Hong Kong Lamenta o Fim do Seu Modo de Vida Enquanto a China Reprime a Dissidência

“É como ver um paciente de cancro finalmente a morrer.” Habitantes de Hong Kong lidam com a perda da sua cidade.

Friday, September 4, 2020,
Por Laurel Chor
Fotografias Por Laurel Chor
Uma mulher acende uma vela num memorial improvisado em Hong Kong para homenagear a morte de ...

Uma mulher acende uma vela num memorial improvisado em Hong Kong para homenagear a morte de um manifestante que se opôs a um projeto de extradição que visava permitir que suspeitos de crimes fossem enviados para a China continental. As mensagens dizem “Descansa em paz, um país, dois sistemas” e “Descansa em paz estado de direito”.

HONG KONG – Como disse o escritor Han Suyin na década de 1950, “Hong Kong existe num tempo emprestado de um lugar emprestado”. Ao longo da sua história, a cidade foi usada como moeda de troca em negociações, o seu destino foi decidido por outras potências e cada tratado estabeleceu novas datas de expiração. A identidade de Hong Kong está amarrada, e nós, os habitantes locais, estamos desolados com o fim inevitável da cidade como a conhecemos e com a nossa impotência perante o tempo.

Depois da contagem decrescente para 1997, que marcaria o fim de 150 anos enquanto colónia britânica, Hong Kong regressou ao domínio chinês. A Grã-Bretanha e a China concordaram em 1984 que, após a transferência de poder, Hong Kong teria as suas liberdades e estilo de vida garantidos durante 50 anos. Depois do Massacre da Praça Tiananmen em 1989, que teve como alvo os estudantes pró-reforma em Pequim, dezenas de milhares de residentes de Hong Kong fugiram com medo. Muitos regressaram mais tarde com passaportes estrangeiros, uma apólice de seguro e uma estratégia de fuga caso os seus piores receios se concretizassem.


Agora, a contagem decrescente para 2047 já está em andamento, marcando o fim do acordo de 50 anos conhecido por “um país, dois sistemas”. Mas no ano passado, o governo chinês propôs um projeto de extradição que permitiria que suspeitos de crimes fossem enviados para o continente, desencadeando a pior crise política de Hong Kong em décadas. Em junho, Pequim acelerou uma abrangente lei de segurança nacional que essencialmente criminaliza a dissidência.

Depois de a lei ter sido anunciada, lei que permite julgamentos à porta fechada e prisão perpétua, os títulos dos jornais pareciam obituários: “O dia mais triste da história de Hong Kong”, “Uma sentença oficial de morte para Hong Kong”.

Na Igreja da União de Kowloon, um homem e uma mulher comovem-se enquanto cantam “Glória a Hong Kong”, o hino do movimento de protesto, num evento que comemora um ano de protestos pró-democracia.

Esquerda: Jornalistas com coletes amarelos tentam proteger-se enquanto um camião da polícia com canhões de água dispersa os manifestantes e transeuntes na Hennessy Road de Hong Kong. A cidade realiza há muito tempo uma marcha anual pró-democracia no dia 1 de julho, mas este ano a polícia não deu autorização aos organizadores.
Direita: Uma família com uma criança pequena afasta-se da polícia durante um protesto pró-democracia em Wan Chai, no dia 1 de julho – no 23º aniversário da transferência de Hong Kong do domínio britânico para o chinês.

Um cartaz na lateral de um prédio do governo promove a nova lei de segurança nacional. Quando a lei foi anunciada, o governo de Hong Kong pagou a instalação de cartazes que apelavam ao público para apoiar o projeto de lei, embora ninguém soubesse realmente o que isso envolveria.

Mas o que significa a morte de uma cidade? Como se faz o luto da perda de um lugar onde ainda continuamos a viver?

Enquanto o povo de Hong Kong tenta lidar com a perda de um lar, pelo menos da forma como o conhece, perguntei a nove habitantes locais quais são os sítios onde sentem mais ligação com a cidade e fotografei-os nesses lugares. Vi bairros através dos olhos de quem os ama profundamente; parecia que estava a ser convidada a entrar nos corações das pessoas para uma visita. Hong Kong está a mudar, mas partes da cidade são imutáveis, salvaguardadas na memória coletiva dos que lhe chamam casa.

