1706: O ano da conquista de Madrid feita pelos portugueses

Houve uma época em que o exército português partiu à conquista de Madrid, comandado pelo Marquês de Minas.

A história de Portugal e Espanha recua à Guerra da Sucessão.

Fotografia de RFNG
Publicado 8/06/2021, 15:35

Portugal é um dos estados-nação mais antigos da Europa e do mundo, com fronteiras definidas desde 1297, na sequência da assinatura do Tratado de Alcanizes. Foi a 28 de junho de 1706, que um Exército aliado de 14.700 portugueses e 4.200 anglo-holandeses, sob o comando do 2.º Marquês das Minas, Dom António Luís de Sousa, entrou em Madrid.

Ao fim de cerca de 500 quilómetros percorridos e ao longo de três meses de operações em terras de Espanha, durante esta Campanha, foram feitos mais de 8.000 prisioneiros e capturadas mais de 100 peças de artilharia, nos vários combates que tiveram lugar contra as forças franco-espanholas, comandadas pelo Duque de Berwick.

Entender a conquista de Madrid a partir da Guerra de Sucessão

A campanha do Marquês das Minas realizou-se no âmbito da Guerra da Sucessão de Espanha, que teve lugar entre 1701 e 1714. O príncipe-eleitor da Baviera, José Fernando da Baviera, foi o escolhido para suceder ao seu tio-avô, o rei Carlos II de Espanha, que morreu sem deixar herdeiros.


No entanto, o jovem príncipe tinha uma saúde frágil e acabou por falecer aos seis anos de idade. Este óbito levou Filipe V, neto de Luís XIV de França, a ser a figura ponderada para ocupar o trono espanhol. Os Bourbon iriam, assim, liderar dois dos Estados mais poderosos da Europa, França e Espanha e, as restantes potências receavam as consequências deste vínculo.

O imperador romano-germânico Leopoldo I, parente de Carlos II, decide tentar romper esta união dinástica e afirma ser o detentor do direito ao trono, dando assim, início à Guerra da Sucessão de Espanha.

Ingleses, portugueses e germânicos unidos contra os Bourbon

Portugal já tinha reconhecido Filipe V de Espanha, mas, perante a pressão dos ingleses, com quem o país mantinha relações muito próximas, D. Pedro II de Portugal viu-se obrigado a repensar a sua posição, anulando assim, em 1702, o tratado pelo qual Portugal se comprometia a guardar os direitos da França, com a promessa de um auxílio militar em caso de ameaça.

Assim, o reino português une-se às forças opositoras, reconhece o arquiduque Carlos, filho de Leopoldo I, como rei de Espanha, e entra na guerra. A importância de Portugal neste confronto deveu-se, principalmente, ao seu posicionamento geográfico e torna-se a base de operações dos aliados.

Da entrada em Espanha à conquista de Madrid

A Ciudad Rodrigo foi o ponto escolhido para atacar, mas desta primeira intenção, as forças militares regressaram a território português sem qualquer conquista, tendo começado da pior maneira para Portugal e para os seus aliados.

António Luís de Sousa, marquês das Minas, reocupou diversas localidades da Beira Baixa, entre as quais Castelo Branco, que as tropas espanholas tinham ocupado pouco depois da entrada de Portugal no conflito.

Então, o Marquês das Minas entrou por Espanha e tentou tomar Badajoz, algo que também não conseguiu. Não desistindo, fez nova investida a 7 de março de 1706, queimando a vila de Bricas e derrotando junto desta, as forças do Duque de Berwick, que comandavam o exército que defendia Filipe de Anjou.

A 9 de abril, cercou Alcântara e conseguiu tomá-la, fazendo prisioneiro o governador D. Miguel Gasco, juntamente com toda a sua guarnição e 47 peças de artilharia. A campanha seguiu vitoriosa, tomando Ciudad Rodrigo, Salamanca, Coria e Plasencia, e fazendo a sua entrada triunfal em Madrid a 25 de junho.

Já na conquista de Madrid, D. António instalou-se por 40 dias no Paço Real, recebendo a sujeição dos poderes constituídos e tribunas, não só de Madrid como de Segóvia e Toledo, e proclamando rei o Arquiduque Carlos, ficando o trono espanhol à mercê do pretendente austríaco.

Sol de pouca dura para o Marquês de Minas

Apesar da conquista de Madrid, o sucesso do marquês das Minas foi brevemente extinto, em parte devido à reação do povo espanhol, que fez aclamar o outro pretendente, Filipe de Anjou, em Salamanca e noutras cidades, como rei de Espanha.

Este reconhecimento do pretendente francês veio dificultar as comunicações entre Portugal e o exército português, pelo que o marquês das Minas se viu obrigado a abandonar a capital espanhola, sendo pouco tempo depois expulsa a pequena guarnição que aí deixara.

No final, esta invasão pouca influência teve para o desfecho desta guerra, uma vez que Filipe de Anjou continuou a ser rei de Espanha, mas foi obrigado a ceder à Grã-Bretanha a ilha de Menorca, nas Baleares, bem como o rochedo de Gibraltar e, aos Habsburgos, os Países Baixos espanhóis.

Os tratados de Utreque e a paz com Portugal

Já Portugal, pouco ou nada recolheu deste confronto, acabando por assinar tratados de paz com França e Espanha em 1713, o primeiro Tratado de Utreque, em que Portugal ficaria garantida a posse de vários territórios sul-americanos nomeadamente na região do Amazonas e, em 1715, o segundo Tratado de Utreque. Este segundo tratado entre Portugal e Espanha, obrigava à restituição dos territórios ocupados pelas partes no decurso da guerra, resolvia a questão das colónias em litígio nas Américas, previa a troca dos prisioneiros, regulava as relações comerciais futuras entre os dois países, previa o pagamento de dívidas antigas, revalidava os acordos anteriores entre as duas potências e normalizava as relações diplomáticas.

Em 1715 seria definitivamente posto termo à guerra, ficando no trono espanhol Filipe V, neto de Luís XIV de França. Os representantes de Portugal em Utreque foram o conde de Tarouca e D. Luís da Cunha e, o assinar dos mesmos marcou o declínio do poderio francês e espanhol, permitindo o surgimento destacado do império colonial britânico.

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