Descobertas as Primeiras Tatuagens em Múmias do Antigo Egito

As múmias com 5000 anos têm tatuadas imagens de carneiros, touros e linhas misteriosas.

Publicado 15/03/2018, 18:06 WET, Atualizado 5/11/2020, 06:02 WET

Os antigos egípcios já se adornavam com tatuagens antes daquilo que se pensava.

Uma nova análise de duas múmias revelou que o par tinha tatuagens. As múmias pertencem a um conjunto de seis, descoberto em 1900. Foram chamadas múmias de Gebelein devido ao nome da região onde foram encontradas. Atualmente na posse do Museu Britânico, as múmias foram reanalisadas no âmbito de um novo projeto que visa reexaminar artefactos valiosos.

Ambos os indivíduos terão morrido entre 3351 A.C. e 3017 A.C., sendo dois dos portadores de tatuagens mais antigos que se conhece. O exemplo seguinte de um antigo egípcio com tatuagens só viria a surgir um milénio mais tarde.

Antes disso, só Ötzi, o Homem da Neve, um homem das cavernas que data de cerca de 3370 A.C., apresentava vestígios de tatuagens.

Ao contrário das tatuagens de Ötzi, com motivos mais geométricos, as tatuagens egípcias são os exemplos mais antigos conhecidos de tatuagens figurativas, ou seja, tatuagens que representam imagens. Esta nova descoberta foi publicada na revista científica Journal of Archaeological Science.

Aquilo que inicialmente parecia uma mancha, foi reexaminado com imagiologia de infravermelhos, que permite aos cientistas ver as marcas na pele mumificada com maior clareza. No corpo da múmia masculina, os investigadores identificaram imagens de um touro selvagem e daquilo que parece ser um carneiro-da-barbária.

O corpo da mulher apresenta quatro símbolos em forma de “S” sobre a articulação do ombro, bem como uma linha em forma de “L” no abdómen, que os arqueólogos julgam ser um bordão, ou cajado de madeira.

Ambas as múmias tinham tatuagens feitas na derme, a camada mais espessa da pele, com uma tinta feita a partir de uma espécie de fuligem. Pensa-se que os instrumentos de cobre descobertos nas regiões circundantes terão servido como ferramentas de tatuagem.

O Que as Tatuagens nos Dizem

Esta descoberta indica, pela primeira vez, que tanto os homens como as mulheres do Antigo Egito tinham tatuagens.

Anteriormente, os arqueólogos assumiam que só as mulheres que viveram durante o período pré-dinástico do Antigo Egito, de 4000 A.C. a 3100 A.C., tinham tatuagens. Esta teoria baseava-se em figuras que representavam mulheres com tatuagens.

Estas tatuagens constituem a primeira vez que os arqueológos encontraram tatuagens que espelham motivos usados em obras de arte.

Tanto as imagens na múmia masculina como na feminina parecem indicar uma relevância simbólica, mas os arqueólogos não sabem ao certo qual o seu significado.

“O carneiro é muito usado no pré-dinástico [período egípcio] e o seu significado não é inteiramente claro, ao passo que o touro tem especificamente que ver com a virilidade e o estatuto masculino”, diz Daniel Antoine, autor do estudo e curador do Museu Britânico.

A tomografia computorizada ao Homem de Gebelein mostrou que este tinha pouco mais de 20 anos quando faleceu. Um corte no ombro e os danos numa das suas costelas sugerem que ele terá sido esfaqueado nas costas.

E quanto ao significado das tatuagens da mulher?

“Para já, não creio que haja uma explicação satisfatória”, diz Antoine. “É suposto dar enfâse a alguma coisa, mas não tenho a certeza ao quê. Talvez tenha servido para chamar a atenção para um bordão torto. Isto pertence a uma era anterior à escrita, portanto só podemos estabelecer paralelismos.”

O artigo sugere ainda que o posicionamento das tatuagens, no ombro e no abdómen da mulher, significa que esta seria alguém com conhecimento religioso ou um alto estatuto.

Uma investigação mais aprofundada das tatuagens poderá ajudar os arqueólogos a melhor perceber as primeiras linguagens visuais do Egito, conclui o curador.

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