Esquerda: Para Vinci Leung Wing-yi, professora assistente de 24 anos, o Mercado de Shek Wu Hui é um lugar que ainda só é frequentado por habitantes locais e onde se ouve mais falar cantonês. No seu bairro, que faz fronteira com a China continental, o mandarim está em ascensão.
Direita: Douglas Bland, nativo de Hong Kong de quarta geração, está sentado no exterior de uma loja que fica em frente ao seu restaurante paquistanês favorito, em Kwai Chung, uma área que Douglas aprecia pela sua diversidade. “Este é um restaurante onde eu como umas três vezes por semana. E fica num bairro com o qual sinto uma ligação especial porque o meu avô trabalhava aqui.”

Esquerda: Au Kit-chun posa na loja Sun Fat, onde trabalha desde que imigrou para Hong Kong vinda do continente há 31 anos. Kit-chun diz que, numa loja tradicional como a dela, os clientes ainda podem conversar com os funcionários, “portanto, há uma ligação sentimental”. Tendo vivido durante a Revolução Cultural da China, Kit-chun diz que está mais cautelosa com o que diz agora... “Nunca se sabe se as pessoas que nos rodeiam são nossos amigos ou informadores.”
Direita: Bryan Ng, 38 anos, sente-se mais ligado à cidade de Sai Kung, onde é proprietário de um clube de desportos aquáticos. “Os vizinhos são melhores, as pessoas cumprimentam-se umas às outras. Devido aos eventos recentes, há mais conflitos em Hong Kong. Mas em Sai Kung, não temos muito disso. Quando estou no mar, é o lugar onde há menos conflitos... o mar tem o poder de curar.”

Lutar por Hong Kong
É surreal observar como a vida quotidiana coexiste tão facilmente com a sombra iminente do autoritarismo. Não é invulgar sentir os efeitos de gás lacrimogéneo no coração do distrito financeiro numa determinada noite, e depois ir ao ginásio na mesma rua no dia seguinte. Mas também percebi que, tal como o grafíti que foi pintado por cima ainda está um pouco visível por toda a cidade, o trauma do ano passado também deixou marcas no meu corpo.

Há algumas semanas, quando eu estava a fazer uma das minhas frequentes caminhadas pelas montanhas verdejantes de Hong Kong para escapar da agitação urbana, senti calafrios quando reconheci a área onde me encontrava. Foi aqui, em North Point, que há menos de um ano partidários pró-Pequim que estavam numa manifestação pró-democracia me tentaram agredir por eu ser fotojornalista. A polícia disparou gás lacrimogéneo contra mim e contra os meus colegas, antes de nos cercarem com escudos para motins, aprisionando-nos num círculo fechado. Nunca me senti tão insegura na minha própria cidade.

No dia 1 de julho, o dia seguinte à entrada em vigor da lei de segurança nacional, milhares de pessoas saíram às ruas. Um dos cartazes dizia: “Nós amamos mesmo Hong Kong!”. A mensagem era clara: apesar da lei, os habitantes de Hong Kong iriam continuar a resistir porque amam muito, muito a sua cidade.

Apesar de Hong Kong ser conhecida pela sua densidade de edifícios e horizonte acidentado, 40% do seu território é constituído por áreas selvagens protegidas. Nesta imagem, vemos o lado noroeste da Ilha de Hong Kong a partir de High West.

Esquerda: Eleitores aguardam à porta de uma loja de roupa interior que hoje tem mesas de voto, em Kennedy Town, Hong Kong, para votarem nas primárias organizadas de forma independente pelos apoiantes pró-democracia em preparação para as eleições legislativas. Desde então, o governo adiou as eleições durante um ano, citando preocupações com o coronavírus. Mais de 600 mil pessoas votaram, apesar da advertência do governo de que podiam estar a desrespeitar a lei de segurança nacional.
Direita: Carrie Lam, Chefe Executiva de Hong Kong nomeada por Pequim, anuncia que as eleições legislativas, inicialmente agendadas para setembro, serão adiadas durante um ano devido ao coronavírus. No dia anterior, o governo tinha desqualificado 12 candidatos pró-democracia.

