História

Veja o Rosto de Um Homem de Finais do Império Romano

Adelasius Ebalchus viveu na Suíça há 1300 anos – a sua expressão tem um ar pouco habitual para a maioria das reconstruções faciais.quarta-feira, 29 de maio de 2019

Por Kristin Romey
Adelasius Ebalchus viveu no norte da Suíça há 1300 anos. Estava no final da sua adolescência quando morreu.

Adelasius Ebalchus é definitivamente um nome latino para um homem que viveu na Suíça, por volta do ano 700 D.C., séculos depois da queda do império romano. A escolha do nome foi deliberada, explica Mirjam Wullschleger, do departamento estatal de arqueologia de Soleura, na Suíça. Foi por esta altura que os povos germânicos se começaram a mudar para o Planalto suíço, no norte do país, alterando a língua e a cultura que ainda restava do império romano para o da tribo de alamanos que falava germânico.

Contudo, o nome de Adelasius, e praticamente tudo o que pensamos saber sobre ele, é especulação. O seu rosto foi reconstruído a partir de um esqueleto descoberto em 2014, recuperado de um dos 47 túmulos medievais que foram escavados antes da construção de edifícios, na cidade de Grenchen, no norte da Suíça. O corpo tinha sido enterrado num túmulo ao estilo romano, numa sepultura forrada e coberta com pedras, com os seus pés virados para norte.

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Baseando-se nos seus restos mortais, os investigadores determinaram que Adelasius tinha entre 19 e 22 anos, com um metro e setenta de altura. Ele sofria de osteomielite crónica, uma infeção óssea, e tinha deficiências vitamínicas – cuja combinação levou provavelmente à sua morte prematura. O seu túmulo, repleto de pedras, pode indicar um estatuto social mais elevado do que o dos outros habitantes de Grenchen.

Adelasius foi enterrado numa sepultura de pedras alinhadas, podendo indicar que o seu estatuto social era mais elevado.

Quando Oscar Nilsson, um reconstrutor facial arqueológico, foi contratado para reconstruir o rosto de Adelasius Ebalchus, ficou impressionado não apenas com a qualidade do crânio impresso em 3D, com o qual ele tinha de trabalhar, mas também com o estado odontológico do seu modelo histórico.

"Eu nunca tinha visto dentes tão perfeitos e alinhados", diz Nilsson, que já trabalhou em reconstruções faciais de restos mortais que remontam até ao paleolítico. “Não é um caso normal para mim. Muitas vezes, tenho de começar a reconstruir os dentes pela observação do que os rodeia”.

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Nilsson queria destacar os dentes de Adelasius e decidiu que a reconstrução do rosto teria um sorriso – uma decisão que não foi tomada de ânimo leve.

Uma cópia do crânio, impressa em 3D, foi usada como base para a reconstrução facial. Para a época, Adelasius tinha uns dentes invulgarmente bons.

Quando fazemos reconstruções faciais – sobretudo em casos de polícia – não é aconselhável darmos um sorriso ao nosso sujeito, diz Nilsson. Isso seria distrativo para o impacto físico da reconstrução, explica ele, criando ao mesmo tempo “uma noção inconsciente de que estamos perante uma pessoa feliz”.

“Eu não quero descrever uma personalidade sobre a qual eu não sei nada”, diz. “Mas, ao mesmo tempo, preciso de criar um rosto que nos dê a impressão de que esta pessoa já esteve viva e que tem uma alma.”

Nilsson já trabalhou em indivíduos de muitas regiões e períodos de tempo, mas a Suíça medieval primitiva foi uma novidade para o seu trabalho. “É emocionante e muito pouco explorado. Espero poder ajudar a desvendar este período da história.”

Adelasius será exibido no Museu Kultur-Historischen de Grenchen no início de junho, e será depois colocado em exposição permanente, em dezembro, no museu estatal de arqueologia de Soleura, em Olten
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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