Esta é a História por Trás do Azulejo Português

O azulejo português é uma das marcas que representa a cultura de Portugal. Criou raízes na Península Ibérica a partir dos finais do século XV. quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Por National Geographic

Para falarmos da história do azulejo português temos de remeter-nos para a sua origem. A influência da decoração ornamental muçulmana teve uma forte incidência na cultura do azulejo português.

Em termos práticos, o azulejo português designa-se por uma placa de cerâmica quadrada, de pouca espessura, geralmente nas medidas 15x15 cm ou em menores formatos. Este artefacto tem uma das faces decoradas e vidradas, resultado da cozedura de um revestimento geralmente dominado como esmalte, tornando-se impermeável e brilhante. A sua utilização é também comum em países como Espanha, Itália, Holanda, Turquia, Irão ou Marrocos.

História e origem do azulejo português
Com inícios da sua propagação no século XVI, pela Península Ibérica, o desenvolvimento do azulejo estava a cargo das cerâmicas de Sevilha.

Chegou a Portugal no ano de 1498, pelo Rei D. Manuel I, numa das suas viagens a Espanha. Portugal aprendeu o método de fabrico e de pintura, e o azulejo português tornou-se das marcas de expressão mais fortes da sua cultura.

O brilho, a exuberância e a fantasia dos motivos ornamentais chegaram do Oriente. Já da China, chegou o azul da porcelana que, na segunda metade do século XVII, deu ao azulejo composições sem caráter repetitivo, cheias de dinamismos e formas em movimento.

Nos finais do século XVII, Portugal importou da Holanda grandes quantidades de azulejo, absorvendo a pureza e o refinamento dos materiais, assim como, a ideia de especialização de pintores.

No reinado de D. João V (1706-1750), os azulejos sofreram a influência da Talha, utilizando os mesmos motivos numa tendência para que as superfícies inteiras de parede fossem revestidas, criando um impacto de característica barroca. Durante esta época, o azulejo português é largamente utilizado nas igrejas, palácios e casas pertencentes à burguesia, no interior e no exterior, nos seus jardins. Era considerado meio de distinção social.

As gravuras estrangeiras que circulavam no país inspiraram as composições dos painéis figurativos. Após o terramoto de 1755, a frágil situação económica e a necessidade de reconstruir Lisboa, levou a uma conceção utilitária e prática do azulejo, usado como complemento de fatores estéticos. Com o regresso do Brasil, o azulejo português começou a ser utilizado como revestimento nas fachadas dos edifícios, dada a dualidade deste material.

Criação artística em Portugal
Apesar da comum utilização também noutros países, em Portugal, o azulejo assume um papel especial na criação artística, quer pela longevidade do seu uso, quer pelo modo de aplicação através dos grandes revestimentos interiores e exteriores, quer pelo modo como foi entendido ao longo dos séculos, não se resumindo apenas à arte decorativa.
Os azulejos figurativos eram concebidos em sintonia com o espaço, sagrado ou civil. O azulejo português é ator principal de verdadeiros repertórios de gravuras. Sendo protagonista de cenas históricas, religiosas, de caça, de guerras, entre outros, aplicados às paredes, pavimentos e tetos.

Os primeiros artistas de renome
O percursor que assumiu a pintura do azulejo português foi o espanhol Gabriel del Barco, ativo em Portugal nos finais do século XVII. Já no século XVIII assistiu-se a um crescente de artistas do aclamado Ciclo dos Mestres, por um período áureo da azulejaria portuguesa. Nomes de referência reportam-nos para Nicolau de Freitas, Teotónio dos Santos e Valentim de Almeida.

A presença do azulejo português até à atualidade
O azulejo conta com 500 anos de produção nacional. Na segunda metade do século XIX alcança mais visibilidade. O azulejo foi utilizado para cobrir milhares de fachadas, sendo produzido por fábricas de Lisboa e das cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, como Massarelos e a Fábrica de Cerâmica das Devesas.
No Norte, os relevos pronunciados, o volume, o contraste de luz e sombra são características presentes. Por Lisboa, a preferência ficou-se pelos padrões lisos de memória antiga e uma ostensiva aplicação exterior nas fachadas.
No Porto, no século XX, o pintor Júlio Resende construiu desde 1958, composições figurativas em azulejo e placas cerâmicas, atingindo o expoente do seu trabalho com Ribeira Negra, em 1985. Nesta época surgem os artistas Rafael Bordalo Pinheiro e Jorge Barradas, impulsionadores da renovação no domínio da cerâmica e do azulejo.
Ainda em meados do século, Maria Keil realiza um notável trabalho para as estações iniciais do metro de Lisboa, juntando-se a Júlio Resende (“Ribeira Negra” – 1984), Júlio Pomar, Sã Nogueira, Carlos Botelho, João Abel Manta, Eduardo Nery, entre outros, como grandes referências da história e cultura do azulejo português.

Alguns locais onde pode observar painéis de azulejo português:
Estação de São Bento, Porto;
Igreja de Santo Ildefonso, Porto;
Igreja dos Congregados, Porto;
Capela das Almas, Porto;
Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, Lamego;
Convento de Santa Cruz do Buçaco, Buçaco;
Convento de Cristo, Tomar;
Igreja de São Quintino, Sobral de Monte Agraço;
Quinta da Bacalhoa, Lisboa;
Capela de São Roque, Lisboa;
Convento da Graça, Lisboa;
Convento de São Vicente de Fora, Lisboa;
Palácio dos Marqueses de Fronteira, Lisboa;
Palácio Nacional de Queluz, Lisboa;
Casa de Ferreira das Tabuletas, Lisboa;
Palácio da Mitra, Azeitão.

Viaje pela História do azulejo português
É possível conhecer toda a história do azulejo português, acompanhando a sua evolução, no Museu Nacional do Azulejo, criado em 1980. Para além do repertório nacional, exalta a interseção com as expressões multiculturais e o seu desenvolvimento.

O azulejo português é uma das características que coloca Portugal em destaque nos roteiros de qualquer viajante. Na verdade, Portugal é considerado a capital mundial do azulejo.

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