Um pequeno memorial ao ar livre que presta homenagem a Alex Chow, estudante que morreu no dia 8 de novembro de 2019. Alex Chow, de 22 anos, caiu de um parque de estacionamento de vários andares durante um protesto e tornou-se num mártir para o movimento.

Com o amor vem a tristeza: quando a lei foi anunciada, chorei durante três dias. Mas não foi a primeira vez que derramei lágrimas pelo meu lar. Durante anos, de forma fragmentada e quase imperceptível para a maioria das pessoas, Pequim destruiu a autonomia e as liberdades de Hong Kong.

Amar Hong Kong é viver num estado constante de ansiedade em relação ao futuro. “É como ver um paciente de cancro finalmente a morrer”, disse uma estudante da Universidade Politécnica que pediu para o seu nome não ser publicado porque receia ser detida. “É algo de partir o coração que eventualmente aconteceria. Agora, aconteceu.”

Esta estudante sente-se mais ligada à cidade na sua universidade, o local de um dos eventos mais dramáticos do movimento. Em novembro do ano passado, a polícia cercou o campus, que tinha sido tomado por estudantes. Milhares de pessoas tentaram libertar os manifestantes, mas não conseguiram. Os violentos confrontos que se seguiram resultaram em mais de mil detenções e centenas de feridos.

Para ela, este cerco serve de metáfora para a luta mais ampla pela democracia: “Apesar de termos trabalhado arduamente, apesar de termos um mar [de pessoas] que se estendia desde a universidade até Prince Edward [a três quilómetros de distância]... o poder das massas não conseguiu fazer frente ao poder do regime autoritário.”

Esquerda: Os panfletos rasgados ainda podem ser vistos neste antigo “Muro Lennon”, na Ilha Cheung Chau, onde panfletos pró-democracia tinham sido colados. Este tipo de manifestação começou a desaparecer depois de a lei de segurança nacional ter entrado em vigor no dia 30 de junho.
Direita: Os guarda-chuvas tornaram-se no símbolo do movimento pró-democracia quando os manifestantes os usaram para se protegerem de gás lacrimogéneo e gás  pimenta em 2014. Este grafíti de guarda-chuvas feito no ano passado ainda está visível, apesar das tentativas para o limparem.

Forças da autoridade caminham pelo Centro comercial YoHo em Yuen Long, Hong Kong, no dia 21 de julho, aniversário de um dos ataques a uma multidão. No ano anterior, cerca de cem homens mascarados – que se acredita pertencerem às tríades locais, ou grupos do crime organizado – atacaram passageiros e manifestantes no metro. A polícia só apareceu no local passados 39 minutos, quando os agressores já tinham fugido. Ninguém foi condenado e os manifestantes acusaram a polícia de conivência com as tríades.

Pessoas posam para a fotografia no exterior do novo Gabinete de Proteção de Segurança Nacional, no dia 8 de julho, dia em que o gabinete foi inaugurado e uma semana após a entrada em vigor da lei de segurança nacional.

O idioma da liberdade
Muitos habitantes de Hong Kong sentem que a cidade muda demasiado depressa. A paisagem está em constante evolução e o ritmo do aburguesamento é estonteante. A nostalgia crónica faz parte da alma da cidade: agarramo-nos ao presente como se já fizesse parte do passado, porque não sabemos quanto tempo é que vai durar. Lamentamos o desaparecimento das “dai pai dongs” (bancas de comida de rua), das “si do” (lojas familiares) e dos letreiros de néon. Cada vez há mais lojas e restaurantes.

Até as coisas mais triviais são meticulosamente imortalizadas. Recentemente, uma amiga minha enviou-me a fotografia de uma coisa que ela tinha comprado: uma réplica em miniatura de uma tampa de esgoto. Ela disse-me que tinha começado a comprar impulsivamente recordações de Hong Kong desde que a lei de segurança nacional tinha sido aprovada: “Estou preocupada porque estas coisas podem desaparecer com o tempo ou com leis novas”.

