histórias explícitas que são mencionadas na Bíblia.

Os manuscritos foram escritos sobretudo em hebreu e codificados, apesar de também terem sido encontrados manuscritos em aramaico e grego. A maioria foi escrita em pergaminho, mas outros foram escritos em papiro, e foi encontrado um registado em cobre. Foram empreendidos esforços de digitalização por forma a preservar os textos antigos.

Agora, apenas um manuscrito permanece por traduzir.

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