História

Como a National Geographic Cartografou Furacões ao Longo de 130 Anos

Um traçado de linhas, feito com base nos relatos de testemunhas oculares, caracterizam os primeiros mapas de furacões.segunda-feira, 17 de setembro de 2018

A história da cartografia da National Geographic começa com uma tempestade.

Sob o epíteto de O Grande Furacão Branco, a tempestade de neve encerrou cidades ao longo da linha costeira do Atlântico durante quatro dias, na primavera de 1888. Em outubro desse ano, foi lançada a primeira edição da revista da National Geographic e o seu primeiro mapa: o traçado de uma tempestade de neve, com os contornos de uma pegada, que migrava de Nova Iorque em direção às Bermudas e vagueava em linhas onduladas até ao Canadá. Edward Everett Hayden assinava o artigo. Metereologista e membro fundador da National Geographic Society, Hayden contribuiu para criar o vasto legado da revista no domínio da cartografia de desastres naturais.

Dois anos mais tarde, Hayden escreveu A Lei das Tempestades, um artigo que procurava introduzir marinheiros e capitães de navios na ciência dos furacões em pleno oceano. Hayden incluiu o primeiro mapa de furacões da National Geographic: um esboço da trajetória de ventos que evoluíram para tempestades no Atlântico Norte nesses últimos dois anos. As linhas curvavam para dentro, a lembrar impressões digitais, e algumas abriam-se em ângulos de grande amplitude. Estes traçados rudimentares eram desenhados com base na “observação real”, escreveu Hayden.

A cartografia de tempestades tornou-se, infinitamente, mais sofisticada e fiável. Enquanto os primeiros mapas eram criados a partir dos relatos de testemunhas oculares, hoje os satélites transmitem imagens que podem ser usadas por cartógrafos de forma quase imediata. “Em vez de um computador, era um homem com um barómetro”, diz Matt Chwastyk, editor sénior de grafismo da National Geographic a propósito dos primeiros sistemas de cartografia. “Um capitão podia comunicar a formação de uma tempestade, mas a sua trajetória era uma incógnita.”

Atualmente, os satélites usados exclusivamente para previsões metereológicas processam dados que permitem aos metereologistas determinar com grande rigor a trajetória de uma tempestade. A informação está acessível a qualquer pessoa, seja através dos noticiários, seja através de uma simples pesquisa na internet. Na National Geographic, os mapas evoluíram do traçado das trajetórias das grandes tempestades, à semelhança dos primeiros mapas, para uma representação alargada do contexto em que essas tempestades se desenrolam e para a análise dos danos causados à sua passagem, desde os custos de evacuação das populações após o furacão Katrina ao sistema de aviso de inundações durante o furacão Harvey.

Mas este processo está intrinsecamente ligado à política dos organismos governamentais dos Estados Unidos, que mantêm abertas as respetivas fontes, como é o caso da Administração Nacional para a Atmosfera e os Oceanos, partilhando as informações de que dispõem, diz o diretor de cartografia Martin Gamache da National Geographic. “Sem isso, teríamos de voltar ao registo do século XIX.”

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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