História

Descobertas Pegadas Gigantes de Dinossauro na Costa Escocesa

Os vestígios trazem um novo olhar sobre a vida dos dinossauros no Jurássico Médio, um período ao qual poucos fósseis sobreviveram.terça-feira, 15 de maio de 2018

Por Michael Greshko
Um lugar descoberto recentemente na Ilha de Skye, na Escócia, contém cerca de 50 pegadas de dinossauro, muitas delas pertencentes aos dinossauros de pescoço comprido, também conhecidos por saurópodes. Esta pegada preserva o contorno dos dedos da pata do saurópode e até mesmo os traços da almofada carnuda do calcanhar do animal.

Há mais de 160 milhões de anos, os dinossauros de pescoço comprido, conhecidos por saurópodes, passeavam-se pelas antigas lagoas que salpicavam o território que constitui, hoje, a Grã-Bretanha. Recentemente, foram descobertas dezenas de pegadas de dinossauro na linha costeira da Ilha de Skye, na Escócia, numa zona de forte rebentação e de difícil acesso.

Localizadas na superfície rochosa da costa da Ilha de Skye, num primeiro olhar, as enormes pegadas, facilmente, se confundem com pequenas piscinas naturais, que se formam à face por ação das marés, mas um olhar mais atento permitirá identificar os traços dos dedos dos pés e os calcanhares carnudos de um dinossauro.

“Estes vestígios permaneceram escondidos durante anos, debaixo dos nossos olhos” afirma Michael Habib, paleontólogo na Universidade da Califórnia do Sul, que não esteve envolvido na descoberta. “Estas pegadas mostram-nos como os saurópodes são muito maiores do que qualquer outro animal e, à partida, nós, que estamos no terreno, raramente estamos à procura de vestígios com estas dimensões”.

Entre as pegadas, a equipa encontrou também três pegadas distintas de terópodes, muito provavelmente criaturas que eram primos afastados do Tyrannosaurus Rex do período Cretáceo.

Publicado na revista Scottish Journal of Geology a 2 de abril, o conjunto de fotografias das pegadas oferece um raro vislumbre do período do Jurássico Médio, que se estendeu por 164 a 174 milhões de anos, e relativamente ao qual existem, à data de hoje, poucos fósseis de dinossauros. A última descoberta ajuda a consolidar a posição da Ilha de Skye como uma região estratégica no aprofundamento do conhecimento sobre uma era relativamente à qual ainda pouco se sabe.

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 “O Jurássico Médio foi um período muito importante: foi por volta dessa altura que os primeiros pássaros tomaram conta dos céus, que os primeiros tiranossauros começaram a evoluir, e os que primeiros grandes saurópodes deram os primeiros passos,” afirma Steve Brusatte, coautor do estudo, bolseiro da National Geographic e paleontólogo na Universidade de Edimburgo.

“Skye é um dos poucos locais onde se pode encontrar estes fósseis”.

ÁGUA, ÁGUA POR TODOS OS LADOS

Em abril de 2016, os investigadores Davide Foffa e Hong-Yu Yi depararam-se com as recém-descobertas pegadas num local chamado Rubha nam Brathairean ou Brother's Point. Em 2017, Brusatte e a sua aluna Paige de Polo regressaram para cartografar o local e interpretar as pegadas, ao abrigo de uma investigação no terreno financiada pela National Geographic Society.

Para alguns, a expressão “investigação no terreno” pode fazer saltar à memória a imagem de Indiana Jones no deserto. Mas, em Skye, estar no terreno foi sinónimo de frio e de ventos fortes puxados a chuva, que projetavam os drones usados para cartografar a região. Às dificuldades sentidas, acresciam as grandes vagas que inundavam, regularmente, as pegadas.

“Eu tinha um relógio na mochila e estávamos sempre a ver as horas. Era suposto que a maré subisse naquele momento – e lá estava ela,'” afirma de Polo, a autora que coordenou o estudo e investigadora convidada no Museu Estadual do Nevada, em Las Vegas. “Uma pessoa habitua-se”.

Para digitalizar as pegadas durante as marés baixas, dePolo inventou um dispositivo que chamou de intervalómetro, uma estrutura com duas câmaras, montadas nas extremidades de uma haste facilmente transportável. Tal como os nossos dois olhos nos permitem ver em profundidade, as duas câmaras permitiram a dePolo e à colega registar as pegadas em 3D, à medida que andavam.

SAURÓPODES BEM-SUCEDIDOS

À semelhança de outras pegadas conhecidas na Ilha de Skye, este novo conjunto de pegadas foi descoberto em sedimentos finos da lagoa. Com base nestas evidências, dePolo e Brusatte acreditam que os saurópodes da Ilha de Skye, e talvez de outros lugares, eram presença assídua nas águas pouco profundas da zona costeira.

De certa forma, esta descoberta vem completar o círculo do conhecimento científico sobre os saurópodes. No início do século XX, os paleontólogos viam estes dinossauros de pescoço comprido como verdadeiros brutamontes confinados aos pântanos, carregando o peso dos seus corpos aliviado pela água. Mas os elementos recolhidos ao longo do tempo indicam que estes seres gigantes viveram em terra firme e que se distribuíam pelos quatro cantos do mundo. Foram encontradas ossadas e pegadas de saurópodes nos sete continentes, incluindo na Antártida.

“A água não era o único meio onde podiam viver e entregar-se à morte,” afirma Brusatte. “Pelo contrário, hoje sabemos que estes dinossauros foram bem-sucedidos. Eles eram tão dinâmicos e tinham tal dose de energia, que, muito provavelmente, exploraram tantos ambientes quanto podiam”.

É provável que a superfície da Ilha de Skye ponha a descoberto novas pegadas. A equipa de Brusatte já identificou alguns dos locais possíveis e dePolo irá coordenar o estudo, quando regressar a Edimburgo este outono para concluir o doutoramento.

“Essa é a aventura, certo?” afirma.

VEJA AS FOTOS DE UMA AVE DO TEMPO DOS DINOSSAUROS PRESA EM ÂMBAR

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