História

A Influência Portuguesa no Oriente

Os portugueses foram pioneiros nos descobrimentos e os primeiros a chegar a muitos países da Ásia. Mas que influências restam desses tempos?quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Por National Geographic
A partida de Vasco da Gama para a Índia em 1497
A partida de Vasco da Gama para a Índia em 1497

Há países cuja história está intimamente ligada com a portuguesa, como é caso do Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde. Mas, há outros países cuja ligação não é tão imediata, e que têm muita influência portuguesa, seja na arquitetura, na língua ou nos costumes.

Poucos saberão que existem, hoje em dia, elementos linguísticos do português em mais de 50 línguas asiáticas. Vamos recordar a influência Portuguesa na Ásia?

A INFLUÊNCIA PORTUGUESA NA ÍNDIA

A Índia é um país enorme onde se pode encontrar um pedacinho de Portugal. Os primeiros europeus a instalar-se na Índia foram os portugueses, quando Vasco da Gama chegou a Calecute em 1498. Começando por aí, os portugueses passaram a controlar várias zonas da Índia – incluindo Goa, Diu, Damão e Bengala.

A influência portuguesa na Índia, especialmente no Estado da Índia, era muito evidente no século XIX, apesar de duas ocupações britânicas. Ainda hoje se podem ver claras influências lusas na arquitetura indiana: vejam-se monumentos como a Sé Catedral de  Goa, a igreja da Nossa Senhora do Rosário, a Igreja de São Francisco de Assis e a Basílica do Bom Jesus. De facto, as igrejas e conventos de Goa são Património Mundial de Origem Portuguesa da Unesco (WHPO).

Mas também na gastronomia os portugueses deixaram a sua marca. A introdução da malagueta em Goa levou à criação do caril, a vinha d'alho inspirou o vindaloo indiano, e o sarapatel alentejano foi o ponto de partida para o prato de Mangalore chamado sorpotel.

Apesar de as línguas indianas pouco ou nada terem mudado com a língua portuguesa, é de realçar que muitos estabelecimentos nas cidades que estiveram sob o domínio português ainda têm nomes portugueses, bem como famílias geralmente mais abastadas que adotam nomes próprios de Portugal. A Língua Portuguesa chegou a ser uma língua oficial menor na Índia, especialmente nos territórios que fizeram parte do Estado da Índia.

Também no Sri Lanka (anteriormente Ceilão) ainda se vivem memórias da influência portuguesa. Uma das mais importantes é a língua indo-portuguesa do Sri Lanka, um crioulo baseado no português, que hoje em dia ainda é falado por um grupo étnico de ascendência Portuguesa e Cingalesa, chamado de Os Burghers Portugueses.

 

Planisfério - séculos XV a XVIII
Planisfério - séculos XV a XVIII

 

A INFLUÊNCIA PORTUGUESA NO SUDOESTE ASIÁTICO

No que toca ao Sudeste Asiático, as influências Portuguesas são bem mais evidentes em Macau – o centro histórico de Macau faz parte do WHPO – mas não se podem ignorar as influências na Malásia, Timor, China, Indonésia ou ainda as Filipinas.

Macau era um ponto importante para o comércio, a sua localização atraiu outros países, tanto ocidentais como orientais, e as suas influências ficaram. Apesar de reduzidas, as influências portuguesas em Macau são muito visíveis, nomeadamente na arquitetura. Várias igrejas e edifícios religiosos ainda existem em Macau, bem como ruas e parques com nomes de Portugueses. São alguns deles a Catedral de São Paulo, a Igreja de Santo António, a Sé Catedral de Macau, ou o jardim de Luís de Camões. Além disso, várias lacas oficiais estão escritas em Macaense e em português.

Também a gastronomia macaense incorpora pratos de clara origem portuguesa, como o arroz gordo, a cabidela de pato, um prato parecido à feijoada e o Chtenin de bacalhau. É de destacar que a massa usada por toda a China para fazer os famosos crepes chineses deriva da nossa “massa tenra”.

Em Timor-Leste, que esteve sob domínio Português até 1999, usava-se a língua portuguesa para a administração. Hoje em dia, apenas pessoas idosas ou de meia idade compreendem e conseguem falar português, tendo os jovens muito pouco contacto com a língua. A arquitetura, essa, perdura. Na capital, Dili, pode ver-se, por exemplo, o Monumento à Nossa Senhora, o Monumento ao Infante D. Henrique, o Monumento à Reconstrução de Timor e o Monumento ao Engenheiro Artur de Canto Rezende. Então e a gastronomia? Procure as “egg tarts”! São adaptações do pastel de nata!

Malaca, na Malásia, apesar de ter uma forte influência Holandesa, ainda conserva o seu pedacinho de Portugal. Além de um bairro português, há igrejas lusas, um museu dos descobrimentos, ou o crioulo português – que apesar de falado por muito, muito poucos, ainda sobrevive.

Kupang e o arquipélago das Molucas, são exemplos de influência portuguesa na Indonésia, nas muitas igrejas e fortes. Mas não só! A língua portuguesa já foi língua franca no arquipélago, pelo que muitas palavras indonésias são de raiz portuguesa. E na música? O kerocong é um instrumento de cordas típico da Indonésia que é parecido ao nosso cavaquinho.

Já nas Filipinas, a influência portuguesa não é tão óbvia, mas existe. Afinal, foi o país onde Fernão de Magalhães morreu, mas não sem antes deixar a Cruz e a imagem de Santo Niño.

A INFLUÊNCIA PORTUGUESA NO JAPÃO

As mudanças nos costumes e na vida Japonesa introduzidas pelos portugueses, nos séculos XV e XVI foram imensas, mas, de certa forma, mais subtis. Uma das maiores influências deixadas pelos portugueses foram as armas de fogo e a pólvora. Mas outras menos radicais também, como a pintura a óleo, técnicas de metalurgia, técnicas e instrumentos musicais, formas diferentes de ver a matemática e geografia, algumas expressões linguísticas provenientes do português e do latim, e até influências gastronómicas.

Exemplos são algumas palavras como shabon (sabão), pan (pão), koppu (copo) ou birōdo (veludo); ou os pratos de tempura – descendentes dos peixinhos da horta - bolo castella -vindo do pão de ló - ou mesmo o pão.

Uma palavra que não vem do português, no entanto, é arigato. Diz-se que esta palavra, que significa obrigado, vem da mesma palavra portuguesa, “obrigado”. Contudo, esta palavra é de origem japonesa.

Precisaríamos de muitas e muitas páginas para documentar todas as influências deixadas pelos portugueses no Oriente, e que ainda hoje perduram – mesmo que não nos apercebamos. Conhece mais?

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