Sandy Au, de 28 anos, é assistente numa galeria de arte e sente esta nostalgia de forma intensa num antigo complexo habitacional onde o seu avô vivia. Os edifícios circulares tornaram o complexo muito popular entre turistas e “Instagrammers”. “Isto representa Hong Kong. Estamos sempre a consumir estes elementos antigos de Hong Kong”, disse Sandy. “[As pessoas] tratam-nos como um produto, uma cultura antiga, uma imagem que pode ser consumida.”

Sandy sente que a sua geração não teve oportunidade para estabelecer o seu próprio legado, seja porque “a quantidade de controlo que temos sobre nós está a aumentar, ou porque o espaço que temos para prosperar está a diminuir”. Seja como for, Sandy está resignada com a perda: “Estas coisas que estão a morrer fazem parte da nossa cultura, e a linguagem e a experiência partilhada que nos pertencem vão continuar a desaparecer.

O cantonês, a gíria e a língua coloquial de Hong Kong – que quase exige uma atitude irreverente para ser falada com autenticidade – é um dos elementos culturais que muitos temem estar ameaçado. À medida que a influência de Pequim cresce, o mandarim, que é falado no continente, torna-se mais predominante. O governo incentivou as escolas a darem aulas de chinês em mandarim, em vez de cantonês.

Pessoas marcham em protesto contra a lei de segurança nacional em Wan Chai, Hong Kong, no dia 1 de julho, um dia depois de a lei entrar em vigor.

Esquerda: Pessoas passam por uma das pedras de fronteira na Ilha Cheung Chau, pedras que foram colocadas para marcar os limites de uma lei colonial de 1919 que reservava a zona para os missionários americanos e britânicos, impedindo que os chineses ali vivessem.
Direita: Os nomes das ruas de Hong Kong são uma lembrança do passado colonial da cidade. Possession Street, que faz cruzamento com Queen’s Road, marca o ponto onde o exército britânico tomou posse formal de Hong Kong em 1841.

“A perceção [dos alunos] vai ser a de que o mandarim tem um papel mais importante, já que o estão a aprender na escola”, disse Vincci Leung, professora assistente numa escola primária.

“O cantonês… está muito ligado à nossa cultura”, disse Vincci, dando o exemplo de “yum cha”, que se traduz literalmente para “beber chá”, mas na verdade significa sair para comer dim sum. “Muitas das rotinas nas nossas vidas diárias só se expressam corretamente em cantonês.”

O seu bairro, Sheung Shui, fica a apenas uma estação de comboio de distância da fronteira com a China continental. O bairro mudou ao longo dos anos devido a um aumento acentuado de visitantes vindos da China continental, e a um fenómeno conhecido por “comércio paralelo”, em que os comerciantes revendem no continente produtos que são mais baratos em Hong Kong. Os estabelecimentos locais foram substituídos por farmácias para turistas e para as pessoas envolvidas no comércio paralelo, levando ao aumento das rendas e, por vezes, à escassez de produtos domésticos essenciais, como leite em pó para bebé. As tensões têm aumentado porque os moradores não gostam de ouvir falar mandarim nas ruas.

Mas Vincci diz que há um lugar em Sheung Shui onde o cantonês ainda reina: o movimentado mercado onde os moradores regateiam por produtos frescos e carne. Vincci diz que, no mercado, sente “o calor e toque humanos”. “Podemos falar com as ‘nossas tias’ e perguntar quais são os melhores legumes, ou qual é a batata-doce mais saborosa.”

Espírito de Lion Rock
Conheci um empresário que tinha cerca de 50 anos – que também pediu anonimato com receio de ser detido – no início do trilho para Lion Rock, uma montanha muito conhecida que tem vista para a cidade, e que também é o lugar onde ele se sente mais ligado a Hong Kong. À nossa frente, esperava-nos uma subida íngreme.

Enquanto subíamos e descíamos pelos degraus de pedra até ao cume, as aberturas entre as árvores revelavam vislumbres da cidade. Ele fez uma pausa para descansar e comentou: “Isto é como o futuro de Hong Kong. Não sei se vai subir ou descer, mas sei que não vai ser fácil.”

