Ascensão e Queda do Império Otomano

Um dos maiores impérios da história, os otomanos reinaram durante mais de 600 anos até caírem nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial.

Tuesday, December 17, 2019,
Por Erin Blakemore
A ‘tughra’ (insígnia) do imperador otomano do século XVI, Solimão, o Magnífico. A insígnia inclui geralmente ...
A ‘tughra’ (insígnia) do imperador otomano do século XVI, Solimão, o Magnífico. A insígnia inclui geralmente o nome do sultão e do seu pai, juntamente com a frase “eternamente vitoriosos".
Fotografia de The Metropolitan Museum of Art

Conhecido como um dos impérios mais poderosos da história, o Império Otomano começou com uma fortaleza turca na Anatólia e acabou com um vasto estado que se expandiu para norte até à Áustria, para leste até ao Golfo Pérsico, para a região ocidental da Argélia e para sul, até ao Iémen. O sucesso deste império residia na sua estrutura centralizada e no seu vasto território: o controlo de algumas das rotas comerciais mais lucrativas do mundo gerou muita riqueza, e o sistema militar organizado de forma implacável deu origem a um poderio militar. Mas todos os impérios que se erguem acabam por cair, e 6 séculos depois de o Império Otomano emergir nos campos de batalha da Anatólia, desfez-se catastroficamente no teatro da Primeira Guerra Mundial.

Um retrato do século XVI de Otomano, o primeiro sultão do Império Otomano.
Fotografia de Bridgeman Images

Otomano I, líder de uma tribo nómada turca da Anatólia (atual Turquia), começou a conquistar a região no final do século XIII, lançando ataques contra o enfraquecido Império Bizantino Cristão. Por volta do ano 1299, Otomano I autoproclamou-se líder supremo da Ásia Menor e os seus sucessores expandiram-se gradualmente pelo território bizantino com a ajuda de mercenários estrangeiros.

Em 1453, os descendentes de Otomano, agora conhecidos por otomanos, quebraram finalmente o Império Bizantino com a captura da cidade aparentemente impenetrável de Constantinopla. Esta cidade batizada com o nome de Constantino, o primeiro imperador cristão de Roma, ficou conhecida pelo nome de Istambul (uma versão de stin polis, grego para "na cidade" ou "para a cidade").

O Império Otomano, agora um império dinástico com Istambul como capital, continuou a expandir-se pelos Balcãs, Médio Oriente e Norte de África. Apesar de, teoricamente, se tratar de uma dinastia – com um líder supremo, ou sultão – o poder era hereditário. A restante elite do Império Otomano tinha de merecer a sua posição independentemente da linhagem.

Este quadro do século XVI mostra o exército de Solimão, o Magnífico, a marchar em direção à Europa.
Fotografia de Bridgeman Images

Sob o reinado de Solimão, o Magnífico – cuja vida no século XVI representou o auge do poder e da influência dos otomanos – as artes progrediram, a tecnologia e a arquitetura alcançaram novos patamares, e o império desfrutou muitas vezes de paz, tolerância religiosa e estabilidade económica e política. Mas a corte imperial também fez as suas vítimas: mulheres forçadas à escravatura sexual; escravos que faziam trabalhos militares e não só; e irmãos de sultões, muitos dos quais foram mortos ou presos para proteger o sultão de opositores políticos.

No seu auge, o Império Otomano era uma figura influente na política europeia, e também era o lar de mais cristãos do que muçulmanos. Mas no século XVII, começou a perder o seu poder. Até então, havia sempre um novo território para conquistar e novas terras para explorar, mas em 1683, depois de o império fracassar pela segunda vez na conquista de Viena, começou a enfraquecer.

As intrigas políticas no seio do sultanato, o fortalecimento das potências europeias, a competição económica pelas novas rotas comerciais e o início da Revolução Industrial desestabilizaram um império outrora inabalável. No século XIX, o Império Otomano era ridicularizado com a expressão "o homem doente da Europa", devido ao seu território cada vez mais pequeno, ao declínio económico e à crescente dependência do resto da Europa.

Mas seria necessária uma guerra mundial para acabar com o Império Otomano de vez. Enfraquecido até à exaustão, o sultão Abdul Hamid II alimentou por pouco tempo a ideia de uma monarquia constitucional, antes de mudar de rumo no final da década de 1870. Em 1908, os Jovens Turcos com mentalidade reformista revoltaram-se e restauraram a constituição.

Os Jovens Turcos que agora governavam o Império Otomano queriam fortalecê-lo, voltando-se para os seus vizinhos nos Balcãs. As guerras dos Balcãs que se seguiram resultaram na perda de 33% do território que restava dos otomanos, e até 20% da sua população.

Com a Primeira Guerra Mundial a espreitar no horizonte, o Império Otomano fez uma aliança secreta com a Alemanha. A guerra que se seguiu foi devastadora. Cerca de 65% das forças armadas otomanas desapareceram durante a Primeira Guerra Mundial, e perto de 3 milhões de civis perderam as vidas. Entre eles, cerca de 1.5 milhões de arménios foram exterminados em massacres, enquanto eram expulsos do território otomano. E em 1922, os nacionalistas turcos aboliram o sultanato, acabando com um dos maiores impérios da história.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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