História

Fotógrafo Chinês Conhecido Por Fotografar Ameaças Ambientais Está Desaparecido

Lu Guang cobria corajosamente questões controversas como a poluição na China até que foi dado como desaparecido.Friday, February 8

Por Nina Strochlic
Fotografias Por Lu Guang
Antes de desaparecer, o fotógrafo Lu Guang documentou extensivamente a poluição e as questões sociais na China. Aqui, a sua fotografia mostra a Tianjin Steel Plant, uma empresa altamente poluente que afeta profundamente os moradores da província de Hebei.

O fotógrafo chinês Lu Guang passou quase 40 anos a documentar os efeitos da destruição ambiental nas regiões rurais e industriais da China. Até que, em novembro do ano passado, desapareceu.

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Lu, que vive com a sua família em Nova Iorque, regressou à China para liderar um workshop de fotografia no final de outubro. A região que ele visitava, Xinjiang, é a zona de detenção de centenas de milhares de prisioneiros muçulmanos. Segundo as declarações da sua esposa ao New York Times, cerca de um mês e meio após o seu desaparecimento, a polícia chinesa informou a família de que Lu havia sido detido.

Sabe-se que quarenta e sete jornalistas estão presos na China desde o final de 2018, diz Steven Butler, coordenador do programa asiático do Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). As teorias sobre a prisão de Lu vão desde o medo de que este possa tentar documentar os "campos de reeducação" na região, ao rancor guardado contra Lu, por uma figura da autoridade, pela divulgação da epidemia de SIDA em 2001.

"Não sabemos com exatidão os motivos que levaram à prisão de Lu", diz Butler. "No entanto, ele era um jornalista independente que, entre outras coisas, documentava a degradação ambiental que as autoridades poderiam considerar ofensiva."

A Fábrica de Químicos Wuhai produz PVC, um dos polímeros plásticos mais utilizados no mundo. Os resíduos venenosos criados no processo são despejados ao largo da costa do Rio Amarelo, o segundo maior rio da Ásia.

O interesse de Lu pela fotografia começou quando ele era um jovem trabalhador numa fábrica na China. Começou a ganhar prémios pela cobertura de questões ambientais e da epidemia de SIDA. Mudou-se para Nova Iorque em 2005, a convite do Departamento de Estado dos EUA, mas continuou a viajar para a China devido ao seu trabalho. Em 2010, recebeu uma bolsa de fotografia da National Geographic para documentar o custo humano na industrialização da China. Durante o seu período enquanto bolseiro, Lu escreveu que não sentia que as suas investigações tivessem produzido efeitos suficientes para impedir a poluição que prejudica os cidadãos chineses, e mencionou um rapaz de 17 anos que morreu de cancro pouco antes de receber a sua carta de admissão na universidade. "Estas histórias angustiantes partem-me o coração e afetam-me profundamente", escreveu Lu.

“[Lu] nunca se esquivou de abordar os tópicos mais difíceis e significativos no seu país sobre saúde, questões sociais e ambientais”, diz Sarah Leen, Diretora de Fotografia da National Geographic. "O seu trabalho coloca uma luz brilhante sobre as sombras."

Robert Pledge, que dirige a Contact Press Images, a agência que representa Lu, diz que não existem informações adicionais sobre o seu paradeiro e ninguém ouviu falar dele desde a sua detenção.

Zhang Qiaoliang morreu de cancro na garganta um mês depois desta fotografia ter sido tirada, provavelmente resultado da água contaminada por fábricas, a montante de onde o jovem casal vivia no condado de Xiping.

Para Butler, do CPJ, é difícil ser otimista em relação a qualquer jornalista que esteja detido na China. "Condenações sob o pretexto de falsas acusações com provas inconsistentes, seguidas de sentenças de prisão, às vezes longas, às vezes curtas, são a norma", diz. " Em última análise, o que acontecerá a Lu será uma decisão política, tomada provavelmente pelas autoridades locais."

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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