Um empresário com cerca de 50 anos, que pediu para o seu nome não ser divulgado porque receia ser detido, escolheu a montanha Lion Rock como o lugar onde se sente mais ligado a Hong Kong. Ele acredita que todos os habitantes de Hong Kong devem fazer esta escalada pelo menos uma vez na vida.

Kowloon vista do cume da montanha Lion Rock em Hong Kong. O “Espírito de Lion Rock” refere-se à solidariedade e perseverança do povo de Hong Kong e a montanha tornou-se num ponto de encontro para o movimento pró-democracia.

Chegámos ao cume pouco antes do pôr do sol. Uma vista deslumbrante estendia-se desde Kowloon, passando por Victoria Harbour, até à famosa linha de horizonte de Hong Kong. Apesar de o impacto da lei de segurança nacional ser impercetível onde estamos, este empresário acredita que Hong Kong “já não é único. Tornou-se numa cidade chinesa como Xangai ou Shenzhen”.

O “Espírito de Lion Rock”, um ditado que se refere à perseverança e solidariedade da cidade, tornou-se num grito de guerra para o movimento pró-democracia. Mais tarde, o empresário enviou-me a letra da música que deu origem a esta frase: “Na vida, há alegria / e muitas vezes as lágrimas são inevitáveis / se nós, como um, nos encontrarmos sob a Lion Rock / haverá mais sorrisos do que soluços.”

Com tanta incerteza, há uma pergunta que quase se tornou numa espécie de cumprimento: Você vai ficar? Quando perguntei isto ao empresário, que estudou no Reino Unido, ele respondeu: “Nunca [pensámos] em sair, mesmo depois de 1997”. Mas agora já considera emigrar: “Se não existe futuro em Hong Kong, por que razão devemos ficar?”

Mas já estão a emergir novas formas de protesto: os ativistas erguem folhas de papel em branco, em vez de cartazes, e partilham gráficos que substituem os caracteres chineses por formas, que são reconhecíveis para quem sabe o que significam. Eles cantam “Glória a Hong Kong”, o “hino nacional” escrito pelos manifestantes, com uma série de números em vez de letras.

Esquerda: Depois de a lei de segurança nacional ter entrado em vigor, as empregadas da loja Sweet Dreamer Dessert substituíram os seus panfletos pró-democracia por outros em branco. E também imprimiram novos menus para remover quaisquer imagens ou mensagens possivelmente ilegais, e substituíram-nos por páginas em branco que dizem: “Em branco desde o dia 1 de julho de 2020”. Uma das funcionárias disse: “Mesmo que rasguem os nossos panfletos, isso não apaga as nossas crenças”.
Direita: Um símbolo pró-democracia em cima do taxímetro de um “táxi amarelo”, um transporte que os apoiantes pró-democracia podem chamar através de um grupo de mensagens chamado Telegram.

Um estudante de 19 anos numa ponte pedonal com vista para Harcourt Road, o local do gabinete principal do governo e de muitos protestos importantes. “Este é o lugar onde tudo começou”, disse ele. “O edifício por trás disto é o símbolo do poder político, e estamos a resistir aos poderes políticos que nos oprimem.”
O governo instalou vedações na ponte pedonal, provavelmente para evitar que os manifestantes atirem objetos. “Com a lei de segurança nacional, temos pessoas que estão realmente com medo”, disse o estudante. “Estou um pouco perdido, mas vou continuar a perseverar.”

“Ainda tenho a esperança de que o povo de Hong Kong não vai desistir da cidade”, disse Jeffrey Andrews, cidadão de Hong Kong de origem indiana. Falei com ele no Cais do Ferry de Tsim Sha Tsui, o lugar onde ele se sente mais ligado à cidade, e de onde se tem uma vista icónica do cais. Para Jeffrey, este lugar representa o progresso e a herança da cidade. E também é um lugar para os habitantes relaxarem: “Precisamos disso agora mais do que nunca, com esta crise atual.”

Jeffrey acredita no futuro de Hong Kong. Em junho, tornou-se na primeira pessoa de uma minoria étnica a concorrer para um lugar de legislador. “Sim, existe uma lei contra nós. Mas a liberdade está dentro do coração, mente e alma. Eu acredito na bondade do povo de Hong Kong. Vamos superar isto, como sempre.”


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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